Vida

Foto de Peter

A descoberta

Sentei-me a beira mar
Fechei os olhos e voei
No azul imenso a vaguear
E no céu pairei

Ouvi as ondas a ribombar
Senti o cheiro da liberdade
E o mar veio-me tocar
Para me fazer acordar

Abri os olhos e contemplei…
Lembrei o que sempre amei
Aquela sensação de imensidão
Absorvida por toda aquela dimensão

Levemente me deixei levar
E no meio da natureza
Fiquei ali a divagar
Perdi-me na sua beleza

Naquele ínfimo momento
Vi que a vida é grandiosa
O mar me deu o alento
Ali estava a coisa mais valiosa
Descobri toda riqueza
Encontrei uma fortaleza

Foto de P.H.Rodrigues

Coração que sangra

Agoniado, desesperado e perdido
segue o coração
não anda mais com seu queixo erguido
perdeu o motivo, perdeu a razão

em um canto vive a resmungar
se perguntando o que faria
onde errou e o que poderia mudar
não se cansa, e pela eternidade ali ficaria

tentando concertar um erro
tentando melhorar
tentando se perdoar
tentando não deixar de amar

mais se lembra que não basta tentar
não basta se lamentar
não basta querer
mais do que isso, o que vale é fazer

Se lembra que palavras o vento leva
e atos na vida se marca
com uma das mãos pressiona o ferimento
espera desesperadamente parar de sangrar

pois quando sangra não sangra sozinho
faz sua dona sangrar
faz a bela moça lágrimas derramar
e isso nada o agrada

Sabe o que se tem que fazer
enxerga o erro e não desisti
levanta e vai lutar
mais novamente volta a sangrar

ainda não desistiu do caminho
e nem parou de sangrar
mais se lembrou do amor
que o faz continuar.

Foto de Izaura N. Soares

Fragmentos da Saudade

Fragmentos da saudade
Izaura N. Soares

Eu, só de pensar sinto-me tão nostálgica
Sinto a nostalgia se apossando de mim!
Não é de todo mal sentir saudades,
Mas é cruel não pensar no bem,
Que ela nos faz, quando a sentimos!
Mais cruel ainda é deixar de pensar
E de nunca ter sentido nada!
É como raios que se passam
Anuviando nossa mente e nosso coração!
É o nome mais doce que bebemos
É o sentimento mais sublime que sentimos
É a doce vida que suspira
Quando lembramos em especial de alguém!
É tão suave a sensação
De sentir-me tão protegida, perto de ti
Uma visão da vida, um frescor do amor
Que delira sobre meu peito!
Palpita o meu coração
Embalado de sensações ainda procuro por ti
E os meus olhos derramando em lágrimas
Sente a falta do teu olhar!
Refugio-me na ilusão do meu silencio
Só quando o amor sente...
Que a saudade não tem mais fim!
Meu coração vive sempre chorando
Precisando do teu olhar e do teu carinho!

Foto de LillyAraujo

Hoje

Hoje. Ontem. Amanhã.
Hoje, apenas hoje!
Um agora inevitavelmente suave e bom.
Hoje eu. Hoje você. Hoje nós.

Hoje eu quero novamente ouvir sua voz,
ouvir qualquer palavra exagerada,
carregada das impressões de quem está apaixonado.
Sentir teu perfume, de teu corpo, da tua alma.

Hoje eu novamente quero ouvir tua voz e te ver,
cada gesto teu que é tão meu e me traz vida,
estás gravado em mim como em uma lápide.
Eu - lápide, transcrevendo você.

Hoje o teu braço tímido pode envolver-me
em um abraço furtado com gosto de doce.
Hoje e apenas hoje! E amanhã?...
Apenas quando o amanhã for hoje.

Ontem eu nem sei mais! Mas hoje...
Ah! Como hoje demora a chegar!
O teu sorriso no ar, teu desajuízo,
teu descompromisso e o meu gozo,
o meu riso maroto, e uma lerdeza no olhar.

Ontem? Nem me lembro mais.
Amanhã? Não quererei adivinhar.
Mas hoje...

© Por Lilly Araújo-Direitos Autorais Reservados.

Foto de LillyAraujo

Sem Pressa

Ah, eu estou me sentindo meio descrente da vida, sabe? Com meu corpo sedentário sobre a cama por horas a fio, e já quase atrofiando a alma.

Estou com vontade de fugir de tudo que é urbano. Esquecer os fios conectores, o Bluetooth, Ipods, ou qualquer coisa que tenha teclas, ou telas, ou façam qualquer som frenético. Vontade de deixar esse mundo que se tornou tão aflito, e que tem sempre muita pressa. Onde tudo é manejado por um apertar de botões. Meus ouvidos estão feridos!

Estou com sede de terra molhada, de sentir o aroma de grama amassada, de formiga esmagada, enquanto o único som que se possa ouvir seja dos pássaros lutando no ar, numa dança de acasalamento, paz e alegria; que seja o som das cortadeiras picotando suas folhas e marchando por entre os trieiros, como se fossem soldadinhos; que seja o som dos estalidos dos gravetos que se desprendem das árvores ou do bico das passarinhas que ajeitam maternalmente o ninho dos seus filhotinhos. Quero ouvir o som das águas batendo contra as pedras e fazendo esculturas infinitas.

Quero adentrar-me no rio e me deixar levar pelo seu leito tortuoso, e sentir a água me abraçar, e a brisa me acariciar. E ir percorrendo o seu caminho sem pressa. E ter tempo de observar o céu azul claro, e uma diversidade de aves cortando o seu espaço, todas leves e belas, alheias ao meu observar. E sentir o sol bater intermitente no meu rosto, entrecortando os ramos das matas ciliares que circundam o rio onde meu corpo bóia, como uma pluma, feliz!

E assim continuar percorrendo juntos às águas, caminhos que eu nunca conheci, até que o dia seja noite. E sentir agora os dedos enrugados, e o bater das minhas mandíbulas pelo frio do rio, e isso também me deixar feliz.

E me refugiar depois em uma das margens. Jogar meu corpo na areia e ficar inerte. Observar cuidadosamente que o céu trocou sua roupa anil por saias alaranjadas, que pouco a pouco vão se tornando azul turquesa, e salpicos como lantejoulas vão lhe sendo cosidas, em forma de estrelas.

E no frio acolhedor da areia me deixar ficar um pouco mais, e notar que os sons também se transformaram. Agora, o bater das asas dos pequenos passarinhos silenciou. Dormem aconchegantes em seus galhos e ninhos. E as cortadeiras também foram descansar. Ainda estalam os pequenos gravetos que se desprendem, e o som das águas escultoras também continua o mesmo. Lentamente os anuros começam a reger a orquestra do anoitecer: sapos; pererecas e rãs, “gritam” e saltam desenfreadamente, como se quisessem alcançar os pirilampos piscantes pregados à grande teia que é o céu, e assim, comer uma a uma, cada estrela.

Estou com sede dessa paz que há muito não sinto. Estou com medo de jamais torná-la a sentir. Presa na cadeia Cidade-Grande, onde os sons são sempre de botões, buzinas, palavrões e, acima de tudo, de pressa. Muita pressa.

© Por Lilly Araújo-Direitos Autorais Reservados.

Foto de LillyAraujo

Parte

Porque quando eu acordo não sou mais eu,
sou alguém que nem sei se quero conhecer.
Porque uma parte de mim é dor,
mas a outra parte é prazer.

Porque quando olho no espelho me vejo uma estranha
como se de repente nada mais fizesse sentido.
Porque parte de mim é realidade,
e a outra está mentindo.

Porque me busco incessantemente
ainda que só queira encontrar você.
Porque parte de mim se perdeu,
e a outra parte foi em você que nasceu.

Porque agora vida e morte se uniram,
pois quando me deixa eu morro,
e ao retornar me ressuscita.
Porque parte de você é morte e a outra parte vida.

Porque desta forma irresponsável e insana,
eu quero morrer contigo todos os dias;
e viver com você todos os momentos.
Porque parte de você é paz, e a outra, tormento.

© Por Lilly Araújo-Direitos Autorais Reservados.

Foto de LillyAraujo

Navio

Eu sou navio,
e você é água por onde tenho percorrido.
Mergulho em tuas águas profundas
sem saber como voltar.

Eu sou navio,
em tua dimensão fui navegando e sendo navegada.
Fui amada, desejada, desnudada.
Vida minha, vida minha desventurada!

Porque eu sou navio perdido
e sem querer me achar,
Trafegando por entre as pedras do teu leito,
buscando abrigo em teu quente peito.

Eu sou navio, você é mar traiçoeiro
e lançou-me em tuas encostas rochosas,
sem saber, sem querer, sem poder, e querendo,
fui de encontro ao inevitável.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Eu era navio.
Despedacei-me em você.
Agora sou náufrago, sem porto, sem cais,
pedaços de mim que já não são nada mais.

O sol escaldante me queima agora a
pele porcelana, e as marcas ficarão
para sempre no corpo e na alma.
Porque eu era navio... Hoje sou dúvidas.
- Alma naufragada.

© Por Lilly Araújo-Direitos Autorais Reservados.

Foto de airamasor

Te quero....

E quando o corpo pede um pouco mais de calma” e a minha razão implora por mais esta calma, mas tenho sentido uma mistura tão gostosa de emoção, desejos, vontades, medos como mantê-los em mistério é uma questão difícil!!!!to com vontade de gritar que eu te quero, vontade de te ter em meus braços, um desejo inaceitável, inexplicável de me prender em teu corpo, num abraço apertado e apaixonante, beijar teus lábios como jamais beijei com a mais intima vontade de mergulhar fundo nas entranhas dos teus sentimentos.
Gostaria agora de estar contigo, agarrada a teu corpo sentindo o leve toque de suas mãos, apreciando teus beijos, me apertando em teus braços, sentindo teu cheiro, tua respiração que envolve minha nuca, deslizam por meu pescoço, sobem ao meu queixo, aproxima-se do cantinho da orelha e murmura palavras que só eu sei!!!
Só eu e você amor e ninguém mais!!!!
Preciso me sentir desejada, preciso que me olhe daquele jeito que sempre quer e pode ter mais. Necessito que acalme essa desaceleração irresistível do meu coração ou melhor necessito que o deixe mais desacelerado para poder cada vez mais e mais me proporcionar mais momentos maravilhosos!!! Quero te ter ao meu lado não apenas para aproveitar da paixão, mas para sentir que esta comigo, que posso contar contigo, que posso adormecer em teus braços confiante que meu sonho será bom, ter você para me escutar e ter a mim para te ouvir sempre...preciso te contar como vai meus dias!!! Falar dos meus medos e desejos!!! Quero deixar você não apenas entrar mais fundo em minha vida mais principalmente em meu coração tão amargurado, traumatizado e carente!!! Quero não ter medo nem vergonha de amar, quero não ter receio nem pudor em me entregar! Quero ou melhor te quero!!!!
Preciso sentir tuas mãos acariciando meus cabelos ate me fazer dormir e num sono confortável por te ter ao meu lado, sentir sua mão cada vez mais deslizando no meu corpo, mordendo meus lábios!!!sentindo profundamente o sabor delicioso de um beijo apaixonado, quente, caliente!!! Porque você não vem meu bem, larga tudo e vamos fugir...agora...pra um lugar só nosso!!! Nosso mundo....nosso amor...te quero sempre em minha vida...

(Aira, 02 de fevereiro de 2011)

Foto de betimartins

Quem és tu! Amor?

Quem és tu! Amor?

Quem és tu! Que chegas sem avisar
Sem pedir licença e identidade...

Quem és tu! Que raiaste o dia em mim
Partindo minha alma ao meio...

Quem és tu! Que me despes sem preconceito
Desnudando minha intimidade ao limite...

Quem és tu! Que deixas baralhada, desatinada
Quando em mim, vens com todo o teu desejo...

Quem és tu! Que fazes disparar meu coração
No auge da paixão, do desejo, onde tu me acalmas...

Quem és tu! Que vens da outra dimensão
Para baralhar meu caminho, minhas decisões...

Quem és tu! Que me deixas a escrever sem limite
Poesias, hinos, reflexões, contos e canções...

Quem és tu! Que inspiraste o pobre Luís Camões
Deixando-o vivo na sua escrita, na sua grande paixão...

Quem és tu! Que fazes ficar com as pernas bambas
Rendendo-me ao teu mais alto poder, as asas da paixão...

Quem és tu! Que me acordas com luz do dia, beijando
Falando palavras incompreensíveis ao desamor...

Quem és tu! Que transmutes a alegria da vida, vivida
Que dentro do ventre materno, cresce e avança a tua vida...

Quem és tu! Que trazes o manto de luz, o manto do aconchego
Que fazes a noite descer e travar as trevas da solidão e podridão...

Quem és tu! Tu quem és afinal? Serás! O Céu, as estrelas ou o Sol?
Serás! O silencio da alma incompreendida, alma sedenta ou até faminta...

Há! Afinal eu descobri quem tu és, é o Amor, o Amor tão falado
E foste tu que me derrotaste, foste tu! Tu Amor e agora? Que eu faço?

Que eu faço Amor? Que eu faço para que nunca vás embora de mim?
Há! Descobri, vou também te colocar amarras a ti e nunca mais vais embora....

betimartins

Foto de Fernando Vieira

Fernanda

Fernanda
(Fernando Vieira)

Nanda, Fernanda
Demora na cama
Levanta menina
A vida te chama

Acorda atrasada
Vai pegar busão
Via Praça Saraiva
Sua condução

Nanda, Fernanda ah
Nanda, Fernanda ah, ah (2x)

Nanda,Fernanda
Só anda arrumada
Corpinho esbelto
Bem delineada

Nanda, Fernanda
Não pensa em mais nada
Sonho de consumo
Motor, cilindradas

Nanda, Fernanda ah
Nanda, Fernanda ah, ah (2x)

Nanda,Fernanda
Saiu da calçada
Não quer mais saber
De conversa fiada

Nanda, Fernanda
Num mundo só dela
Aonde ela dança
E levanta a platéia

Nanda, Fernanda ah
Nanda, Fernanda ah, ah (2x)

Aqui quem vos fala
É o Fernando
Sou amigo dela
Estou sempre cantando

Escrevo poemas
Toco violão
Escuta menina
Essa tua canção

Nanda, Fernanda ah
Nanda, Fernanda ah, ah (2x)

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