Silêncio

Foto de Elenildo

Tardes Solitárias

Tardes solitárias, estou sentado no banco da praça, vejo que os namorados que passam, nem notaram minha solidão, tardes como as outras tardes,
tardes vazias, onde a tua ausência é minha companhia, tardes iludidas por uma normalidade falsa onde a tranquilidade superficial que no meu rosto
se reflete nada retrata o transtorno que sinto por dentro.
Tardes tenebrosas com claridades obscuras que só ilumina minha amargura, tardes que me fazem lembrar das vezes em que eu sonhava e até mesmo
planejava planos para uma eternidade que só existia nos meus sonhos alimentados por uma realidade passageira, tardes com ventos frios que me causa
calafrios aterrorizantes, e como as outras tardes, essa tarde se despede com o decline do sol levando consigo todos os que estavam a minha volta.
agora, o silêncio que prevalece do lado de fora não é mais forte do que a guerra que permanece do lado de dentro de um coração atormentado
pela solidão...

(Elenildo Soares)

Foto de Marilene Anacleto

A Estrada da Minha Casa

A estrada da minha casa é o caminho do paraíso.
Anseio com o encontro daquele ser mais querido.

Versa e conversa, a pluma do pensamento,
Dança e regressa com as luzes do vento.

Gotas diamantadas num raio de sol
Descem em cascatas a desfazer nós.

Manacás explodem seus violetas e lilazes
Em suaves bordados com brancos e rosas.

A rua de asfalto, de verde ladeada,
Imensos bailados de flores, tesouros ainda guarda.

Danças de borboletas, orquestras de pássaros,
Grandes espelhos d’água, corais de sapos.

Bem-te-vis, sabiás, quero-queros, pica-paus
São a voz do silêncio, da solidão sem preço.

Palavras, imagens, perfumes, cores, cantares,
Raios de sol sobre orvalhos, estrelas tão perto dos olhos.

A onda da mata a brilhar; na face, perfumada brisa,
Caminho de casa, em riso, sem vergonha e sem juízo.

No final da estrada se ri, aquele que divide comigo
Cantigas de vários amores, na estrada do Paraíso.

Marilene Anacleto
14/12/06

Foto de Jessik Vlinder

Um Amor Intangível

Acordo às três da madrugada e lentamente desperto
Ocupo mais espaço na cama do que o necessário
E mesmo meus olhos lutando para continuarem fechados
Os obrigo a deslumbrarem o escuro do quarto...

De repente, antes de me encontrar em total lucidez
Teu semblante surge lindamente a minha frente
Parece um sonho, mas estou acordada – ou penso estar
E fico parada, te olhando a me olhar com teu jeito meigo...

Ah... como tu és lindo. Beleza digna de anjo
Tenho medo de me perder totalmente de mim
E acabar descobrindo que só me encontro em ti
Que minha vida agora é vagar pelo teu mundo...

Mas essa ideia me assusta de tal maneira
Que me faz voltar à realidade subitamente
E como numa queda brusca, percebo minha loucura
Você não está aqui, nunca esteve e talvez nunca estará...

Tu és como a aurora. Esplendente, feérico e divino
Porém, intocável. Sempre distante, sempre intangível
E até mesmo para mim que ouso voar os mais altos céus
Deslindando os segredos do alto, permaneces assim...

Me resigno ao silêncio, ao vazio e à negrura de mais uma noite
Volto a fechar meus olhos na tentativa de apagá-lo do meu pensamento
Repito mentalmente pra mim mesma que estou sozinha e que assim devo ficar
E me conforto com a ideia de que ao amanhecer já não saberei mais nem quem tu és...

Foto de airamasor

Sozinha...

"Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois"
Caetano Velozo tinha razao,
Quando fez esta canção.
Por que muitas vezes
quando sozinha estou,
fico sempre imaginando nós dois,
e fico mesmo sonhando acordada,
lembrando dos nosso momentos,
do antes, do agora e do depois.
Antes de te conhecer
agora que te amo tanto
e depois nao sei dizer.
Por que agora é o que importa
É agora que tenho voce.
Agora que te amo.
Nossos momentos unicos
inesqueciveis.
Onde o antes nao importa
o depois, deixamos pra pensar depois...
Agora já sou sua
o agora é só nosso
é neste tempo em que estamos
que nos amamos
que chamamos de agora.
mas eu chamo de Presente.
Um presente vindo dos céus.
Chamado Você!
(Aira, 12 de março de 2011)

Foto de Marilene Anacleto

Lugarejo de Poesia

Montanhas na cercania
Cuidadas com sabedoria,
Não há nenhuma moradia.
O mar povoado de poesia,
Areias em calmaria,
Ondas dançam em euforia.
Em momentos de monotonia
Surge grande sinergia,
Fortalece a cantoria.
No silêncio, em harmonia,
A antiga alma fria
Encontra sua poesia.
Nas árvores da cercania,
Nas aves, na ave-maria,
Nas ondas em calmaria.
Quem pensou que ficaria
Naquela tristeza vazia
Errou! Aconteceu a alquimia.
O amigo que sempre via
Cercou-me da alegria
Do amor que ali surgia.
Com tamanha alegoria,
Toda e qualquer energia
Transformou-me em poesia.

Marilene Anacleto
Publicado em: http://rotadaalma.spaces.live.com/
Publicado no site http://www.itajaionline.com.br/colunas/marilene/marilene.htm

Foto de CarmenCecilia

VOCE ME PERDEU

Você me perdeu…

Você me perdeu
E nem percebeu...
Cada indício...
Cada silêncio...
Meu olhar denunciava...
Minha voz calava...
Você se fechava
No seu mundo a parte
Você se distanciava
Enquanto tudo desmoronava
Como castelo de areia...
Promessas foram muitas...
Em vão...
E meu coração...
Não mais compassou com o teu...
Agora o breu...
Esse ar rarefeito
Que tomou conta do meu peito...
Não há mais solução...
Culpas, absolvição ou razão...
Tudo se perdeu...

Carmen Cecilia
05/03/2011

Foto de Marilene Anacleto

Meu Outono - Círculos III

Sementes de épocas passadas
Em outras estações plantadas
Confirmam sua existência
Com natural exuberância.

No outono de minha vida
A árvore está carregada
Experiências deram frutos
Já estão todos maduros

No silêncio e quietude
Do entardecer, juventude
Da disputa, a energia
Ao silêncio e alegria

Na segunda adolescência
Serenidade é a aparência
Liberdade, tal porta aberta,
De medos sobrecarrega.

Transmutei os valores do ter
Para os valores do ser
A essência das sementes
São os frutos da experiência.

Foi necessário viver
As perdas do parecer
Empreender solitária viagem
Produzir uma nova ramagem.

Na argila do coração
Cada experiênciemoção
Ocorrida no passado
Tornou-me mais iluminada

Ora folha, ora flor,
Ora branco ou varicor
Ora tronco bem plantado
Ora amigo abençoado,

A colheita dá-me vida
Ritmo, luz e energia.
No outono amarronzado,
Abençôo o meu passado.

Mais um ciclo se encerra
Nesta exuberante Terra.

Marilene Anacleto

Publicado em: http://rotadaalma.spaces.live.com/
Publicado no site http://www.itajaionline.com.br/colunas/marilene/marilene.htm,
Publicado no Jornal Folha do Povo – Itajaí – SC

Foto de Paulo Gondim

Vil loucura

VIL LOUCURA
Paulo Gondim
07/03/2011

É assim que me tratas: friamente.
No teu mutismo inclemente
Severo, duro, indiferente
Que me faz perder a calma
Na amargura que me faz na alma
Nesse castigo atroz e iminente

E como já perdi o resto da dignidade
Rendo-me a teus caprichos, sem vaidade
Sem me importar com tua falsidade
Busco em ti em última procura
O fim dessa triste e vil loucura
Que se tornou o inverso da verdade

Mas vejo que tudo isto é em vão
E cada vez mais morre em meu coração
O resto de esperança, de emoção
Por teu silêncio frio e cruel
Escurecendo de vez todo o meu céu
Que me mata aos poucos de paixão

Foto de Elenildo

Lugar sombrio...

Em passos lentos neste lugar sombrio...
Silêncio, ouça o meu coração...
Ele está acelerado...
Parece que estou com medo...
Minhas pernas trêmulas...
Estou suando frio...
Não quero olhar para trás...
Pressentimento ruim...
Desconfio da minha própria sombra...
Ouça; um barulho !
Tenho que sair daqui...
Parece que vou enlouquecer...
Passos lentos...
Olhos atentos...
Coração acelerado...
Tenho que achar a saída...
Estou sendo perseguido...
Posso sentir sua respiração...
As batidas de seu coração...
Salve-me...!
(Desespero)
Ei; uma luz.. !
Sinto uma mão que segura a minha...
Ouço uma voz que me acalma...
Ele veio me Salvar...
E, Ele estar ao meu lado...
Sinto-me seguro...
Sigo suas pegadas até a saída...
Estou livre...!
"Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos."
(salmos 40:2)

Foto de Marilene Anacleto

Desenterrei Meus Sonhos

I
Desenterrei meus sonhos
Soterrados há mais de vinte anos.

Fiz luminoso dia
Da alta noite sombria.

Transformei estrelas errantes
Em colares de diamantes.

Meu mensageiro era o vento
A tocar-me o sentimento.

Foi uma canção, o triste grito
Do coração outrora aflito.

Minha alma, riso aberto
Do silêncio descoberto.

A água a refletir o sol
Tornou-se gruta de cristal.

De sonhos de um coração já morto
Brotaram campos de árvores e flores.

II
Mas, como fogo fátuo, tudo passa,
Feito raio de luz tênue e difusa,
Meu sonho, entre nuvens, nada.

Um ano. Enterrei meus sonhos.
Não sei por quantas vidas ou quantos anos
Nem sei em que tipo de oceano.

Não quer dizer que perdi a alegria.
Mesmo na real frieza dos dias
Haverá sempre a mais pura poesia.

III
E, quando a aurora rasgar o véu da noite,
E os sonhos lançaram-se, de novo, em açoite,

A alma reclamará a imensidão dourada,
Ao recordar a intensidade da jornada.

Ondas ao sol tornar-se-ão anjos
A beijar o céu e voltar ao oceano.

E a vida, sonho febril de fugacidade,
Pelo amor, irá se perpetuar pela eternidade.

A alma, ao reconhecer no novo amor o paraíso,
Sem porquês desvanecerá em risos.

Afinal, viver não é preciso.

Marilene
21/01/01

Publicado em: http://rotadaalma.spaces.live.com/ , em
Publicado no site http://www.itajaionline.com.br/colunas/marilene/marilene.htm, em 20/05/02

Páginas

Subscrever Silêncio

anadolu yakası escort

bursa escort görükle escort bayan

bursa escort görükle escort

güvenilir bahis siteleri canlı bahis siteleri kaçak iddaa siteleri kaçak iddaa kaçak bahis siteleri perabet

görükle escort bursa eskort bayanlar bursa eskort bursa vip escort bursa elit escort escort vip escort alanya escort bayan antalya escort bayan bodrum escort

alanya transfer
alanya transfer
bursa kanalizasyon açma