A noite havia de ser dura, calorosa, não havia como conduzir-me ao sono. Antes do Sol nascer, estava eu a beira mar, com o meu caminhar, sentindo o vento em meu rosto, ouvindo os cantos do mar, manhã fria, com o sol querendo brilhar. Sentei-me ali, postamente a admirar a beleza daquele imenso mar. Mar que transmite solidão, mas ao mesmo tempo imponência. Faz meus sentidos delirarem, como se a noite se transformasse em dia, e o dia virasse noite. As ondas se quebravam ao alto, formando lindos tubos e rodamoinhos perfeitos. O vai e vem a beira mar, me fazia sempre chegar a pensar, como pode ser tão belo, tão maravilhoso, gostoso de se olhar. Um jovem sentado mais adiante, apreciava a beleza de toda aquela imensidão. Fiquei a imaginar, quais seriam seus pensamentos, com aqueles gestos de leveza que o obtinha com as mãos ao passar suavemente em sua face. Algo não parecia estar tão belo e perfeito assim. Não pude olhar em seus olhos, pois a distância não me permitiria. O Sol começou a subir, e não havia mais como eu permanecer ali. Voltei pra casa, com o pensamento voltado aquele jovem, que estava ali, olhando para o infinito do mar. O dia se passou, e como de costumeiro, voltei a beira mar. O Sol ainda brilhava, mas estava com seus raios fracos, estava se preparando para adentrar entre as nuvens e dar espaço para Lua majestosa invadir céu adentro. Aproximei-me mais do mar, não podendo ver quem estava a me observar. Nem tão longe era, pois com muita percepção podia se ouvir o seu respirar. Ofegante, parece nervoso, ou ancioso. Ali fiquei, sem me exaltar, olhando o sol se pôr, sempre naquele lugar. A imensidão da noite vinha em minha direção, a maré começou a subir, logo eu sabia que não poderia continuar ali. Me levantei, parada ali permaneci ao olhar para a revolta do mar, parecia desnorteado, as ondas não tinham o mesmo caimento, já não estava tão perfeito. Virei-lhe as costas, e me deparei com uma feição jovem, de olhos azuis como o mar, cabelos negros como a noite, olhar apreensivo, meio angustiado. Comprimeitei-o com um sorriso. Ele correspondeu, caminhei em direção a um banco que ali havia, sentei-me e continuei a observar o Mar, a noite foi-se aproximando cada vez mais. Aquele jovem que lá continuara, com as águas próximas aos joelhos já, virou-se e caminhou em minha direção.