Sempre

Foto de misael

Serena

Era uma noite, noite de luar.
conheci Serena, comecei me apaixonar.
tomei uma atitude eu fui logo falar:
- Casa comigo, e comigo vem morar.
com ela era eu um homem feliz, só sabendo ama-la.
mas um dia ela adoeçeu e no hospital foi parar.
logo fiquei sabendo que não ia mais aguentar.
quando fui visita-la, em seus olhos pude notar.
seus olhos dizendo que não is mais aguentar.
olhando para mim uma coisa quiz falar.
- Um dia descobri que para sempre vou te amar.

Foto de Senhora Morrison

Liberta

Livra-me do seu sentimento de posse.
Amar, não sabe o que é.
Livra-me do seu moralismo vil.
Honra, nunca tivestes.

Ris da dor alheia
Mas não suporta a tua própria
Engenhava-me mais sofrimento
E tivestes minha devoção!

Chama-me verme
Julga-se forte, viril.
Mas faz-me seu escoro
Seu chão, para que pise, pise...

Só sabe ploriferar o medo
Ganhas-me no grito
Violenta minhas entranhas
Sempre que se sente só

Eu que parecia lhe dever
Nunca ousaria seus olhos
Dei-te a submissão
Fui-te um depósito de gozos, esporros...

Era só o que valia
Só o que me fazia valer
Diante de um semblante psicótico
Acompanhava-me da incapacidade

Almejar-se-ia seu reconhecimento
Se não lhe descobrisse agora
Tão fraco, tão fora.
De realidade que ainda desconheço

Tu foste meu primeiro, meu único.
E com mãos de ferro
Marcava-me com sua brutalidade
Com prazer em me sangrar

Jamais saberia ter força olhando estas marcas
Não poderia sequer tentar fugir
De sua presença negra e duras palavras
Mediante suas perspectivas

Nunca tiveste um horizonte
Não me mostraste as rosas do mundo
Deixara as pétalas a outras
E me enfeitava de caules e espinhos

Acostumaste-me a pouco amor
Mas minha alma já cumpriu sua sentença
Agora que com fôlego caminho para a luz
Sinto-te ainda mais agressivo

Nunca me ganhaste
Não me amedronte
Mesmo em flagelos irei recomeçar
Aqui ou em qualquer lugar

Vou curar minhas feridas
Com minha saliva
Tenho a mim
E isto me basta

A dor me abriu os olhos
Vejo-me tão capaz
Vejo que te suportei além
Sozinha será mais brando.

Suas ameaças já não me martirizam
Tão pouco o cumprimento
Nunca tive nada a perder
Não me destes nada

Vou antes de tudo acontecer
Antes que nada se faça
Ainda que respiro
Agora que me livro...

Então dormes homem
Que ontem foste digno do meu amor
Dormes que enquanto isso
Vou para onde não alcance seu cheiro

Que seja embalado em sonhos malditos
De murmuras e lamentos
E que quando desperte
Tenha uma vida em sofrimento

Aqui jaz tudo que fui pra ti
Neste ímpeto de coragem
Deixo-te, a querer que esqueça.
Que um dia existi...

Senhora Morrison
30/05/2006

Foto de Senhora Morrison

Coração Tranquilo

Mais um gole
Enquanto observo lá fora
Do alto,
Desta janela...
Sentindo o ar frio em meu rosto
Encolhendo-me como a querer proteger...
Proteger do que?
Se minha vontade...
É saber voar
Ir pra onde nada pese...

Meu corpo frio,
Meu cérebro a mil...
Somos pensantes
Ha, Ha, Ha...
Nunca somos um todo
Inteiro, de verdade.
O que me falta, já não sei.
E essa melancolia
Essa gana de não sei o que
Essa precisão...
Essa lucidez saudosa
De tempos, atitudes, horizontes...
Que se foram? Existiram?

Se tem alma
Este corpo a aprisiona...
Este corpo que padece
As ações do tempo
Das irresponsabilidades
De noites mal dormidas
Sabe-se lá com quem...
Sabe-se lá por que...
Dos tragos e tragos a mais...
Das risadas por diplomacia...
Dos choros por conveniência...
...desde o berço...
Dos amores por necessidade...
...de um colo no fim da noite de gemidos e fingimentos...
É tudo irreal, superficial...

Sou sozinha,
Sou uma peça,
Sou o desfecho...
...fundamental
Essa subserviência desnecessária
Esse interesse proposital
Essas décimas quintas intenções...
Não quero mais isso
Isso tudo me acaba
Isso tudo me sufoca

Mas não mata
Nunca mata
Nunca morre
Nunca mata...
O dia seguinte sempre segue
E ainda abro meus olhos
E ainda respiro este ar fétido
De gananciosa poluição
Não vale mais
Nunca valeu
Não tenho mais credibilidade
As fichas acabaram

Os sorrisos sinceros são milimetrados
Esporádicos, anulados
Por bombas caseiras e de efeito moral
Não dá pra ser inteiro,
Sou parte disso
Meus fragmentos sofrem
Como sorrir
Sinto meu sangue pulsar
Do outro lado dos continentes...
Com os mesmos olhos...
Que vêem o que não querem

Calo-me
Mas ainda vejo meu reflexo
Neste maldito espelho
Que não refleti o que o mundo determina
Mas...
Transparece a límpida alma
Que pouco importa
Sempre consigo me anular
Vou à busca dos meus
Este mundo não me pertence
Mas continua a flagelar
Pobres mortais
Dignos da esperança...
De etnias impostas por outrem
A condenar sem motivos
Desencorajando sonhos
Cortando as garras
E começando tudo de novo
Sem um fim plausivo

Agora recosto minha cabeça ao travesseiro
Sem alardes e acontecimentos
Deixo a inércia tomar conta
Do corpo
Da mente
Permitindo...
Querendo mais uma vez
Acalmar minha fúria
Atravessando uma senhora no farol...
Contribuindo pra cola com uma moeda...

Quem irá mudar o prisma do mundo...

Senhora Morrison
28/05/2006

Foto de Senhora Morrison

Não Permitam...

_Vejam!
A escuridão esta vindo
Encobrindo o horizonte
Ainda distante
Sugando as árvores
As nuvens, mesclando-se em cinza.

_Saiam todos daí!
Não conseguem ver?
A cidade continua apressada
Mas ela esta vindo...
Como a dançar
Entorpecendo o que encontra. Destruindo!

_Corram!
Não percebem que não podemos
Continuar com isso?
Ela se alimenta de todos
Os mau-dizeres
De toda mágoa
De todo ódio
De toda inveja

_Olhem!
Não posso ser a única a ver
As últimas pétalas estão a cair
Não se entreguem
As lágrimas sempre fortalecem
Não permitamos que os abutres
Petisquem nossa carne

O sangue há de correr
Nas veias... Somente.
Os olhares inocentes
Não podem ser recolhidos

Já que nos acostumamos
Com qualquer situação
Já que incondicionalmente
Somos limitados

Que nos limite-mos
Somente a amar

13/02/2007
Senhora Morrison

Foto de crissenagil

Ciúmes

Derrepente senti ciúmes de você,você nem ao menos esta ao meu lado,mas estou com ciúmes.Ciúmes de quem esta o vendo neste momento.
Sinto ciúmes da proxima que vai ouvir de você as mesma palavras que eu ouvi quando nos encontramos pela 1ª vez.
Eu fiquei perdida por você,fiquei desesperadamente apaixonada,seguindo seus passos ,procurando encontrar em seu coração um pequeno lugar para mim.
Você percebeu que gostava de você e se deixou gostar recebendo tudo e não dando nada em troca.Você era tudo que eu desejava.
Derrepente, como uma criança cheio de tedio e cansado de um brinquedo qualquer, você se afastou de mim.Compreendi que era o fim que se aproximava,e entendi que nunca tinha sido amada.
Você partiu nunca mais voltou,esperei inutilmente a sua volta,imaginei que um dia quando sentise saudades ,você voltaria pra mim.
Você partiu e nem ao menos me disse Adeus,partiu levando consigo tudo que o amor tinha me dado,levou para muito longe tudo que meu sonho mais ousado tinha imaginado...
Dentro da noite tudo é saudade,saudade de quem partiu.De quem me esqueceu.De quem me iludiu com tandas mentiras.de quem abriu o paraiso e depois fechou...fazendo com que tudo em volta de mim fosse se acabando.Dentro da noite é saudade de você.
Tudo em torno de mim fala de você ,reflete sua vida,seu olhar seu sorriso...vejo o seu sorriso alegre...foi esse riso que me conquistou ,foi esse riso que me deu uma falza imagem de felicidade,quando você ria perto de mim eu pensava estar ao lado de um anjo.No meu mundo de lembranças tudo é você ,estou sequindo entre lembranças...Estou vivendo do passado ,só no passado consigo encontrar você .No meu presente você não existe mais,não existe nada,só eu vivendo dia a dia de recordações que me fala sempre de você .
Jamais poderei amar alguém como amo você,jamais poderei ser feliz como fui quando tinha você ao meu lado.
Talvez longe de mim,um dia você possa ler esta carta e pensará que estou exagerando que entre nós dois nunca ouve nada sério ou definitivo, que nosso relacionamento não passou de uma aventura .
Sei que não há mais nada entre nós dois ,mais mesmo assinm,agora eu sinto ciúmes da proxima tola que vai se aproximar de você e viver tudo que eu já vivi.

Foto de weidinha

Amor

Nao importa quanto tempo se passou e o quanto ira passar,nao importa a idade e nem o lugar.
O que importa e estar ao seu lado sempre vivendo a emoçao de te amar

Foto de Jack Morena

Você faz parte do meu mundo

Você faz parte do meu mundo, do meu reino tu és rei,de mim tu és tudo.
Nesse ,indo você me ama, e nosso amor arde em chamas, chamas que nem DEUS pode apagar,pois és maior que o mar.
Então volto a realidade, e vejo que não és verdade, que é apenas uma ilusão,então,é apenas mais uma letra de qualquer canção.
Canção à qual te pertence,pois o amor sempre vence.
Quando te vi, pensei ter encontrado o amor da minha vida, mas o que achei foi minha própria vida.
Volto ao meu mundo e você ia lentamente até mim...desaparecendo assim...feito magina, mas quem sabe um dia...essa magia lhe trará até mim.

Foto de Danoninho

**A verdade**

Hoje descobri que meu coração anda um pouco cansado.
Cansado de ir em busca daquilo que ficou para trás.
Descobri também que amores daqueles que viram a vida da gente de cabeça pra baixo só acontece algumas vezes na vida!!!
Descobri que se a gente não aproveita a chance que a vida nos dá de amarmos loucamente, essa chance escapa por entre nossos dedos.
Descobri que essa chance cada vez se afasta mais e quanto mais corremos atrás dela , mais ela nos escapa.
Mas para falar a verdade não sei se a solução seria ir atrás dela.
Na verdade não sei qual é o momento que a vida prepara essa chance pra gente!
Gostaria de nunca ter deixado essa chance escapar.
Se pudesse voltar no tempo agarraria com toda minha força...com toda a força da minha alma a chance de ter amado você!
Não sei se descobri ou se sempre te amei... mas também não sei quando foi que abri mão desse amor.
Engraçado como penso em você...
Engraçado como penso em quanto amei você...
Acho que na verdade descobri a procura do meu coração.
Essa busca intensa, essa sede...
É tudo você!!!
A busca era simples.
Mas nunca tinha na verdade pensado que tudo o que meu coração queria era simplesmente ter você.
Nunca tinha pensado que a única coisa que meu coração buscava era mais uma chance de amar você!!!

Foto de Giovani Rodrigues

Lástimas de sua Ausência

Desembarquei do trem, como sempre!
Porém, agora não conto mais com seu apoio.
Agora me sinto só. Tão só que não quero mais viver.
E porque deveria querer?

Passei pela sua antiga casa,
E como eu imaginava, você não está mais me esperando.
Agora passo reto. Passo reto para não chorar mais.
Pois já chorei tudo o que devia.

Meu bem, eu sinto sua falta
Assim como os desertos sentem a falta da chuva.

Não estou pedindo compreensão de ninguém,
Já que ninguém iria me compreender mesmo.
O que eu espero e só meu amor, meu amor de volta!
Aquele mesmo que chegou de repente e nem me pediu licença.

Assim como vieste, meu bem, tu foste.
Sem me avisar, sem me abraçar uma última vez.
Isso me entristece, mas não me corrompe.
Sei que vou te ver mais uma vez. Eu sei.

Meu bem, eu sinto sua falta
Assim como os desertos sentem a falta da chuva.

Você bem que poderia ter morrido,
A dor poderia ter sido mais amena.
Pertenceria só a mim, para sempre!
Mas isso seria injusto demais para eu aceitar.

Agora, não conto mais contigo para nada.
E que graça isso vai ter,
Se era só você,
Com quem eu podia contar.

Meu Deus! Eu sinto sua falta.
Assim como os desertos sentem a falta da chuva.

Os dias têm provado.
Não sou mais ninguém sem você do meu lado.
Nós éramos um quando estávamos juntos.
Ainda se lembra?

Sinceramente, poderia sair correndo atrás de você nesse momento.
Mas não sei onde está agora.
Não sei onde esteve ontem.
Não sei onde estará amanhã.

Meu bem, eu sinto sua falta
Assim como os desertos sentem a falta da chuva.

E assim, vou levando minha triste existência
Sem graça, sem vida.
Até, quem sabe, te reencontrar.
E continuar de onde paramos.

Estou pegando o trem de novo.
Estou indo para minha casa,
Sonhar com você, como sempre!
E como sempre , e sempre, e sempre...

Meu bem, eu sinto sua falta
Assim como os desertos sentem a falta da chuva.

Foto de Lou Poulit

O Beiço da Feiosa

Cansado demais para continuar meus trabalhos de pintura no ateliê, de falar com meu próprio silêncio, decidi dar um tempo a mim mesmo. Assim também, escapava um pouco do convívio com o senso crítico de artista plástico. Tinha e ainda tenho esse hábito. Em arte, faz bem de vez em quando apagar tudo o que há no consciente. Depois deixar que o subconsciente, onde de fato habita a arte, aos poucos recomponha toda a estrutura de critérios e conceitos. Fazia uma tarde morna e abafada, típica do verão carioca. A tática era escolher um lugar sossegado no calçadão da praia de Copacabana, de onde pudesse observar de perto as milhares de pessoas que vão e vem caminhando. O apartamento da rua N. Sra. De Copacabana, onde havia instalado o ateliê, era de fundos e de lá não se via ninguém. Um artista precisa observar, muito, como um exercício diário. Apenas observar e deixar que seu silêncio assuma o lugar do piloto. Então uma série de impressões, não apenas luz e forma, serão armazenadas. E quando ele voltar ao trabalho elas estarão lá, disponíveis no subconsciente.

Depois de alguns poucos minutos esparramado numa cadeira de quiosque, já havia conseguido reunir tantas observações que era difícil mantê-las na mente de modo organizado. E ainda mais concluir alguma coisa daquela bagunça. Tentei interromper a observação para fazer uma seleção prévia sem novos dados. Muitíssimo difícil. Minha mente estava de tal modo seduzida pelo que estava em volta, que não podia evitar o assédio da sucessividade. Sempre que sentia a alma crescer e “viajar” nas próprias avaliações, subitamente era trazida novamente ao fundo do abismo por alguma sensação irresistível, como num grande tombo, que só poupava a cadeira de plástico. Tentei fechar os olhos então, mas isso também se mostrou inútil, ainda pior. O estímulo causado pelas demais percepções, que dessa forma ficam mais conscientes do que o normal, era poderoso o suficiente para provocar a mais estranha angústia de não ver com os olhos. Reabri-los seria quase um orgasmo!

Mas depois de um obstinado esforço consegui finalmente identificar algo suficientemente freqüente e interessante: muitas pessoas aparentam imaginar que são alguma coisa muito diferente do que aparentam ser! Talvez ainda mais diferente do que na realidade sejam. Achou confuso? Não, é muito simples. Veja, o nosso senso crítico tem a natural dificuldade de voltar-se para dentro, ademais, os defeitos dos outros não são protegidos pelas barreiras e mecanismos psíquicos de segurança que criamos para nos defender, inclusive de nós mesmos. Por exemplo, um jovem apenas fortezinho e metido numa sunga escassa, parecia convencido de ser uma espécie de exterminador do futuro super-dotado. Um senhor setentão, parecia convencido de ser mais rápido e poderoso que o Flash Gordon (um dos primeiros desses super-heróis criados pela fantasia americana do norte). Uma mulher com pernas de uma cabrita, difícil descobrir onde guardara os seios, fazia o possível para falar, aos que ficavam para trás, com uma linguagem de nádegas, que na verdade mais parecia uma mímica de caretas.

Mas houve uma outra (essa definitivamente feia, tanto vindo quanto partindo) que me surpreendeu, me deixou de fato muito fulo da vida, me arrancou dos meus pensamentos abrupta e cruelmente: vejam vocês que ela torceu o beiço pra mim, em atitude de desdém, como se eu houvesse dirigido a ela algum tipo de olhar interessado... Onde já se viu?! Quanta indignação! Ora, se com tanta mulher bonita no calçadão de Copacabana, de todos os tipos e para todos os gostos, passaria pela cabeça de alguém que eu dirigisse algum olhar interessado logo para ela? Só mesmo na cabeça dela.

Assim que ela passou me aprumei na cadeira, levantei-me e tomei o rumo de volta para o ateliê. A princípio me senti muito irritado com aquela feiosa injusta, no entanto, como caminhar no piloto-automático facilita as nossas reflexões (embora aumente o risco de atropelamento) já a meio-caminho havia mudado de opinião. Não quanto à sua feiúra, nem tão pouco quanto àquela grosseria de sair por aí torcendo o beiço para as pessoas, inocentes ou não. Mas o motivo de promovê-la a feiosa perdoável era o seguinte: sem querer, me ofereceu muito mais do que havia saído para procurar! E por quê?

Bem, antes de mais nada demonstrou ter se apercebido de mim. Não tenho esse tipo de necessidade, normalmente faço o possível em espaços públicos para não ser percebido, mas o fato é que algumas centenas de pessoas também passaram no mesmo intervalo de tempo sem demonstrar nenhum julgamento, nem certo nem errado, bom ou ruim.

Ora, o meu objetivo ao sair não era o de fugir do julgamento alheio, mas sim do meu próprio senso crítico, que mais parece um cão farejador infatigável e incorruptível (capaz de desdenhar altivamente todos os biscoitinhos que lhe atiro), sempre fuçando eflúvios psíquicos e emocionais nas minhas reentrâncias almáticas. Outro ponto a favor da boa bruxinha: o julgamento alheio desse tipo (au passant) não permite qualquer negociação, como acontece por exemplo quando criamos subterfúgios e argumentos para falsear nosso próprio juízo, às vezes oferecendo até uma boa ação como magnânima propina!

Pensando bem, ela me deu algo muito mais importante. Pergunte comigo: não seria razoável imaginar o tipo constrangedor de reação que ela recebe quando homens jovens, bonitos ou interessantes têm a impressão de perceber alguma intenção no olhar dela? Claro, não apresentando nada de bonito nesse mundo onde todos somos tão condicionados à superfície das coisas e pessoas, qualquer reciprocidade seria mais provavelmente uma gozação. Então, nesse caso, a minha presença (não intencional) na prática ofereceu a ela a generosa e graciosa oportunidade de se vingar! Ou, dizendo isso de uma forma mais espiritualizada: de restaurar sua auto-estima e elevar o nível dos seus pensamentos. Quer saber? Me deu uma vontade de estar lá todos os dias.

Depois de algum tempo, certamente eu a levaria às portas do céu! Isso parece muito penoso? Nadica de nada, esforço nenhum. Veja bem, eu precisaria de muito mais tempo, abnegação, e força de vontade (dentre outras) para levá-la às portas do céu por meios, digamos, mundanos! Isso seria tarefa para um desses rapazes “bombados”, cheios de tatuagens, pierces, juventude e vigor, e sem 40 anos de alcatrão nas paredes arteriais! Nunca leram o Kamasutra, ou O Relartório Hite, ou coisa do tipo, mas pra que? Quando eu era jovem não os tinha lido ainda e não senti nenhuma falta disso.

Em resumo, de quebra ainda fiz a minha boa ação do dia e assim posso manter a esperança de chegar algum dia às portas dos céus, digo dos céus celestiais, lugar cuja direção desconheço completamente... Agora, penoso mesmo (e definitivamente brochante) seria encontrar a dita cuja lá! Sim, por ter chegado antes ela poderia sentir-se à vontade para fazer o meu julgamento e proferir solenemente que todas essas palavras que aqui escrevi não são mais do que uma mísera propina, só para liberar a minha mísera auto-estima do meu sentimento sovina de rejeição! Se assim acontecesse, eu não daria mais para a frente o passo consagrador, ao invés disso daria muitos de volta (sem saber em que direção ficaria o meu ateliê). Ainda juraria para todo o sempre aceitar o meu próprio senso crítico (assim como as demais pessoas comuns do meu convívio) e nunca mais sair do ateliê, interrompendo o meu processo produtivo, com o mesmo fim.

Copacabana, mar/2006

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