III Concurso Literário

Foto de Auron Wintermoon

Somos

Somos o que sempre fomos.
Sempre o mesmo, sempre iguais.
Sempre os mesmos porquês e comos.
Sempre a mera condição de mortais.

Nunca tentámos ser imortais
Mas alguns de nós ousaram!
Desafiaram a morte e as leis fatais,
Mas depois de mortos triunfaram!

Mais um herói, mais uma despedida,
E não há alguém que entenda
Que com o sangue se escapa a vida,
Mas de sacrifícios nasce a lenda!

Foto de Mónica Silva

Não há porque temer

Se o céu ficar negro de repente
e as estrelas deixarem de brilhar...
se deixares de avistar a linha do horizonte
algures entre o céu e o mar...
Se os teus sonhos e ideais
forem pura ilusão...
se tiveres medo de ir longe demais
e perder o sentido da razão...
Não há porque temer
não há porque hesitar;
se um sonho se perder
corre para o agarrar,
não há porque temer, se assim tiver de ser
outro sonho irás sonhar.
Se te deixares levar sem querer
e quiseres voltar atrás...
se de repente o teu dia anoitecer
e acabar a tua paz...
Se receares caminhar sozinho
e não encontrar o fim à estrada...

Foto de Mónica Silva

Rumo ao fim

Começas por ver um amigo fazer
e queres então experimentar,
e mesmo sem saber
começas e não consegues mais parar.
A droga não te ajuda a viver
mas se a tomares, vais sempre querer mais;
nunca conseguirás sobreviver
pois já será tarde demais.
Tudo começa assim
não conseguirás voltar atrás;
caminhas rumo ao fim
se quiseres parar, não vais ser capaz.
Caminhas rumo ao fim
quando achas que a droga te vai ajudar;
é triste dependeres assim
e perderes as forças para lutar.
Tens a vida inteira à tua frente
diz não à droga de uma vez;
mas se quiseres da droga depender

Foto de angela lugo

Rede da Vida

No compasso do teu abraço
Desfaleci de amor por ti
E num lapso de tempo
O anjo da morte o levou

E agora? Que faço sem ti?
Nossos sonhos foram rompidos
Nossa vida foi quebrada
Como uma vitrine de vidro

Sinto-me enfraquecida
Teu amor é que me embalava
Na rede da vida
E fazia-me sentir feliz

Agora a solidão invade meus dias
Todos são incompletos
Fechei-me para o mundo
Não tenho mais o teu amor

O que vou fazer para te esquecer
Nem sei mesmo como aplacar
Essa dor insuportável de te perder
Que faz sangrar meu coração

Você partiu... Sei que partiu
Mas não quero acreditar

Foto de Jorgejb

Retalhos (Vestígios)

Os poemas são retalhos
catados no devir do mundo,
sustento do imaginário,
com que me visto,
destes panos que me tapam,
destas vestes que aquecem
e me guardam.

São palavras paridas
no tempo
nos momentos acontecidos
na soleira de qualquer porta,
são a ternura que se abraça,
e a raiva dos dias
em que chove pólvora,
e o sossego,
é o anátema cobarde
do esquecimento.

Os poemas são a veste que envergo,
lingua do tempo da revolta
gestos de amores
gritados,
dos olhos a brilhar,
da cadência das àguas,
das memórias
desfiadas nas noites
em que a lareira
crepita.

Foto de Ane Franco

Inconstância de Amar

Inconstância de Amar

Amor de instante, sem rumo
Inconstância de um consumo
letal, de ira imoral
Porque abate quando quer
Porque sabe que faz mal

Amor de mel e de sal
De um encontro casual
Não sei
Nada sabe
Não faz mal
Somente os vestígios da alma
Separa o bem e o mal

Amor de abandono a sorte
Onde grita a própia morte
Amor com fome, sem nome
Consome as forças num beijo
Dilacerando os desejos

Só amor...
Sem vida e vigor
Sem esperar um futuro
Sem saudades nem lembranças

Amor marcado sem rumo
Cristal quebrado no escuro
De um coração sem amor

Ane

Foto de Ane Franco

Que Seja...

Que Seja...

Foto de Ane Franco

Só Resta...

SÓ RESTA...
Ane Franco

Sonhos feito de algodão
Pluma leve solta ao vento
Segredos de um coração
Permeião o pensamento
Mentira e tanta iluzão
Num fogo só de paixão
Sacode de fez os sentidos
Onde todos versos escritos
Se vão perdidos ao vento
Jogados, pisoteados
Rascunhos soltos ao chão
Só resta apenas vestígios
De um coração machucado
De quem amou de verdade
Só resta...
Um olhar perdido
Na lembrança uma saudade
Ane Franco

Foto de Nennika

Vestígios...

Já não importa quem errou.
Nem qual de nós...
Por um momento se descuidou...
Deixando que incertezas plantassem duvidas...
E que mentiras alimentassem desconfianças...
Já não importa... mas alguém falhou...
Hoje só existem vestígios...
Pegadas na areia...
De alguém que junto comigo caminhou...
Lembranças... Saudades...
Marcas de uma história que já passou...

Foto de Nennika

Vestígios...

Quero te pedir!
Feche a porta ao sair.
Deixe sobre a mesa,
a copia da chave...
E leve tudo que lembre você...
Não quero lembranças espalhadas pela casa.
Nem quero te ver sair...
Aprendi que saudade machuca
E que lembranças ferem...
Pra nós não existe amanhã...
Melhor eu te esquecer...
Não deixe palavras soltas ao vento.
Agora elas nada podem me dizer...
Plante as num terreno fértil...
Para que possa ver florescer...
Ah! Leve também o porta retrato,

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