É um buquê eu sei que é
Resta saber do que é que é!...
Eu tinha rosas, rosas encantadas
Nasciam no dia dos namorados
Brilhavam de noite pela lua ao luar
Gritavam de fome por ter de passar
Regava-as! Com águas!...
Mas elas queriam mais muito mais
Queriam-se fundir em amores de Oxóssis
Em sóis de osois! ricas moléculas plenas
Vidas! eram minhas rosas encantadas
Todas vermelhas aveludadas, safiras
Macias no toque com`a mão, enamoradas
Todas sensíveis sensuais, delicadas
Umas vezes emaculadas outras bem
fadadas outras encabuladas até à raiz
E ao Sol Pôr! Estas ninguém
ousara tocar por sorte ou por triz!
Eu juntava-as maravilhada, enusitada
Cremava-as ao sentir esvaírem o néctar
Pó! a seiva toda a vida em si per si, acostumada
E mais que cheirando snifava perfumes pairando no ar!
Eram rosas encantadas, metamorfoseando
Eram vidas vivenciadas, refazendo
Suas vidas! Radical a todo o instante
Eu só sei que era um buquê
Ainda hoje não sei de quê!...
JoaninhaVoa, in “Valquírias, meus amores”
(2008/03/02)