Poemas

Foto de Lou Poulit

A Fruta e o Pássaro.

Se me guardo, navego
Se me entrego não volto.
Porque quero me solto
Porque temo me prendo...

Me fendo como a fruta
Que um pássaro perscruta
E me agarro ao meu talo
E me calo... E me odeio
E me odeio e me odeio e me odeio.

Eu receio o seu espaço
Despencar da canção
Ficar só de cansaço
E ser comida no chão...

Me fendo como a fruta
Que um pássaro desfruta
Mas te sonho e te tramo
E te amo... E te amo
E te amo e te amo e te amo.

Foto de Lou Poulit

Onde Não Cesse, Estará Consumado

Era como se eu já soubesse.
Bem no fundo da alma tinha certeza.
O tempo, caminho e correnteza
Levam o silêncio da alma em prece.

Onde não cesse, estará consumado.

Vinham nos ares da jornada calma
Floradas, raios de luz no sereno
Insuspeitas ofertas, veladas na palma
Suavam o vinho no copo pequeno.

Onde não cesse estará consumado.

Vagando, o desejo rondava o deserto
(O vulto sensorial de uma mulher assedia).
Cravado em minhas areias, estreito, incerto
Espreito, depois do olhar o raiar do dia.

Onde não cesse estará consumado.

Foto de Lou Poulit

As Nossas Manhãs

Porque são as manhãs
Tão humildes manhãs
Saram o que as noites cortam
Lavam, abortam estrelas vãs
Vem que me desperta
Essa rosa madura
Sob a renda flerta
Captura o meu instinto, vem
Me joga no orvalho do jardim.

Vem de mim por ruas dormidas
Que dores banidas
Não despertarão tão cedo...
E ninguém contará a ninguém
Que ainda tenho medo...
Porque são as manhãs
Tão humildes manhãs.

Porque são a manhãs
Tão lúcidas manhãs
No estreito vão da janela
Um corpo que foi meu se esfarela
Num rastro distante
Guardo os pássaros no peito claro
Ardo... E perto me declaro amante
Vestindo as chamas
Que restam das velas
Dançando com elas, beijo
Beijo e protejo o seu despertar.

Porque são de carícias
As nossas milícias
Cavalgadas e reconquistas
Quando o sol entrar pela janela
Jamais sairá nas revistas...
Mas são nossas manhãs
As mais belas manhãs.

Foto de Lou Poulit

Os Instantes do Poeta

Torpes versos que de mim me tocam
Enfocam imersos momentos nossos,
Torpes, trágicos, tacanhos troços
Que fizemos ao sabor do instante.

O meu desafio é escrevê-los
Como novelos arrumadinhos,
Tantos os embaraços do zelo
De crer que viver valeu o instante.

Poesia... Ah, por que não me suplica
Uma relíquia, lembrança boa
No vácuo que de mim se apessoa,
Como um pálio desça ao fim do poço,
Onde cravo essas unhas mestiças
Feitas de uma sucessão de ancestres,
Mestres meus que me vêem tão moço:
Não vejo a luz imensa desse instante!

É nas mais frias noites sombrias
Que, ausentes a lua e os seus amores,
Mais ouvimos os nossos tambores
E mais cintilam brilhantes instantes.

Acuda-me, minha poesia
Com sua manhã, seu gume de luz!
Antes que me percam os instantes nus,
Que me prendem no altar dos instantes.

Porque somos amantes nossos,
Nas fogueiras das próprias cavernas,
Bastará o viço das nossas pernas,
Soberbas, aos rumos dos instantes.
Mas quando me aposso dos meus ossos
Que as manhãs não puderam roer...
Minhas pernas a tantos lugares
Não iriam nem por um instante!

Ah, poesia... Que não me suplica!
Ensurdece o promíscuo suplício
De ser assim um poeta de mim,
De versos íngremes, desde o início,
Tortuosos como os meus instantes...
Então, poesia lhe suplico eu:
Se meus versos têm que ser tanto assim
Cajado do meu próprio levante...

Diga a ela que sobre os seus ombros
E no seu dorso, crespo do nosso amor,
Me levaria... E aos meus escombros...
Antes lhe poupo dos meus instantes.

Diga a minha amada que não a esqueço,
Que apenas pago o preço das manhãs.
Que a rosa range pétalas sãs,
Mas sobre os meus ombros... Julga o instante!

Foto de THOMASOBNETO

Lágrimas de Mulher

Mulher...
Foste criada para compartilhar,
Os encantos e maravilhas do universo!
Foste criada para gerar o fruto do futuro.

Mulher...
Que sofre a discriminação da sociedade...
Onde o machismo irracional te agrilhoa.
Faz de ti vitimas indefesas de vulgar prazer!

Mulher...
Que chora as dores do parto...
As infelicidades dos filhos ingratos.
A traição dos senhores engravatados!

Mulher...
Que se vê violentadas em seus direitos.
Chora em silencio a dor da incompreensão.
Transformada em objeto vulgar de exploração.

Mulher...
Das costelas do homem foste gerada,
Para ser a mãe e a mão do equilíbrio.
Suprema senhora do paraíso!

Se houve pecado não foste tu...
Mas, no entanto carrega em si,
Esta eterna marca do renegado.
Não te amar isto sim que é pecado!

THOMAZ BARONE NETO.

Foto de Senhora Morrison

Fetiche

Sinta meu cheiro
Adocicado atrás de minha orelha
Quero enfeitiçar-te
A ti e a todos
Sentir-me desejada
Por todos que se julgam homens
Ser o centro de todas as atenções
Mesmo que por esta noite
Ver teus olhos queimar
Pela cobiça alheia
E teu ego inflar
Pois sou só tua
Dançar para ti
Com a admiração de todos
Todos os homens me desejando
E eu só a ti
Meus olhos voltados para a sua boca
Que me entorpece de desejos
Pura volúpia...
Em pensamentos pecaminosos
Vem a mim meu prazer
E desfrute-se de toda esta carne
Que queima por ti
Liberte as fantasias
Que por ti se fazem
Numa envolvente perdição
Explore esse abismo
Ausente de rotinas
Enlouquecendo-nos
Atirando-nos
Nesta viagem sem fim

23/01/2007
Senhora Morrison

Foto de Senhora Morrison

Beija-me Amor

Beija-me a face amor
Num ato de solidariedade
À minha dor

Beija-me a face amor
Acolhendo dela a lágrima
Na busca dos olhos de seu feitor

Beija-me a face amor
Agora gélida e pálida
Despedindo-se daquela

Que sempre lhe amou.

04/01/2007
Senhora Morrison

Foto de Senhora Morrison

O resgate

Suas mãos estão a caminho de descobrir-me
Anseia meu corpo já estremecido só de pensar
Saberá de meus segredos
Será meu tesouro
Teremos as almas unificadas
Num amor explosivo
Contaminando o mundo em pura felicidade
Amo-te como sempre achei que poderia
É o meu sonho em realidade
Minha esperança de felicidade
O meu príncipe em seu cavalo branco
Vindo me salvar de dias sem você

22/08/2006
Senhora Morrison

Foto de Lorenzo

Perdão

Perdoe as vezes que não liguei
E também as que eu briguei
Perdoe os erros que eu esqueci
Mas, infelizmente, você não

Tente esquecer as desavenças
E apagar da memória as senteças
Para que, talvez, de repente
Possa deixar leve o coração

Não quero mais ver esses olhos assim
Tão tristes que chega a doer em mim
Julgando que foram em vão os momentos
E tudo que ganhaste foi sofrimento

Não precisa mais me ver,
Nem quero que se esforce para falar
Só peço que não lembre mais
Que, realmente, só consegui falhar

Mas, se quiseres pode novamente tentar
E talvez até confiar nesse que te escreve
Pois "para tudo na vida dá-se um jeito"
Pelo menos foi o que certa vez me disseste.

Foto de Hisalena

As tuas mãos...

As tuas mão tocam a minha alma
como um rio toca o leito onde corre,
são águas correntes de paz e calma
onde a vida se renova e nunca morre.
As tuas mãos tocam a minha vida
como música saindo de um piano,
são chuva caindo na terra ressequida
onde a seca trouxe vazio e dano.
As tuas mãos tocam o meu ser
como a brisa que corta a manhã,
são as notas soltas do meu viver
que compõem esta minha esperança vã.
As tuas mãos! Ai, as tuas mãos!
As tuas mãos tocam-me sem me tocar
não passando de uma doce miragem,
com elas apenas me limito a sonhar
nos sonhos em que tu és personagem!

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