Foto de Anderson Maciel

MINHA VIDA

Minha vida é uma estrada
Nela caminho sem parar
Conhecendo essa manada
Que é o meu grande amar
Muitas vezes já chorei
Outras fiquei a me alegrar
Sempre nisso fico a pensar
Nunca longe do alvo
De minha expiração
Centrado em você
O minha eterna razão. Anderson Poeta

Foto de Vadevino

GLOBALIZAÇÃO

Por estar vivendo hoje
Num mundo globalizado
Se o Tio Sam entra em crise
Eu fico desempregado

Foto de Sonia Delsin

“Instrumentos da emoção”

“Instrumentos da emoção”

Ele disse algo
que tocou meu coração.
Chamou minha atenção.
Ele falou:
- sou um estranho no ninho.
- um peixe fora d’água.
- não devia estar aqui.
- não sou daqui.
Encarei o profundo de seus azuis olhos e pensei.
Também eu.
Também eu pertenço à outra legião.
Somos, meu poeta amado, instrumentos da emoção.
Aí é que está o nosso encanto.
Pro faminto de vida somos pão.
Na terra o grão.
Somos (pelo menos tentamos ser) transformação.

Foto de Sonia Delsin

“Que se dane”

“Que se dane”

Se você vem...
Que o mundo se dane.
Se dane.
No mel de sua boca
Me perco.
Me encontro.
Não desmorono o paredão/ estendo a visão.
Outra dimensão.
Você me dá a mão.
Corremos, amor.
De tudo.
De nós.
Nos encontramos em nós.
E eu me pergunto.
Por que tanto não?

Foto de Sonia Delsin

“Te guardo”

“Te guardo”

Te guardo
dentro do meu ser.
Como a mais bela
de todas as manhãs.
Te guardo entre as romãs.
Do cesto sagrado.
Tu és o meu amado.
Eternamente...
... eternamente.
Eternamente.
O meu amado.
Te guardo
num cofre dourado.

Foto de Sonia Delsin

“Tempo de mudanças”

“Tempo de mudanças”

Mudanças.
Nos enchemos de esperanças.
Pode um homem o mundo mudar?
A mídia está a exagerar?
Vamos esperar...
Vamos ser otimistas.
Esperar.
Os erros do passado não se pode corrigir.
Mas, colocar mais luz no caminho novo, podemos conseguir.
Mudanças.
Tempo novo.
Tempo de mudanças.
Vamos ter esperanças.

Foto de Shyko Ventura

"HOMOGÊNESE

" Homogênese "

"Nós e Eles,
Todos eles;
Porquanto nos olhem
Serão sempre eles.
Não são Você, e não são Eu
Eu e Você,
Por tanto te olhar, me apaixonei
E por tão profunda paixão me entreguei.
Você e Eu,
Por me entregar, Você me amou,
E nesse calor intenso do amor,
Você se tornou Eu,
E Eu deixei de existir,
Em nossos passos, havia uma só pegada,
Em nossa vida, existia um só pulsar,
O branco com o preto,
O ar com o vento,
O fogo com a água,
O riso com a dor,
O amor com o ódio.
Nós e eles,
De um infinito de dúvidas,
Nunca entenderão,
Que de dois extremos, se criou um meio,
Um meio de ser feliz,
Um meio de se viver,
Um meio de Eu ser Eu,
Um meio de Você ser Você,
Um meio que, adicionado a outro meio,
Se tornaram um inteiro para se amar inteiramente eterno!"
________________________________by Shykko280109.

Foto de Sonia Delsin

“Tua amada” - Poetrix

“Tua amada”

Sou uma manhã ensolarada.
Fêmea te chamando numa cama perfumada.
Simplesmente quero ser a tua amada.

Foto de DAVI CARTES ALVES

A VIAGEM DA BOLINHA DE SABÃO

No calçadão densamente povoado
as pessoas correm pressurosas,
como se o intumescido formigueiro humano
fosse pisoteado

num impactante contraste
a bolinha de sabão,
feito jóia irisada, centelha de colibri
faz seu pequeno périplo ascendente, suave
sublevando como que sob o som,
de violinos enternecidos

lá embaixo, o olhar adocicado da garotinha
com o dedinho de nacar apontado
obstinada, é puxada com força pela mãe
para o sumidouro arfante das gentes

de súbito, o término da sua viagem encantadora
pluft ploc!
Pensei em como a vida é efêmera
quanta fragilidade, fugacidade
e aquela tenacidade das coisas,
se dissolve, orgulho e prepotência
tudo tão evanescente,
quanto uma bolinha de sabão

dulcificado, lembrei do meu amor
ela é um anjo, é uma mulher?
Não, é um abraço afetuoso,
e perene
o palpitar de minha vida
tão deseperadamente desejada
neste momento do dia...

poesiasegirassois.blogspot.com

Foto de pttuii

O homem que quis matar a luz

Disseram-lhe que a luz morria quando contida num frasco opaco. Bem definida a separação, levantou o cós da bainha do mundo em que tresandava, e pôs-se à coca daqueles raios que os outros falavam em dias de reflexões preconcebidas. Queria sentir nas veias, nos traços azuis de hesitação que lhe pintavam os braços, a dor de decidir o destino ou a felicidade dos que dependiam disto para simplesmente andar. Lembrou-se dos pais do pai que chorava nas tardes de chuva. Eram dois velhos sem pernas, que adoptaram aquele cagalhão, que depois cagou o cagalhão que era. Na súmula destes deslizes, nasceu um mundo cónico. E fora dele corria tudo o que verdadeiramente interessava, porque dentro do irreal já existe o que as pessoas pensam que não lhes fará falta. A luz é sinónimo desta inenarrável certeza de quem respira. Fez de si mesmo aquela chuva de recordações cinzentas que pintava o chão de farelos do mundo que contava, para depois vir o que se prometia. Rasgou o céu acobreado, deu um silvo na água suja que mexia em musica aquele torpor apetecido do entardecer, e morreu tão depressa como havia dealbado. Acocorado, percebeu que tinha hipóteses de sobreviver a um mundo que não conhecia. O que contava depois seriam os instantes fatais de querer ter mais depois de um momento que pouco mais foi que menos.
De novo o céu encolheu o esfíncter. De acobreado a amarelo, e quando o vermelho se desenhou em manchas etéreas, já estava posicionado para o destino. A luz caiu no ponto de não retorno, mas não morreu. Eram pequenas criaturas risonhas que se movimentavam, num bulício dificil de explicar. Agitou o que lhe pareceu ser um momento de viragem no processo da criação, e da luz fez-se noite. E da noite, consumou-se o amor com a madrugada. E quem morreu foi quem quis mudar o que o destino nunca pretendeu deixar de controlar.

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