Tempo

Foto de William Contraponto

Sob o Céu de Fevereiro

Num dia desses no verão
Foi quando aconteceu
Eu vi aquele moleque passar
Banhado como em mel
Não consegui deixar de olhar

Seu corpo molhado
Derramava um estado
De altas vibrações
Fazendo o mundo inteiro parar
Sob o céu de fevereiro

Nem o poder, a fama ou o dinheiro
Nada disso tem comparação
Ao doce atrevimento
Daquela degustação de corpos
Rolada no seu apartamento

Lá onde o tempo parou
Nenhuma onda inundou
Ele esta ali novamente
Cavalheiro moleque, cavaleiro dos mares
Sob o mesmo céu de fevereiro
Atraindo todos meus olhares

Foto de William Contraponto

Guitar Base

Eu juro te reencontrar
Seja agora ou no futuro
Para ouvir de novo
A tua safadeza dizendo
Que esta querendo
Fazer um som especial
Naquela guitarra uma base
E ficando quase nus
Vai ser bem legal

O ensaio vai ficar de lado
Dando todo seu espaço
Ao desejo mais plugado

Essas nossas loucuras
Com a força do tempo
Tornaram-se fissuras
Num prazer marcado
Pelos melhores momentos
Dessas duas vidas
Até aqui seguidas
Por novos atrevimentos

Ontem a noite me trouxe
Outra vez você
Além dos meus sonhos
Fez tudo reviver
Aquela paixão diferente
Que nesse verão toque
E siga nessa base eternamente

Já o ensaio fica de lado
Cedendo todo espaço
Ao desejo mais plugado

Foto de Carmen Vervloet

NOSSO TEMPO

O tempo pressentido precipita-se sobre nós.
Tempo antecipado pela nossa assassina mão,
costurado pelas linhas do mesmo retrós...
Pecado, cometido pelo homem, sem absolvição.

Outrora o tempo era de paz, sabedoria e harmonia!
Tempo de águas limpas, de nascentes cristalinas...
Hoje o coração pulsa no ritmo de sentida agonia,
vendo a vida se acabar entre motos-serras e toxinas.

Lixo, agrotóxicos, dióxido de carbono poluem o planeta.
Aterros, desmatamentos, pedreiras explodidas sangram a natureza!
A esperança esconde-se entre densa fumaça preta,
sinal de tantos medos e de plúmbeas incertezas.

Ontem, tsunami era coisa apenas do oriente,
do outro lado do mundo, tão distante da gente!
Hoje todo o planeta reage com intensa valentia
à agressão do mais egoísta ser vivo que o fere e asfixia..

Por que agredir quem sustenta tão fartamente
as bocas que sugam da terra frutas, verduras, sementes?
Por que matar lentamente quem gratuitamente nos dá a vida?
Por que contaminar e exterminar a nossa própria comida?

Nenhum governo deveria autorizar tão ignóbeis atos!
Lesões irreversíveis que vão afetar a saúde das espécies e do planeta...
Mas a avidez não dispensa luxos e seus respectivos aparatos,
só mesmo Deus para nos livrar das mãos que empunham tão pesada marreta!

Hoje é tempo de efeito estufa aumentando a temperatura do planeta,
é tempo de chuvas ácidas que matam e destroem...
É tempo de mudanças climáticas, é tempo de pouca colheita,
é tempo de alagamentos, maremotos e tufões,
mas, sobretudo é tempo de muita reflexão e orações!

Carmen Vervloet

Foto de giogomes

Eu e ela em quatro estações

Vivia acuado em meu mundo acomodado.
Parado.

Com a vida passando junto aos carros das grandes avenidas.
Em ambas as pistas

Algemado a uma rotina sem rumo ou sentido, cíclico.
Um pássaro ferido, amargurado, impedido.

Quando a encontrei pela primeira vez,
foi quando o meu mundo se refez.

Entrou em minha vida como brisa de primavera.
Fria, mas com promessa de acalentar a quem espera.

Por algum tempo manteve-se a parte.
Como se observasse tudo do alto de um estandarte.

Aos poucos conheci suas grandezas de menina,
que espera uma mão acolhedora para cruzar a esquina

Mas ela cresceu, mudou os rumos de sua vida.
E, me disse que estava de partida.

Como a adolescente que tem medo, mas enfrenta a sua vez,
nesse momento o meu mundo novamente se desfez.

Ela se foi, mas não por muito tempo,
pois algo maior mudou a direção do vento

Ao encontrar seus olhos, vi que algo tinha mudado.
Só não entendia a intensidade do que tinha enxergado.

E ao encontrar toda aquela altivez,
disse adeus ao velho mundo e um novo se fez.

Com a primeira manhã de verão,
acordamos cedo para aproveitar toda a estação.

Vivemos o melhor possível tudo isso,
mas não mencionei a quem lê, que era um amor bandido ?

Tudo era farra, alegria e nada comedido.
Afinal, não é gostoso tudo o que é proibido ?

Por um tempo, tivemos tudo o que precisamos.
Amor, carinho, cumplicidade e até planos.

Aprendemos muito e rimos um com outro.
Mas ela começou a se questionar, se isso não era pouco.

Nossa relação oscilava entre o calor e o frio do abandono.
Então, ao fim do verão, entramos no outono.

Ela percebeu que não é só o amor que mantém,
e sim as provas de amor que se obtém.

O que eu podia provar já não era suficiente,
pois a maior de todas , era totalmente inconseqüente.

Minha adolescente, finalmente cresceu,
e com a fase adulta, a dor das escolhas apareceu

Ela não podia viver desse jeito.
Vida de concubina não era algo perfeito.

Ela resolveu por um fim da "sua" melhor maneira possível,
e o resultado foi dor a ambos, de maneira indescritível.

Ela disse o que não podia ser dito.
E eu respondi o que não podia ser respondido.

O estrago estava feito.
Conhecemos o lado negro do amor que parecia perfeito.

A primeira bonança, minha vez de ser humano,
cometi o erro de mentir e ser desumano.

Esquecemos tudo o que tínhamos dito.
Finalmente descobrimos o fim de um amor bandido.

E ao fim do que parecia eterno,
finalmente chegamos ao inverno.

Após ânimos contidos, tentamos ser amigos, pois restava emoção.
O único dia quente desta fria estação.

No começo foi bonito.
Um vínculo assim, não podia ser partido.

Mas ela tinha outros planos, queria outras emoções,
viver novamente a sua vida, sem se lembrar das outras estações.

A cada encontro, ela tomava mais decisões.
Infelizmente, não era levado em conta minhas emoções.

Minha vida tinha se tornado um lugar tórrido, sofrido.
O quê mais em nossa relação seria restrito ?

Não poderíamos fingir amizade,
se o que desejávamos era nos possuir de verdade

Finalmente o inverno tinha se firmado.
O vento frio, desta vez não tinha como ser enfrentado.

Até a última vez, ao tomar sua última decisão de dor.
Tomei coragem, e pela primeira vez disse não ao amor.

Estava sofrendo muito, totalmente corroído.
Sentindo as dores dos anjos caídos.

Pensei comigo , "Se esse é o preço que tenho que pagar",
"Infelizmente não estou mais disposto a lutar".

Já haviam sido ditos vários "Adeus",
mas dessa vez foi com a convicção dos ateus.

"O que ela sentiu ? O que fez ? Aceitou o fim ?"
Sinceramente, creio que sim.

"E as outras duas perguntas estreitas ?"
Não procurei saber as respostas feitas.

"Ela ficará bem ? é o fim ?"
Acredito de coração que sim.

Ela é uma mulher corajosa.
Qualquer homem desejaria sua pele de rosa.

E o cheiro dela que sentia em mim tão profundo,
se esvai a cada minuto, segundo.

E agora, com toda esta convicção e a vida que me espera,
aguardarei uma nova primavera.

Foto de giogomes

A Rosa e o Tigre XXXIV - Viagem

Depois de tomada a decisão,
de acabar com a fantasia e a ilusão.

Ela começou a se preocupar,
com a pessoa que sempre disse amar.

Precisou dizer a verdade,
mostrar qual era a realidade.

Ela era dura, fria e cruel.
Da situação era o retrato fiel.

Sabia que não poderia voltar atrás,
sabia que o amor era algo fulgaz.

Se mudasse sua decisão,
poderia criar uma grande confusão.

Não queria excluí-lo de sua vida,
ele sempre seria uma pessoa muito querida.

Era o que queria acreditar,
mesmo sabendo que sempre o iria amar.

No outro dia quando foram conversar,
ele avisou que iria viajar.

Ele: "- Vou me ausentar por um tempo !"
"- Preciso exorcizar meus demônios e os meu tormentos !"

Disse a Ele que quando fosse voltar,
todas as coisas estariam em seu lugar.

Ele: "- Esta viagem poderá me convencer,
de que posso viver sem você !"

Ao ouvir isso ficou preocupada,
mas pediu-lhe que tivesse cuidado na estrada.

Poderia simplesmente,
ter perdido o seu amor para sempre.

Pensou tristemente na possibilidade,
de que Ele pudesse começar a esquecê-la nesta viagem.

Foto de giogomes

O Tigre e a Rosa XXXIV - Viagem

Após a realidade crua e fria,
desmantelar peça por peça a fantasia.

Ele percebeu que tinha muito no que pensar,
decidir no quê queria se tornar.

Poderia continuar sendo o Tigre com sua força,
ou apenas o homem em sua realidade tosca.

Ambos tinham suas vantagens,
mas também demasiadas desvantagens.

Depois do que ouviu de sua amada,
já não tinha nenhuma certeza sobre nada.

Sempre soube que o risco era considerável.
Sempre soube que isto tudo era inevitável.

Era hora de pensar em si mesmo,
decidir com certeza ou a esmo.

Uma decisão apenas sua,
para provar que a vida continua.

A sua escolha foi viajar,
ir para um lugar onde pudesse pensar.

Longe da influência de seu amor,
onde pudesse esquecer os momentos de dor.

Disse a Ela que iria se ausentar por um tempo,
exorcizar seus demônios e seus tormentos.

Ela respondeu sem se intrometer:
"- Você realmente precisa de um tempo para você !"

Ela: "- Perceberá que quando retornar,
as coisas estarão todas no lugar !"

Ela: "- Quando chegar ligue para mim,
pois sempre estarei aqui !"

Prosseguiu ao seu retiro espiritual,
pensando em colocar nesta história, um ponto final.

Foto de nattynha

solidão de você

Hoje senti-me muito só, embora esteja acostumando-me com a solidão..
Hoje senti falta do seu apimentado ser...senti solidão de você!
Não sei mais onde ir...nem onde procurar
Acho que preciso é esconder-me...para seus mistérios não deter-me.

Hoje sent-mei sem lugar...meu corpo somente pude encontar
Hoje não vi o luar... faltou-me coragem
Posso até o tempo perder...bobagem essa minha de querer-te!!!
E essa maldita saudade atormenta-me o peito ...irremediável!!!

Hoje acordei com sua face no pensamento
Hoje não passei pelos lugares que lembram você
E nem usei o perfume que você gostava!
Ja nem sei como evitar...ja que tornou-se refém de mim o seu olhar.

Mas se tenho que prosseguir em solidão de você...
o que resta-me é conseguir,
Hoje procurei em todas as pessoas e em todos os lugares...
Mas quem pude encontar foi somente á mim

Vou prosseguir...sem você...
deixá-lo para trás
Vou conseguir...claro
Mas deixar de sentir essa solidão de você por inteiro...é pedir de mais!!!

Renata S.oliveira

Foto de P.H.Rodrigues

Amor, Amar, Tempo, Esperar

Sabe, muitos desistem de amar, a maioria, prefere não tentar, desejam, e querem, mais por amor a si próprio se entregam ao medo de deixar de lado e não se arriscar. Amar .... amar é viver, é enxergar cada coisa de um ângulo diferente, é dizer, sentir e fazer, coisas que antes não se imaginava, é conhecer, e por pra fora, o que se guarda. No amor, não existe, perdedor ou ganhador, ganham os dois, no amor, existem sim, a dor, que não se sente, pois alguém cuida da gente.
A sensação de perder quem se ama, seria mais claramente como dizer, que você corre, anda, em um caminho que não se sabe onde vai chegar. Que se acredita no que se vê, e não sabe se é certo ou errado, ou seja, é ficar perdido! desamparado.
Nessa procura, só podemos esperar, mesmo quando o sentimento dilacera nosso peito! Mesmo quando perdemos noites e noites pensando! mesmo quando a saudade e incompreensão nos preenchem e nos deixam mais ainda sem direção! Pois podemos compartilhar o amor, mas não podemos obrigar a ninguém que nos ame! Como vamos dizer a alguém que ela tem que nos amar? simples! Não da!
A confissão e melhor amigo de um apaixonado, deixa ser alguém físico, e passa a ser o tempo, que ao mesmo tempo que te deixa desamparado, pode mudar e trazer seu amado parar o seu lado.

Foto de Elias Akhenaton

Saudades de ti

Sinto saudades...
À dor que arde em meu peito
Me impede de dormir...
Estou com saudades de ti,
Pois partistes sem dizer adeus.

Hoje em meu leito tenho lembranças
Do tempo de outrora,
Dum tempo de inocência,
Onde trocávamos confidências.

Saudades do nosso passeio à noite,
De mãos dadas no calçadão
Da praia, sob a magia do luar
E em nossa pele o cheiro
Sedutor da brisa do mar.

Tenho saudades...
Saudades das noites em nossa cama
Coberta por rubras rosas,
Onde nossos corpos queimavam
No fogo ardente da paixão.

Agora só me restam
Saudades, recordações
Que não saem do coração.
Não sei se vai passar, quiçá, o tempo dirá,
Pois o que está meu peito é amor,
Com saudades de ti,
Clamando por ti!

-**-Elias Akhenaton-**-
http://poetaeliasakhenaton.blogspot.com/

Foto de SANDRA FUENTES

ÚLTIMO ANDAR

Maquiava os olhos às cinco da manhã e ficava em seu quarto olhando para o espelho. Não havia traços do tempo em seu rosto, mas o coração, com rugas profundas, se fazia de desentendido. Fumava um cigarro que deixava pela metade. Olhava o mar pela janela do apartamento minúsculo e pensava em seus sonhos-pesadelos. Nem sempre é possível distinguir um do outro quando se dorme. As cores se confundem e os personagens mudam de cena durante um sono profundo. Mas a mulher vestida de segredo, tirava suas meias transparentes e caminhava descalça em direção à porta. Gostava quando ia sentindo nos pés o frio daquele piso do corredor pintado de verde. Sentava na escada e acendia mais um sonho, que deixava pela metade.Ela quer descer. Passa pelos degraus como fumaça. Em silêncio caminha até o portão. Desconhece aquele lugar. Sem olhar para trás, faz o caminho de volta. Pega a chave que estava sob o tapete. Surda-muda. Sonho-pesadelo. É lá seu lugar, é onde ela mora: no último andar, na última porta.

Sandra Fuentes

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