Poemas

Foto de Marta Peres

Farrapos do Coração

Vestindo o que restou dos farrapos,
farrapos de mim do meu coração,
estraçalhado pela dor
vou brincando e tentando sorrir
deste sofrer atroz que aniquila
a alma e me deixa sem chão.

Não sei se consigo pois vivo
ao léu tentando apanhar
o pouco que restou nas franjas dos
ventos, sofro, morro aos poucos...

Já não há mais a esperança no amanhã
pois só tenho noite e nem mais o crepúsculo
ou a força d'aurora me é permitido,
meu céu não tem estrelas
e nem esperança no coração.

Marta Peres

Foto de Licia Fonseca

Sensivel

A paixão é beijar ou
abraçar e provar que
a ação fala mais
ruidosamente do que palavras.

Foto de Marta Peres

Fantasma

Exaurido ele passa...
Caminha lentamente
Buscando seu sonho perdido,
Já velho e cansado nada mais espera
Nem quer e nem ilusão de encantar
Tem cumprido.

Eis que passa...
Como desgraçado caminha,
Esquecido pára,
Busca sonho perdido.

Da janela o vejo sob a luz do poste,
Olha de um lado para o outro
Não sabe que rumo tomar...
E o velho fantasma
Fazendo fumegar o cachimbo
olha fumaça subir devagar...

Já se vê sem serventia,
O pobre nem como vento
Consegue assoprar...
Ali, parado na praça sabe
Não ter ninguém para assombrar.

E vai pachorrento o velho fantasma
Sem saber o destino a tomar.
O rio corre para o mar
E o sol percorre uma estrada
Como coche divino sobe, brilha
E se esvai...

Marta Peres

Foto de Marta Peres

Aurora

Suave melodia é ouvida,
Parece surgir das nuvens
E inundar a Terra...
As sombras da noite vão se dissipando
E anunciando a Aurora!
Brisa suave, macia, orvalho fresco
Pelas Campinas, molham as flores
E as árvores e a relva...
O dia vem surgindo...
Amanhece lentamente,
Magistralmente...
A passarada anuncia em festa
e no terreiro o galo canta, feliz
pelo dia que vem vindo,
tudo se curva ante beleza majestosa
e borboletas dançam parecendo ouvir
toque da suave melodia...
Pessoas sorriem felizes
No vai-vem costumeiro das manhãs
Tudo é festa da natureza homenageando o dia.
Nos jardins as flores se abrem e botões de rosas
Orvalhados chamam atenção
Quando equilibrando na pétala, e na folha,
gota de orvalho balança...
timidamente o sol vem beijar pétala e folha
E a gota dança, feliz pelo dia que chegou...

Marta Peres

Foto de Marta Peres

Cristal

Suave brisa paira no ar
E vejo a ti adormecida dentro de alvo jazigo,
Cristal te transformaste e dormes qual Bela Adormecida
Dos contos de fadas, um dia despertarás...

Um príncipe encantado chegará perto de ti
E te beijará os olhos e a boca e tu irás suspirar
Qual noiva ante o beijo de sonhos...
Todo encantamento dissipará no ar e tu formosa,
Sorrindo, bela, acordarás para o amor...

E driblarás a morte que já tinha nos braços
O teu coração, teu corpo, tua alma...despertará
Como se desperta do sonho,
Em teu primeiro beijo nupcial!

Marta Peres

Foto de Marta Peres

Algo Existe

Algo existe no ar e eu sei, o dia vai lento
E preguiçoso, há fumaça no ar...
Mas há no ar uma fragrância, um frescor
E uma ternura que invade a alma e me acalma...

E meus olhos pousam na imensidão, ar solene
E vejo algo brilhante, estremeço ante beleza sem igual
Nada direi, o silêncio fala por mim, sinto-me sufocar...
Me calo e calada ficarei, sinto que mordaça impede-me a voz.

Deixo que o sentimento fale pelo meu olhar, magia no ar
E ele nasceu do coração que pulsa de emoção, amor!
E palavras se tornam desnecessárias e acumulam,
Lágrimas antes represadas deságuam dos meus olhos...

Tudo é belo e não mais existe o lodo e a lama,
Das minha mãos luzes coloridas e um anjo vem,
Flores e mais flores são colocadas, doce aroma, frescor
E poesia paira no ar, algo existe...

Marta Peres

Foto de Marta Peres

Noites Loucas

Estive contigo em noites de loucuras
E sonhamos e soubemos sonhar,
Nossas almas voaram ao infinito do Universo
Naquele quarto luxuoso e que foi nosso abrigo...

Nossas almas se entrelaçaram como nossos corpos
Em loucura igual, senti meu coração ancorar porto
Seguro, minha bússola indicava...
Ventos fortes já não me faziam medo.

Bastava apenas o olhar para comunicar
E o entendimento já se fazia,
Nossas almas falavam juntas, sentiam...
Ardiam como fogo a abrasar o coração...

E nosso entendimento, verdadeiro...
Elo que jamais se quebraria e navegávamos
Pelo Éden, felizes, encantados pelo amor
Pelas loucuras do amor...

Mar bravio chegou enfurecido e densas nuvens
Haviam se formado nos céus, Mar, ò Mar tenebroso,
Quem me dera viver noites de pura loucura,
Porto Seguro... não consigo ancorar...

Marta Peres

Foto de Marta Peres

Razão

Trouxeste luz para minhas noites
E calor para meu frio...
Deste a mim tudo o que eu mais queria
E chamei-te de amor...vida...
Fizeste-me a mais ditosa das criaturas
E chamei-te de querido,
És a alegria que encanta a minha vida
E por isto dou-te uma Hortência,
Flor das minhas, a preferida,
Desabrochou dentro do canteiro do coração
E preencheu o vazio que eu vivia a vida.

Marta Peres

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Nova Morada

Do meu túmulo posso ver a imensidão
E posso ver meus vizinhos de lado e de avenida,
Posso ver tudo a minha volta.
Privilégio cedido a mim e a poucos...

Nas noites converso com meus vizinhos que já são
Meus amigos, quando é sol é silêncio e adormeço...
Quanta beleza encontrei na vida, quanta pompa
Foi dado a mim na morte...

Minha família vive hoje a me cercar, são amigos
Que encontrei cá, neste lugar...
Há algo que pitoresco e suntuoso, mórbido, suave
E de delicadeza sem igual, toca a alma...

E eu posso sentir toda tortura do desconforto
E desajeito, inda não me acostumei a nova casa.
Lá fora as plantinhas vão crescendo e eu só vendo,
Nem regar eu posso mais, tudo a volta cheira cipreste...

Marta Peres

Foto de Marta Peres

Desejos

Fugias e vinhas e me deste o teu carinho
E o teu cuidado, mas como ondas do mar
Brincavas, ias e vinhas...
Querias que me acolhesse como pássaro,
Segura ao peito...

Quando vinhas, eu risonha a te esperar
Na febre do sonho, feliz te ver chegar...
Fugias e vinhas, nem um beijo ao partir
Pois era escuridão quando ias, fugias...

Há tempos vivo assim, aflita, cheia de desejos
E com o coração grave, cheia de mágoas, medos
E decepções...ando feito noite sombria e cheia de dor
Meus olhos rasos d’água, ofendida, retendo grito...

Como amei e como amo!
Um simples abraço, tudo dissipava e me via feliz,
Queria tanto que voltasse, sonho, não me cansei
E numa saudade sem par, espero ainda te encontrar...

Marta Peres

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