Tempo

Foto de Marilene Anacleto

Primeiro Pensamento

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Quando as estrelas se rendem ao brilho do sol,
Tu és meu primeiro pensamento do dia.
Permaneces pulsando em minha Alma,
Trazes luz e esperança a minha vida.

És meu primeiro pensamento da noite.
Enquanto douram-se as folhagens e os telhados,
E o céu sangra-se de sol em suas nuvens
És a luz que aplaca os meus cansaços.

O vento fresco comanda as folhas em seu balé.
Do outro lado, a lua se eleva e empodera a memória,
A Alma se extasia de sorrisos e falas,
Noite adentro, as imagens se transformam.

És pensamento, és as imagens e as falas
Que acalentam o corpo de lembranças,
Que perpassam o tempo e o espaço
Na fluidez e singeleza da criança.

Noite adentro, dia afora ...
Saudade, sentimento mágico.
Traz de volta o que se disse e o que se fez.
Alegre e serena, vivo tudo outra vez.

Marilene Anacleto

Foto de João Victor Tavares Sampaio

Lamúria - Parte 3

Ah, paz no mundo que nunca chega...

Escrevo, como já perceberam, não com inspiração, mas sim com angústia. Vejo o tempo que passa por entre os dedos, que se esvai como água fervente, que some como algo que já perdi.

Doze famílias perderam suas crianças, ou melhor, douze. Douze famílias choram uma saudade que não terá fim, que é a falta do futuro, outrora ainda esperançoso, aqui abreviado na tragédias que todas as favelas enfrentam. Mata-se muito fácil nesse mundo. Você pode aguentar por anos a busca de brandas paragens, e ver seu esforço todo reduzido à uma esquina, uma bala, um motivo bem banal. Os monstros, como alguns tentam nos fazer engolir, para esconder os próprios erros, os monstros não existem: o que existe é a frustração do homem em não ser o Deus que almeja, em não ter o destaque que os bem-sucedidos acham que fará importância depois do orgasmo com o rosto alheio, o que existe é a perda de instantes preciosos com a falta de carinho, que levanta nações e heróis, por batalhas enganosas.

O que existe, na verdade, é o que resiste.

Ah, paz no mundo que não chega nunca!

Foto de Melquizedeque

Palavras

Tortos, becos, mortos, vinhos, pássaros, chistes, ópio
Crenças, medos, nascenças, velórios. Está sentenciado!
Talvez sim, talvez não... Eu nasço; tu morres; ele sobrevive
Acreditas? Estava lá... É secreto. Não me atentes!

Sobrancelhas desenhadas, virgens já violadas, essa, aquela, aquilo
Crianças que choram, que perdem os dentes. O tempo demora!
A vida me é imposta. Venhas morte, com a passagem de volta
É crime... Não se importes. És tu um náufrago nessa estória

Cadeias te prendem. Dê-me a mão, estou aqui fora!
Saia de meus pensamentos. Meu frenesi... Por que estais aí?
Eu temo não temer quando você tiver medo de mim
Por favor, fique! Esconda-se rápido, durma...

O que fizestes? Não era pra ser assim. Consegues me ouvir?
Respire, respire! Esse coração bate forte com o medo da vida, o anseio da morte
Pare! Cubra sua nudez. Vista-se com isso, com a honra que lhe dei
Tão lindos seus olhos, nesse seu choro sorridente. Tu já vais...
Não quero mais! Leve essas páginas. Jogue-as aos vendavais

O importante não é ter a importância que tanto lhe importa
É simples. Está aqui, ali, acolá... Não entendes o que digo?
Acreditas? Palavras que exportam. São fábricas, são fadas
Arquitetam sonhos, trocam mente por alma. Apenas palavras...

(Melquizedeque de M. Alemão, 13 de abril de 2011)

Foto de Arnault L. D.

Morrer é não amar

Sangra o peito vazante ampulheta,
rubra areia esvai, o tempo a fluir...
Subtrai do existir vida e paleta.
Onde Deus compõe tons, cenário a cobrir

Bate-me um relógio, adentro a pulsar;
ponteiros regredindo a cada mover.
Som do coração, um tiquetaquear,
do engenho a meçar o que resta viver...

Mas, s'existe uma corda á engatilhar,
tal motriz do não ser a abastecer,
a chave desengrena ao apaixonar...

Horas remidas somam-se no estancar,
libertas, não mais correm ao fenecer.
Perde a morte; que é viva ao não se amar.

Foto de Mitchell Pinheiro

Coração biônico

A maquina foi criada como grande alavanca para ganhar tempo e diluir o desgaste dos indivíduos
Os conhecimentos foram mundializados para facilitar a modelagem do mundo aos moldes humanos
Mas o criador rendeu-se a criação
Gasta todo seu tempo na racionalidade maquinicista
Capitalizou os sentimentos, colocou o amor meio aos números matemáticos
Negociou o coração na bolsa de valores
Alugou seu raciocínio aos transformadores de natureza em dinheiro
O racional delegou suas funções à máquina
Entregou seus filhos as babás eletrônicas
Entregou sua alma a desalmadas criaturas de ferro
Mas a razão que não reza pela emoção
Não pode ser razão
E o animal que só segue o racional
Não passa de mero animal
Que pensa que sabe pensar
Uma máquina com vida curta

Foto de Carmen Lúcia

Persistência

Ainda que o cinza do céu
teime em embaçar o dia,
sei que por detrás da sombra,
há luz....

Ainda que as manhãs nasçam imperfeitas
regando dores manchadas pelo orvalho,
sei que surgirão outras cheias de cores,
orvalhadas de amores.

Ainda que das atrocidades gerem feridas
deixando rastros de sangue empoçado no chão,
a chuva forte levará as marcas
apagando-as do coração.

Ainda que meus sonhos se esfumacem
ante a inóspita recepção do tempo, da estação,
ainda assim sempre haverá um sabor
de alegria, de esperança, de desejo de vida,
nos lábios de quem recomeça faminto de emoção.

_Carmen Lúcia_

Foto de giogomes

Ela

Feita de uma incrível luz interior,
ela apareceu no meu espaço de torpor.
Reinando absoluta em seu mundo mágico,
nada do que faria seria trágico.
Apesar de sua aparência frágil,
nada a abalava neste tempo ágil.
Dadas as circunstância deste poema,
amor para esta mulher, sempre foi um dilema.

Faltando ou não com a verdade,
ela simplesmente me deixou na minha idade.
Raiva, medo e muito mais que isso, covarde,
não me impedem de sentir saudade.
A minha vida agora á parte,
não consigo sequer passar uma tarde.
Dor, não deveria ser o objetivo deste poema,
amor para mim, sempre foi um dilema.

Falando no assunto de antes,
ela iluminaria o inferno de Dante.
Rezo por ela, pois é muito importante,
na sua vida o espaço de antes.
As belezas que pairavam em mim naqueles instantes,
não me deixam também, viver como antes.
Digo ao mundo de suas certezas neste poema,
amor para nós, sempre foi um dilema.

Falei apenas de suas qualidades,
e é claro que também possuía vaidades.
Razão do amor, não é sua especialidade,
na vida, o sentimento não possui validade.
Ainda assim, não é o maior em sua personalidade,
na sua alma, vejo um toque de reciprocidade.
De tudo que citei neste poema,
amor sem felicidade, é um grande dilema.

Falei tudo isso sem citar o que some,
e vejo que todos pensam, que seja alguém de renome.
Raro é aquele que não esconde,
no limiar de palavras o verdadeiro nome.
Ainda sim, deixei pistas, não se assombre,
não tenho medo disso, e sim de quais decisões tome.
Digo á aquele que o achar no poema,
ame e seja feliz, este sim é o maior dos dilemas.

Foto de betimartins

Deixa-me sonhar...

Deixa-me sonhar!

Quero sonhar um belo sonho de amor
Voar contigo, nas asas da paixão
Quero trazer a ti, todo aquele amor
Vou te iluminar e fazer de ti um homem feliz...

Deixa-me sonhar!

Quero sentir esse teu perfume e segredar
Muito baixinho ao teu ouvido que eu sou feliz
Quero sentir o teu toque em mim e poder
Subir aos céus os dois nas asas da paixão...

Deixa-me sonhar!

Quero sentir a tua voz falar e esse teu olhar
Onde descobre os novos horizontes de amor
Descobrindo os dois, os mais belos jardins
Deste amor tão louco e ao mesmo tempo insano...

Deixa-me sonhar!

Quero sonhar contigo até eu acordar
Quero sentir esse teu sorriso em mim
Viajar nesse teu amor intenso e ardente
No teu corpo e me tornar a mulher mais feliz
Deixa-me sonha!Deixa-me apenas sonhar...

Betimartins

Foto de Luiz Islo Nantes Teixeira

SOMENTE OS TOLOS

SOMENTE OS TOLOS
(Luiz Islo Nantes Teixeira)
Somente os tolos comemoram a velhice
A companheira implacavel de seus primeiros anos
A mesma que te sauda no seu primeiro respirar
A mesma que te surpreende no seu primeiro olhar
E a mesma que testemunha seus primeiros desenganos

Somente os tolos comemoram a velhice
A verdade definitiva de todos seres humanos
A mesma que envelhece os rostos mais bonitos
A mesma que enfraquece os brutos, os mansos e os aflitos
Os mendigos , os ricos, os orgulhosos e os mundanos

Somente os tolos comemoram a velhice
E baten palmas e fazem as festas e fazem ceias
Para esta companheira que nao se importa um segundo
Que nao lhe da treguas em nenhum lugar do mundo
E te retribue com as rugas mais fundas e feias

Somente os tolos comemoram a velhice
Que todos temem e ao mesmo tempo cantam
A mesma que dobra os nossos joelhos
A mesma que reflete o que somos e seremos nos espelhos
Mas nao envelhece o amor dos que nos amam

Somente os tolos comemoram a velhice
A companheira implacavel que suga todas suas energias
Como suga das criancas, dos jovens ,dos adultos e dos velhos
Ate sugaram daqueles que viveram mais segundo os evangelhos
Porque numerados estao os nossos mais lindos dias
© 2010 Islo Nantes Music

Foto de Leidiane de Jesus Santos

Incondicional

Vi os seus olhos
Chorarem por mim
Vi seu coração
Sangrar por mim
Vi sua vida desmoronar
Por minha causa
Vi tuas suplicas
E as minhas renuncias
Vi tua preocupação
Em eu me magoar
Vi o teu desespero
Ao te deixar.

Fugi do que era seguro
Sumi dessa paz
Para enfrentar o desconhecido
Fui desaguar em outros rios
Passei pelas tempestades
Moinhos de sentimentos
Enlouqueceram-me.

Me vi sem você
Sem tua proteção
Fui lançada para todos os lados
E sem conseguir
Me agarrar em você
Sem ter você para me segurar
Cai num buraco tão profundo,
Tão escuro, me perdi.

E sem você
Encontrei forças próprias
Que eu não imaginava
Que havia em mim.
Me ergui na fé em Deus
Me ergui por mim e por você.

Por que tudo isso?
Por minha imaturidade.

Joguei fora tudo para o ar
A minha vergonha
A minha Vaidade
E com o coração remendado
Machucada por mim mesma...

Estou aqui!

E sem precisar me humilhar
Sem eu precisar implorar
Mesmo depois de tantas mágoas
Eu vi seus braços
Abertos a me receber
Como se já soubesse,
Que isso iria acontecer.

Só estava me esperando
Acordar desse sono da ilusão
Que me mantinha longe de você
Longe desse amor tão bonito.
Que sempre esteve ali
Mesmo distante
Do mesmo jeito,
Até mais que antes.

Que eu tanto procurei
Que eu tanto esperei
Se tornar realidade
Estava o tempo todo
Do meu lado
Graças a Deus que eu acordei
Antes que fosse tarde.

Você me mostrou
Um amor humilde
Sem vaidade,
Um amor sem orgulho,
Um amor que supera tudo,
Um amor de verdade,
Amor incondicional.

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