Olhos

Foto de Sirlei Passolongo

Mágoas

É estranho esse sentimento de mágoa
por alguém que sorriu junto com você
alguém que você teve nos braços...
que dividiu carinhos e juras
E de repente, você percebe que
eram apenas injúrias

E essas mágoas
vão se transformando em lamentos
Lamentos por você mesmo,
pela ingenuidade do seu coração,
e logo, serão lamúrias

Então você faz promessas de esquecer
que tudo morrerá dentro de você
e voltará a sorrir.
Mais uma vez, a lágrima da saudade
molhará seus olhos e enfim,
percebe que não adianta mentir

Que você não faz mágica
capaz de esquecer alguém quando quer...
E não está em suas mãos
a sede do seu corpo
nem o grito do seu coração.

(Sirlei L. Passolongo)

Direitos Reservados a Autora

Foto de angela lugo

Foi amando você

Foi amando você
Que tomei conhecimento da dor
Dentro dela aprendi a gemer
Por tanta ingratidão
Pelo seu chamado que não vinha
E, eu ainda persistia
Como pude te amar tanto
E esquecer que eu existia
Você é pura melancolia
Que chateia os meus dias
Mas prefiro-os chatos
A não tê-lo no dia-a-dia
Perco muitas vezes a luz do sol
Esqueço de abrir as cortinas
Meus olhos teimam em ficar cerrados
Perco muitas noites prateadas
As lágrimas são como névoa
Nada me deixando ver
E penso... Penso em você
Que em todo o tempo que passou
Eu perdia tudo e não perdia nada
Porque o meu tudo é você
E sem você nada tenho para perder

Foto de JGMOREIRA

DA GRANDE DECEPÇÃO DO HOMEM AO VER-SE SÓ, CONTEMPLANDO O ABISMO

DA GRANDE DECEPÇÃO DO HOMEM AO VER-SE SÓ, CONTEMPLANDO O ABISMO

Estou só no mundo com todas as alegrias resguardadas
De contaminações humanas. Estou só e porto uma espada
Para desafiar os perigos que encontro na jornada
das adagas insanas.

Estou só. Tenho nas mãos as cartas que me envias
Não as respondi com medo de revelar
Quem em mim não mais residia.

Todos os laços estão rompidos
Todas as flechas lançadas
Todos os corações partidos
Mas ouço nas lembranças
Uma canção de amor evoluindo

Estou à beira do abismo
Enquanto as rochas resistem
À investida das águas insistentes
A distância entre mim e as pedras
É a desse amor dissente
Que em ti sobrevive

Tenho nas mãos a espada
As cartas e o vento no rosto
Enquanto olho estupefato
A violência das águas.

Queria o amor, sim
Como desejei amar
Mas queria que entendesses
Um amor sem carne dentro
Que tivesse palavra por alimento
Que se deixasse amar
Para que amasse o corpo
Como se linimento
Para todos os sofrimentos
Infligidos por esse tempo impiedoso
Que sorri ao desamarrar mãos de amantes
Como se sua maior obra fosse o desgosto.

Estou à beira dessa profundidade
Dessa altura estonteante
Completamente enlouquecido
Pela certeza da inutilidade
Desse amor por ti enaltecido

Defendes o grito do gozo
Enquanto aguardo o silencio do êxtase
Derramo-me em ti para escapar da morte
Enquanto te abres para esquecer do dia.

Passo os olhos nas tuas palavras
Que nada comovem em mim.
O homem a quem as dedicava
Há muito retirou-se de ti
Evadiu-se de mim
Esquecendo essa espada
Largando essas cartas
Que não servem para nada

Foto de JGMOREIRA

CÂNTICOS

CÂNTICOS

És bela, Amada pela minha alma
Como o sol afastando a madrugada.
Teus olhos são frescas paragens
Abrigando os meus da vida voragem.

Teus lábios são fontes murmurantes
Que matam a sede dos meus, ofegantes
Beija-me e embriaga meu coração
Com o licor da tua boca em profusão.

Formosa és entre as mais belas
Reconheço-te entre todas elas;
estando entre mil, quando passas
meu coração desperta e dispara.

Passa o tempo; muda a estação.
A natureza doa flores em admiração.
Teus seios são taças macias
Que me saciarão ao findar o dia.

Tua pele agradável como o linho
Tua cor deslumbra o peregrino
Abundante é o mel que alivia
Que sorvo desejoso da tua delícia.

Tua palavra doce acalanta
Tua voz é flauta que encanta
Ergo-me mais homem a cada dia
Que teus amores são puros, amada minha

Quisera fosses minha irmã, amada
Para desde antes termos as mãos dadas
Desde o primeiro dia da tua vida
Estarias entre meus braços protegida

A mão esquerda te apoiaria a cabeça
Para que te abraçasse a direita
Envolvendo teu corpo nos braços meus
Sou um homem que chega a Deus.

Deleito-me ao ver-te preparando o leito
Perfumando-o com aromas perfeitos
Para transformar a noite do nosso amor
Em palácio de ouro, puro esplendor.

Teu ventre é obra de mão apaixonada
Tuas pernas duas torres cinzeladas
Que guardam arca de rico tesouro
Que será entregue ao amado venturoso

Vem, amada minha, apressa teu passo
Que minha alma ressente-se sem teu abraço.
Acolhe-me em teu colo e apascenta
Ouve a melodia do coração na tua presença.

Amada minha, amiga fiel, irmã querida
Aceita o presente dos meus dias de vida
Afasta de mim os males da alma dos tristes
Salva-me com o amor que só em ti existe.

Sela meu coração com teus lábios
Ampara-me quando, triste, caio.
Leva-me ao leito que preparastes
Para com teu amor o desfrutasse.

És a flor banhada pelo orvalho
Quando ouço tua voz me calo
Música encantando a cotovia
Esta mulher, amada da alma minha.

Foto de JGMOREIRA

CALVÁRIO

CALVÁRIO

O OLHAR DE MARIA
PARA O FILHO NA TRILHA
É O OLHAR DO AMOR
QUE MAIS AMOU

OUTRA MARIA OLHA O AMADO
COM OS OLHOS TURVADOS
OS OLHARES DAS DUAS SE TROCAM
SEM QUE NADA POSSAM

SÃO DUAS MULHERES AMANDO
O MESMO HOMEM, ANDANDO
SOB A CHIBATA E ESPINHO
OLHANDO AS DUAS COM CARINHO

-PAI, MEU CORAÇÃO ESTÁ PRONTO!
MARIA CONTÉM O PRANTO
ENQUANTO A OUTRA LEVANTA O VÉU
ESPERANDO O MILAGRE DO CÉU

O OLHAR DE MADALENA NO OLHAR DE JESUS
ALIVIA-O DO PESO DA CRUZ
POR INSTANTES SUA DÔR FICA VAZIA
PARA QUE VÁ AOS VALES ONDE PASTOREARIA

SOBE A COLINA COM O SOL NAS COSTAS
MADALENA, LINDA, O ESPERA À PORTA
OS FILHOS BRINCAM NA SOLEIRA
UM SORRISO AFLORA SOB A CABELEREIRA

AS PALAVRAS QUE LEVARÁ NAQUELE DIA
SERÃO OUVIDAS PELAS DUAS MARIAS
QUE O OLHAM COMOVIDAS PELO AMOR
TEMEROSAS DA SUA CORAGEM DE PASTOR

A CHIBATA IMPIEDOSA O TRÁZ DE VOLTA
PARA O CENTRO DO PALCO DA HISTÓRIA
O SANGUE DE SEU ROSTO COROADO PELO ESPINHO
PUXA DE MARIA UM GRITO PELO SEU MENINO

MADALENA, QUE AGUARDAVA O MILAGRE
SOLUÇA AO VER O CENTURIÃO COM VINAGRE
A FÉ DA MULHER NESSE INSTANTE FRAQUEJA
PEDE A DEUS QUE NÃO MAIS LHE PEÇA QUE CREIA

QUANDO, POR FIM, ERGUE-SE O MADEIRO
AS DUAS MARIAS DE ABRAÇAM EM DESESPERO
DUAS MULHERES PERDEM O HOMEM AMADO
QUE GRITA AO PAI PORQUE FOI ABANDONADO

DURANTE TODA SUA AGONIA,
JESUS ESTÁ COM MARIA
SOBRE A MORTE SEU CORAÇÃO VOA APAVORADO
ANINHANDO-SE EM MADALENA: DOIS DESACRETIDADOS

DUAS MARIAS OLHAM FIXAMENTE JESUS
ALHEIAS À REALIDADE DA CRUZ
OLHANDO AS DUAS, DO ALTO, O NAZARENO
PASTOREIA NAS COLINAS COM SEU CAJADO.

Foto de JGMOREIRA

AFEIÇÃO

AFEIÇÃO

Fecha meus olhos
faz esquecer o tempo
Beija-me um pouco
afaga a alma inquieta

aceita meu corpo desesperado
por uma mão de afago
por um vinho suave tinto
uma voz, um timbre, algum riso

aceita meu corpo
fecha os olhos com beijo
não afligirá o desejo
O que acolhes é medida do medo

medo que acostuma os sozinhos
mas não deveria o só se calar
Houve minha voz quase triste
fazendo de conta que existes

assim passa o tempo
assim acaba o dia
Iludo-me que vivo
na casa vazia

sei que não deveria
mas cedo à vida o dia
melhor que amor não tê-lo
é sonhar sem sabê-lo

a aragem do teu hálito
alivia o calor que sinto
mais que amar na voragem
é amar e sentir o amor vindo

as coisas são como são
o amor é como é
não há como evitar a condição
o homem é da mulher

descansa tua mão
das farpas do coração
que sangram a pele amada
em juras de sangue, ciganada.

Foto de JGMOREIRA

À PRIMEIRA VISTA

À PRIMEIRA VISTA

Quando tu me viste
Eu já sabia
Que me comerias
Que me beberias
Que te deliciarias em meus cheiros
Líquidos, vasos cheios
Nas noites quentes.

Quando puseste teus olhos
No meu peito, pernas
Eu já sabia que seria tua
Que dançaria na tua estranheza
Que derrubaria o que à mesa
Que te apunhalaria dezenas
Mas, mesmo assim, tu me terias
Enquanto rodopiasse a pena.

Quando me deparei com teus olhos
Acarinhando meus cabelos confusos
Observando meu rosto difuso
Fotografando minhas linhas
Algo me mordeu por dentro
Delatando-me tua tristeza
Tua venida incontida
Que minha vontade queria

Quando me viste, eu sabia
Tu já sabias que me comerias
Que eu não resistiria.
Quando é à primeira vista
Não existe valentia

Foto de JGMOREIRA

A DIVINDADE

A DIVINDADE

Do amor tanto amado
nada que lembre restou
Sequer um 3x4
que o novo amor rasgou.

Passaram os anos, lépidos
Para mim, rastejantes
Contigo em meu ventre
No olfato, na procura incessante.

Tua imagem, ícone pleiteando parecença,
Jamais encontrou sorriso igual,
Jeito semelhante, carinho assemelhado.
Eu, carregando a cruz da tua ausência.

As músicas, as horas, a companhia,
Nunca mais foram de sacio.
A cama, sepulcro vivo de coisa viúva
Jamais se conformou com o vazio.

Carrego esta tua esfinge às costas
Como fardo que não sei abandonar.
Onde quer que pouse, pare, descanse
Eis teus olhos a me passarinhar.

Com tanta coisa para viver
Fico embrulhado no passado
Da tua pele; no calor do abraço
Que nunca mais, tão terno, encontrarei.

Carregando e amando esse fardo
Vou safando-me dos dias amargos
Que passam, ferozes, arrancando nacos
De carne passiva que apenas ama no passado.

Talvez, quem sabe, um dia, pode ser
Encontre alguém que não seja você
Que me atraia os olhos de repente
Tornando novamente o objeto gente

Se, acaso, ventura, tal se der
Poderei arriar teu peso de mim
Aliviar-me da carga que carrego
Odeio, desprezo, mas não nego

Que o teu amor, minha heresia,
Provou ser Deus uma mulher.

Foto de Sirlei Passolongo

Inseto Noturno

.
.
.
O céu se veste de luar... Agonizo
a falta do seu sorriso,
O peito se perde em mágoa
Os olhos se fecham rasos d’água.

O luar branco como a neve
entre as estrelas, tão leve,
assiste a minha dor
e sorrir, às vezes, parece.
A solidão me endoidece.

Oh! Noite escura, maldita!

Faz-me da tua beleza, um réu
Abre-se como uma renda
a cobrir o céu com seu véu,
eu a sangrar amargura
em tristes versos de fel.

De sofrer, minh’alma grita

Conto cada estrela que desce
O sol já está por perto
da lua então me despeço
agonizando esses versos
feito um noturno inseto
que não voa... Se rasteja
até que o dia amanhece.

(Sirlei L. Passolongo)

Direitos Reservados a Autora

Foto de Lede Poeta Paulista

FASCÍNIO

03/09/07

Queria eu parar a volição
Que invade meu pensar
Tomando conta do coração
Trazendo fascinação
Olhos que me hipnotizam
Boca a enfeitiçar
Sonhos que invadem
Alma que diz idem
Desejos que me seduzem
Encontro com minha alucinação
Determinando minha loucura
Atraindo irresistivelmente
Ao cativo de minha alma
Tendo um objetivo
Num corpo atrativo
Desprendendo meu fascínio
Estou perdendo o domínio
Nesse seu deslumbre
Dum corpo esculpido
Conseguiste seduzir-me
Vejo seu sorriso
Em todos os rostos... Expostos
Loucura dum fascínio
Trazendo a volição
Do meu ato
Que se resume a vontade
De iludir meu ser
Nesse fascínio...

Ledemir Bertagnoli

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