Tempo

Foto de Rute Mesquita

Lacrimosa

O meu olhar foca-se num ponto…
revivo todas as recordações…
sem o meu ‘eu’ dizer ‘estou pronto’
já eu deambulava por entre multidões…
Corro num olhar lacrimoso,
grito pelo teu nome,
soluço num compasso furioso,
que agasalha a minha fome..
Corro por gosto,
não me deveria cansar…
mas, canso este meu desgosto,
de por entre as trevas não te encontrar…
Onde estás?
Por e simplesmente desapareceste da minha vida…
Como fui eu capaz,
de um dia te ter deixado perdida?
Hoje… sei que não irás sequer querer ver
o meu vulto…
Hoje… sei que por mais que queira vencer,
estarei sempre de luto…
Eu sei, eu sei que é tarde demais
para pedir perdão…
mas, não deixo de ver sempre os teus sinais
de luz, na minha escuridão…
Lembro-me de cada pormenor…
quase de cada palavra…
lembro-me de sermos como irmãs,
lembro-me de rir, chorar, sempre contigo…
Mas, hoje somos apenas duas romãs,
em terrenos de outro amigo…
Continuo a deixar-te o céu por pintar…
continuo a preservar a tua lembrança,
e continuo a choramingar,
como se fizesse uma birra de criança…
Só queria que visses que hoje muito te tens a orgulhar,
só queria mesmo… era que não partisses,
antes de eu voltar…
Sem nunca estares solta no tempo,
sem nunca deixares de estar presente,
aqui te deixo um juramento,
de como tudo poderia ser tão diferente…
Sei que não irás ler as minhas palavras,
mas, se éramos assim tão telemáticas
aqui me refugo nas minhas macabras,
temáticas…

O meu olhar volta a mover-se,
acorda com o cair de uma lágrima,
eu só queria que este de novo se perdesse,
para feliz poder acabar esta rima.

Foto de Elias Akhenaton

Como um Pássaro

Nasci para ser livre
Como um pássaro peregrino.
Sou beija-flor
E ao mesmo tempo condor.

Viajo pelo mundo sem direção,
Sem rotas, limites e fronteiras,
Levando emoções,
Sentidas no coração.

Podem me encontrar num
Belo jardim
Namorando uma rubra flor
Saboreando a seiva do amor.

Mas também podem me encontrar
Cruzando as altas cordilheiras,
Transmutando as incertezas,
Vencendo minhas barreiras.

Em qualquer lugar, seja onde eu for,
Sou sensível como um beija-flor
E perseverante como o místico condor.
Pássaro sou.

-**-Elias Akhenaton-**-

Foto de Rute Mesquita

'O sonho comanda a vida'

O sonho é como uma onda, na qual tanto é ventre como é crista. Uma onda que banha toda a costa, não escolhendo tamanhos, etnias, religião, locais nem tão pouco horas. O sonho é aquela onda contagiante, aquela paz ou turbulência por segundos. O sonho é a inquietação, o querer sempre à frente de qualquer poder. O sonho é algo que trazemos connosco, é algo que nasce para nunca mais morrer, é algo que vem para nunca mais partir e embora nos deixemos derrotar pelo desânimo, pela angústia, pela nossa errância, ele permanece connosco e irá sempre alguém trilhar o nosso caminho para lhe dar voz.
O sonho tanto pode estar somente em nós como ser completado com um outro sonho, de um outro alguém. O sonho é como um puzzle em que o número de peças depende da nossa vontade, do tamanho dos nossos passos!! O sonho é algo que nos leva à nossa mais profunda ingenuidade, ematuridade mas, é por nos levar até lá que nos faz tropeçar, levantar e percorrer novos caminho!
O sonho, será sempre um sonho por mais que o tente descrever.
Não devemos dizer que quem sonha são as crianças, ou podemos se aceitarmos que dentro de nós existirá uma. Um sonho é incansável, porque também não o somos para com ele? O sonho é algo que à primeira vista é perfeito mas, porquê que na verdade se releva tão ‘humano’? O sonho está tão alto, é tão difícil de ser alcançado, como conseguimos nos alcança-lo?
Para todas as questões a resposta baseia-se nos seguintes argumentos:
O sonho é algo de ambicioso que criamos, algo grandioso, talvez a primeira coisa que nos ocorre, que nos esquecemos que há uma ponte que liga o que gostaríamos de fazer e o que tem de ser feito e nessa ponte, temos que levar sim, todas as experiencias no bolso mas, nenhum outro sentimento se não a coragem! E assim partimos para a nossa busca, a qual exige um tempo indeterminado, a qual nem está ao mesmo ritmo… a qual depende somente de nós mesmos! Já perto do fim da ponte e quase a pisar a Terra dos sonhos realizados, deparamo-nos com uma questão:
-‘Então, mas afinal o sonho está e sempre esteve dentro de mim?’ E desiludimo-nos, mas porquê? Porque nos envergonha tal coisa? Talvez por não nos reconhecermos como humanos, como um ser imperfeito e por isso não aceitarmos uma coisa tão óbvia.
O sonho é como uma pomba que tem de ser solta!
Posso dizer que, neste momento é o sonho que maneja esta caneta.

Foto de Marilene Anacleto

Luz da Manhã

Luz tímida da manhã de outono
Surge atrás do morro entre a neblina.
Entra em casa pelo portal leste
Da janela e da porta que ilumina.

Mansão abençoada, em dimensões suspensas,
Ao som do rio que pára, e corre, e represa
A água temperada de cantar de pássaros,
Com respingos aéreos prateados,
Salpicada de árvores e de borboletas.

Sensações várias me tiram do ar:
As flores orvalhadas de infinitos pigmentos,
Mosquitos afugentados pelo incenso
A disputar tudo o que tiver exposto,
Feito eu, a querer aproveitar cada momento.

Aqui tudo é paz. Desejo recostar-me
À luz do sol e ao calor ardente do sofá
Azul e amarelo, em blocos bem dispostos,
Recostados no guarda-roupa. Deixar o sol
Invadir todos os poros. Mas... será?

Preciso sair, mas esse lugar me prende.
Por pouco tempo posso ficar aqui na paz
E no aconchego da solidão aparente,
Que ascende a luz que cada um se faz,
Que a magia me traz a mim somente.

Comer? Dançar? Tudo é muito bom.
Entretanto, nada se compara ao encontro
Dos quereres que minha alma me reserva,
À paixão e à vida que há em cada canto,
Disfarçada nos brilhantes dessa relva.
E, revigorada com os encantos que encontro,
Levar ao amado o Amor que, unidos, nos conserva.

Foto de Oliveira Santos

Voltei

Caros colegas de poesia voltei.
Quando você vê a Morte de perto passa a enxergar as coisas de maneira
muitas vezes antagônica à de outrora.
Após ter sofrido um acidente automobilístico na noite de Natal (belo presente...) onde um amigo está convalescente até hoje e eu tive lesões mais psicológicas do que físicas (tive medo de entrar num quadro depressivo) precisei de um tempo para me refazer e por as coisas em dia.
Tive tempo para observar que nos desgastamos tanto com coisas pequenas, que não valem a pena ter tanta atenção e empenho da nossa parte, pois, muitas vezes essas mesmas coisas são puramente efêmeras, fúteis, descartáveis em confronto com nossos bens maiores que DEUS nos concedeu que são a vida, a família, os amigos, o amor.
Todos temos momentos difíceis, que nos dão vontade de recuar ou até mesmo desistir, depor as armas...
Mas como diz o dito popular "o que não mata engorda", então vamos em frente e deixemos de reclamar sempre de tudo que possa somente nos incomodar e lembremos que existem pessoas depositando confiança em nós, certas de que faremos nosso melhor.
Não que nossas vidas pertençam a outras pessoas, mas uma vez neste mundo não somos mais donos de nós mesmos e o que fizermos reflete direta ou indiretamente na vida primeiro de quem nos importa depois na vida de quem importa a quem nos importa e assim seguindo uma cadeia de fatos e sentimentos que no final das contas volta para nossas mãos.
Então quando você for apontar o dedo para alguém lembre que no mesmo momento há três apontando de volta para seu peito e que muitas vezes não é a vizinha que não sabe lavar um lençol, sua janela pode estar suja.
Não pensem que virei um monge, um guru ou qualquer coisa totalmente zen da qual vocês possam ter notícia.
Ainda tenho meus defeitos, mas agora procuro enxergar mais minhas qualidades e as das outras pessoas.
Muito obrigado a vocês que dispuseram de tempo para ler esta mensagem.
Que DEUS nos abençoe abundantemente e é isso, gente, voltei.

Foto de Melquizedeque

Quase poeta

Falar sobre poesia é falar sobre expressão,
Sobre um ato, um mito, um fato.
É analisar a minúcia escondida nas sobras das palavras
É falar sobre um mar que há sob solo deserto...
Uma chave mestra que penetra portais

Correr sem pressa no transpassar do tempo
A poesia me flerta! Ela é errada e certa
É um saber, um lembrar, um esquecer...
Como um segredo espalhado
Contamina quem a ler.

(Melquizedeque de M. Alemão, 15 de julho de 2011)

Foto de Cecília Santos

Velhos costumes

Estou com saudades de mim, de você, de nós.
De quando a canção enchia de amor meu coração.
De quando as palavras fluíam à todo instante.
De quando a alegria, sorria pra nós.
Estou com saudades, não sei bem do que!
Talvez da nossa amizade, do nosso bem querer.
Do tempo em que o riso era solto, a gargalhada inevitável.
Sinto falta das nossas conversas, das nossas tontices.
Das horas à fio em que passávamos juntas.
Sinto falta da chuva teimosa em cair, batendo na vidraça
despertando os sentidos.
Saudades dos dias de inverno, embaixo dos cobertores
assistindo tv.
Sinto saudades, que chegam sem ser anunciadas, que
arrebata minha
alma e se alojam em meu peito.
Sinto saudades dos seus olhos, onde neles eu me perdia.
Sinto falta da alegria que aqui morava e aos poucos se perdeu.
Sinto tantas saudades... saudades... saudades!!!
Que turva-me a visão, a ponto de não enxergar a sua saudade
indo embora, deixando comigo somente a solidão!

PS/ dedico a minha filha Fernanda
SP/06/2011*

Foto de ραłøмα

Recordação

As palavras nunca foram ditas,por algum motivo sempre foram caladas,foi aquele olhar,aquele sorrio,talvez aquele instante contigo,era apenas um pequeno sonho que queria torna-se realidade,sempre foi aquele desejo de sempre estar contigo,nunca me faltava uma razão por querer estar sempre ao seu lado,apenas um objetivo acima de tudo e de todos,é mais um caminho escuro e frio é apenas a desilusão quem me trouxe aqui,era apenas uma vontade de estar entre seus braços,sentir o seu calor,nada mais me faz reviver o que vivi com você.
Era o mais forte e ao mesmo tempo o mais fraco,era completamente o mais diferente e o mesmo tempo o mais compreensivo,era o mais carinhoso era o mais admirado,que simplesmente se tronou o mais inesquecível porém o mais complicado..

Foto de João Victor Tavares Sampaio

O Nunca da Terra – Versão Intermediária

O mundo não faz sentido
Mas há quem está tentando nos fazer à cabeça do contrário

Pelo que presenciei
A vida
É decidida em instantes
E as aparências contam muito
E os confidentes contam tudo

Essa é minha linha curva de raciocínio
Você sabe,
Eu acho...
Todas as coisas não são explicáveis,
Todas as coisas não são bem assim:
O que te dizem que é verdade é mentira
E o que te dizem que é mentira,
Talvez

Porque a gente é madura
Quando reconhece o acaso
Por trás de uma certeza

Porque o detalhe é complexo
E o complexo é superficial
E tanto faz como tanto fez

Porque o segredo das coisas não é viver bem
E sim morrer por uma boa causa

Eu vejo as pessoas com ternura
E acredito que todos têm sua chance
Por que o Sol é milhares de vezes
Maior do que a Terra

Contradição, gritante e tímida
Corta a carne do próprio pescoço
Depois de se engolir

Rasurando o destino
Irreverente em ser peão
De um jogo sem as peças

Se ganha um Cristo para a cruz
Formando o sucesso de mais um perdedor

Corajoso em ser covarde
Sendo mais em ser ruim
Sendo bom em adiantar meu fim
Revirando o estilo socrático
Espalhando a desinformação pelos quatros ventos e pelos sete mares
Violando o túmulo da esquerda
Atravessando o samba
Retirando medalhas fincadas em peitos de bronze
Curtindo o couro do inimigo
Glorioso de sua grama verdejante

Graças aos lampejos de uma genialidade absurda
Cabeças são servidas ao molho
De chaves que abrem o mundo para a porta

Com doçura
Sendo repartido:
A pátria que me dá o nome não me dá a vida
Eu não pedi pra nascer
E é minha culpa
Não fazer questão de sumir

Sumir devagar
O mais lento possível,
Sumir no tempo
Abraçado ao descaso,
Desaparecer minguando aos poucos
Encolher e diminuir
Na sina do meu fracasso,
Caindo como estrela
Como cometa já apagado,
Sendo esquecido pelas pessoas e devorado pelos organismos
Olhando para o lixo e sorrindo
Feito palhaço esfomeado
Que se mistura aos gurus pensantes das calçadas

Toda importância é injustificada
Visto que o caos é quem decide os meios

Nunca a impossibilidade foi tão exaltada

Foto de Arnault L. D.

Sinto tua falta

Ah, meu tudo, deste que foste
sou apenas luva sem mão,
o mundo tornou-se tão triste,
o relógio perdeu a razão...

As horas se emendam iguais,
só se travestem doutro dia.
Apenas luz que vem e vai
mas, sempre a mesma que eu via.

O que foi riso é chover,
o horizonte, fez-se aos pés,
cada dia, acordo em morrer,
desde quando não me és...

Meu prazer foi junto a ti,
cor da flor, calor do sol,
todo o amor que vi e ouvi,
todo tom tornado em bemol.

Sou-me apenas eu e não basto...
Um fragmento, ou pedaço,
ou quem sabe, talvez, um resto.
O resultante do fracasso...

Mirando o chão me enterro,
na inanição e inércia calo,
no erro, o por que encerro,
no encontro da alma ao ralo.

Sempre é o tempo do quando
é tornado insuportável.
Quando estavas foi voando
ao partiste... o interminável.

Páginas

Subscrever Tempo

anadolu yakası escort

bursa escort görükle escort bayan

bursa escort görükle escort

güvenilir bahis siteleri canlı bahis siteleri kaçak iddaa siteleri kaçak iddaa kaçak bahis siteleri perabet

görükle escort bursa eskort bayanlar bursa eskort bursa vip escort bursa elit escort escort vip escort alanya escort bayan antalya escort bayan bodrum escort

alanya transfer
alanya transfer
bursa kanalizasyon açma