Na ânsia absurda e desesperada de querer escrever, de querer soltar de mim o que só as palavras sabem dizer, bloqueio…
No silêncio das letras me escondo, me agacho, me prendo, sufoco e grito…
- Vem a mim tudo o que deixo escorrer entre os dedos, tudo o que permito que levem de mim…
Procuro numa busca incessante e angustiante em cada pedacinho do meu ser, aquilo que os meus olhos não me deixam ver..
Levo e relevo, os dias, as horas, o tempo, o meio tempo, num contratempo...
Dou o dito pelo não dito e desdito ...
Afinal quem sou eu?
Afinal onde pertenço? Não encontro consenso…
Perco-me entre sons perdidos, que não entendo…
O coração combalido coxeia e quase cai…
A incerteza e a indecisão prendo e apreendo…
Não sei para onde esta vida vai…
Afinal, o pano cai…
Afinal sou quem sempre fui…
Afinal não me perdi de mim…
Afinal as palavras flúem como sempre…
Afinal encontro o caminho perdido entre os mares do vazio...
Afinal sou voz…porta-voz...
Afinal sou letra soletrada...
Afinal encontro-me agachada nos medos conspurcados, adormecidos e banidos...
Afinal sou vida vivida, encontrada, agarrada
Afinal sou simplesmente mais um pouco de tinta num oceano de letras…
Letras que falam...
Que gritam...
Que dizem...
Que transformam...
Que constroem...
Que vociferam verdades cruas, absolutas e nunca diminutas…
Afinal basta chamar para me encontrar, pois se num mundo não estou, noutro estarei...
A porta fica aberta…sempre…para sempre…
…e assim…sonharei…