Sol

Foto de Mentiroso Compulsivo

UM BEIJO TEU

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Hoje senti um beijo teu
Sabias a sal e a luar
Queimei-me no sol do teu olhar
Falamos do nosso tempo
Quando eras um tronco que ardia
E eu a primavera verde que nascia
Dançamos em torno de uma camomila
Arrepiámos uma meiga carícia
Num sopro à luz da noite
Até ao apagar-se da madrugada
Nas águas cantantes do rio.

© Jorge Oliveira

Foto de Sonia Delsin

OS ESQUECIDOS

OS ESQUECIDOS

Li um livro que me fascinou há alguns meses.

"O Jardim dos Esquecidos".

Dramático, chocante, inesquecível.

O tema proposto "Em Cima do Telhado" me trouxe à memória imediatamente a estória fantástica dos quatro irmãos abandonados no sótão da mansão.

Os mais velhos, depois de explorar todo o sótão, descobriram que podiam deitar-se sobre o telhado para banhos de sol. Para isso precisavam arriscar as próprias vidas utilizando uma saída muito perigosa.

Devido a altura excessiva e os perigos os mais novos não tinham coragem de acompanhar os mais velhos.

Estes se fortaleciam com os raios de sol e o ar puro, já que a escassez de alimentos os enfraquecia terrivelmente.

O garoto de quinze anos e a irmã de quatorze foram verdadeiros pais para os gêmeos de cinco anos, e com muita criatividade fizeram com papéis, cartolinas e bugigangas encontradas nos velhos baús, um jardim dentro do sótão.

Para não enlouquecerem eles buscaram nas fantasias um refúgio e passaram por aventuras sequer imaginadas pelas pessoas.

É um livro muito forte e impressionante. Tem um segundo volume intitulado "Pétalas ao Vento" que conta as aventuras que eles passaram depois que conseguiram fugir da mansão. Então já eram três. Um dos gêmeos havia morrido.

E há também um terceiro volume com o título "Espinhos do Mal".

Só liguei os livros ao título proposto pelo fato dos irmãos terem arriscado suas vidas na busca da conservação da vida.

É tão só uma estória fictícia. Tão terrível que seria inconcebível ser real.

Desejei contá-la como poderia ter contado que sobre os telhados os gatos namoram ao luar.

Seria mais romântico talvez.

Mas vou deixar para contar algo mais romântico numa outra vez.

Foto de Sonia Delsin

ESDRAS...

ESDRAS...

É um sonho. Um louco sonho.

A estrada é de pedras. Esdras caminha só.

Esdras é um lobo solitário. Sonha amores, sonha paixão. Sonha um encontro.

Esdras é um homem que deseja adormecer nos braços de uma mulher. Descansar todo seu cansaço, sem palavras inúteis.

No sonho ele caminha em busca de emoção, e mais que isso. Busca uma maneira de amortecer a solidão.

Ele está perdido em suas lembranças, em seus anseios. Em sua estrada de pedras.

As pedras lhe doem sob os pés e Esdras sabe que o caminho é longo e ele deve encontrar um caminho só de flores um pouco à frente.

Ele confia na sua forte intuição de que tudo vai mudar, que a história vai se reverter, porque seu coração de menino lhe diz que um novo sol a cada dia trará um novo tempo.

Um céu colorido de papel crepom entra no sonho. Nuvens coloridas lhe recordam algodão doce. Algodão de tantas cores.

O pôr-do-sol do sonho possui mais que as cores do arco-íris. Milhares de cores lhe estonteiam.

Uma mulher lhe abre uma janela, uma janela dentro de um outro tempo, de uma dimensão que Esdras não compreende bem; mas lhe faz sentir tanta emoção. Ele deixa que a forte atração o leve a caminhar por caminhos antes não percorridos.

Ela o faz sentir-se vivo. Dá-lhe asas para voar ao seu lado, porque é uma mulher alada. Umas destas mulheres de outro planeta, outro tempo. Uma mulher borboleta, que voa e revoa sobre a matéria que consegue entender e viver. Sem ignorar a matéria nua e crua, ela vive num mundo particular, só seu, e leva Esdras para caminhar um pouco ao seu lado.

Ela o convida para sonhar o sonho dos mortais e dos imortais e o lobo solitário a segue, a busca.

Ele a encontra e não sabe que ela surgiu do nada... de um sonho, de uma estrada que começa dentro de um tempo que não se compreende. Só se vive e se revive... sem entender.

Foto de Carmen Lúcia

Hoje faltou-me inspiração...

Hoje faltou-me inspiração...
Saí para observar o dia...
Olhar o céu...
Às vezes azul silvestre
E outras, cinza agreste...
Onde um sol que desconheço
Aparece pelo avesso,
Ilumina em tom grotesco
Em desarmonia com o universo
Como um grito de protesto
Contra a humanidade que o vestiu assim...

Hoje faltou-me inspiração...
Saí pra observar as flores
Que antes exultavam cores,
Beleza a incitar poetas
A versejar sobre mil amores...
Hoje choram a natureza ultrajada,
Enxertada de artificialidade,
Onde a falsidade se faz prevalecer
E a verdade já não tem razão de ser...

Hoje faltou-me inspiração...
Saí pra observar a noite...
E a lua de luto, escondida
Em negro véu, no céu, chora a despedida
Das noites claras onde seu luar
Prateava serenatas que já não há mais...
E estrelas sonhadoras vinham suspirar
O suspiro dos amantes...
Hoje já não são mais tão brilhantes...
Muitas já não se encontram lá...

Hoje faltou-me inspiração...
Saí pra observar o mundo
Que corre o risco de inexistir,
Globalizado pela hipocrisia
Obcecado pelo ter...pelo não ser...
Onde a maquiagem camufla o caráter,
Onde se banaliza a célula-mater ...

Hoje faltou-me inspiração...
Só versos sem rumo, sem rima, sem noção,
Que morrem antes de tornarem poesia
Por falta de fantasia, por falta de coração...

Carmen Lúcia

Foto de housy

Que se lixe !

Que se lixe !

Que se lixe a piscina quando há o mar...
Que se lixe a toalha quando há areia...
Que se lixe o branco quando há tinto...
Que se lixe a sopa quando há peixe e carne...
Que se lixe o choro quando há o sorriso...
Que se lixe o frio quando há Sol...
Que se lixe a TV quando há vida real...
Que se lixe o passado quando há futuro...
Que se lixe a passividade quando há rebeldia...
Que se lixe o aquecedor quando há lareira...
Que se lixe o candeeiro quando há a vela...
Que se lixe a cortina quando há vista...
Que se lixe os conhecidos quando há amigos...
Que se lixe a cidade quando há campo...
Que se lixe o beco quando há caminho...

Que se lixe o que se escreve quando há palavras!

Foto de pétala rosa

LENTAMENTE

LENTAMENTE

Lentamente me desnudas a alma, o corpo, depois
de suspiros e pensamentos dentro da
Tua pele.
Grito, e chamo-te em gemidos no roçar do meu calor
e dos teus lábios que fervem
dentro de mim.
Desvairado, soltaste nos lençóis deslizando
Nesta paixão e deitaste em mim num sono quente.

Escorre nos meus lábios o teu corpo.

Descobri que és meu, ou foste ontem, mas as tuas mãos fazem-me
Frio na barriga e lembro-me que sou tua.
Deixo-me levar neste encontro de olhares e na aceitação divina
Dos orgasmos vividos e sentidos na mais
Pura das delicias.
Beija-me sem convite ou hora marcada.
Abraça-me simplesmente sem explicação, e escorrega
os teus dedos dentro de mim.
Arrasta-me ao sol-pôr, nos contornos do meu rosto
e descobre o desejo dentro das delicias que
Ontem guardei para ti.

Bebe de mim o que resta dum abraço.

Lentamente
Somos poesia na madrugada
Somos cheiro a pele
Somos segredos
Somos paixão
Somos o luar dentro das estrelas...

À noite, quando as estrelas despertam a saudade
escuta a minha voz, semeando rosas
no teu olhar, e...guarda o meu sorriso
Na tua alma...

Amália LOPES
Setº 2007

Foto de Sonia Delsin

CIDADE INCENDIADA

CIDADE INCENDIADA

Não falo de Roma.
Ó, não! Não, não.
É o sol que tinge de ouro as casas, os arranha-céus.
As árvores.
Os pássaros...
As nuvens.
O chão.
Tudo pegou a cor dourada.
E eu olho daqui da janela encantada.
Parece uma cidade incendiada.

Foto de pétala rosa

ÉS LOUCURA DE MIM

ÉS LOUCURA DE MIM

Com palavras me entrego nesta vontade
de ti...
Os meus dedos seguram os
minutos que existem nesta extensão
de estrelas que me seguem
na madrugada
em que te quero.
Sinto o momento em que tu existes
como o sol
no fim do dia.
Sinto a tua poesia dançando
em arabescos
de cristal
entre
os meus dedos.
Real, sonho, fantasia
és loucura de mim...
Despertaste sonhos
transparentes
no fundo dos meus olhos.
Ocupaste este espaço de purpura
dourada
onde partilhámos sons de ternura
e esta
Inocência perfumada....

Amália LOPES

Foto de HELDER-DUARTE

MILÉNIO

Pombas brancas voam!
Hinos de harpas, os homens entoam!
O céu é branco e azul!...
Os cordeiros pastam, sem barulho.
Há erva verde, onde os lobos a comem.
E coelhos brancos, saltam no seu meio.
Um menino e um homem…
Abraçam um leão, em cheio…
Vento, mal sopra!
O sol não queima!
Cavalos brancos, há-os sem sobra.
Para cavalgarem neles, os homens
E correrem, de um rio à beira.
Onde os meninos, brincam e são sempre, jovens!

Foto de tempo

farta

Farta do receio
Farta de recreios, espaços vazios do tempo
Farta de ti desespero
Farta do que não há
Farta de ti pessimismo
Farta de não ouvir, uma voz
Farta de querer e não ter
Farta do sol que não brilha
Farta do vento, que não sinto
Farta da chuva que não me molha
Farta da porta fechada, que não abre
Farta dos olhos que não vêem
Farta do coração que não sente
Farta do sorriso que não tenho
Farta das lágrimas que choro
Farta do brilho da vida, que perdi
Farta do desânimo, que insiste em ficar comigo
Farta da sorte que não me persegue
Farta de não ter uma luz, que ilumine,
nem que seja as pedras do meu caminho.

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