Foto de Henrique Fernandes

LUME NU DOS DESEJOS

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Leio em prosa todas as curvas do teu corpo
dizendo aos meus olhos o quanto me pertence
sem cessar pelos versos de emoções quentes,
de mim rio jusante à foz das tuas vontades
despojadas no lume nu dos desejos.

Enxotando a distância para rebentarmos a noite,
escravos de um fôlego que desfia a agitação
das estrelas libertas na medida em que nos amamos
num salto em direcção ao infinito,
onde usarás a coroa de sol do meu amor que triunfa sobre todas as cores ao sentares-te
no meu trono de palavras eternas no meu colo.

Palavras soltas na vastidão da verdade
que harmoniza o êxtase das nossas bocas,
diante um grito que age em nós murmúrios inquietos,
erguendo a imortalidade dos astros encadeados
pelo nosso tocar o cume
desprendido da alma.

Pertenço-te como os pensamentos ao silêncio,
lascivo em todo o devaneio à escuta da tua voz
que detém a chave da vida.

Amar-te é o néctar da juventude
que possui o ventre da felicidade,
conservando em nós o fruto suculento de paixão
que devoramos arrojados num perfeito júbilo
de paz...

Foto de pttuii

O pintas escatológico

Cheira-me a paz de orgasmos. E quando o faço por menos que entender esse insulto, pululo por intensidades rosadas. Já me sentia original, todo descoberto, filho de altas pressões estratosféricas.
São esperanças. Pé ante pé, com a lama depurada nos calcanhares. A plantar comida, desvendando fome.
Já fomos húmus. E gritos desvairados, ranger de dentes, rasgos assoberbados de medo. Se nos devemos a algo, talvez seja ao que de original representam os nosso passos. Para tudo, menos para trás. Para trás de onde estamos.
Não esperam por nós sonetos. Nunca fomos feitos do que as estradas nos devem. Quanto muito somos o passos, pés de barro que caminham erectos, vislumbrando. Nem sequer pensamos no que se antecipa do fim. Da possível glória. Mas que glória? Sonos feitos de pedra. Rochosos vislumbres da luz eterna, daqueles sonhos que deixam o homem ainda mais solitário do que sempre foi. Será a solução para aquele mistério intrínseco que nunca soubemos explicar?
Sim, olho em frente. Ando sem ser para trás, a pensar, com achaques diversos para minimizar. Com dimensões, pretéritos por ser perfeitos, banhados em ilusões. Quero ser um desnorteado, mas nem isso consigo ser de mim. Caminho, consciente do que resta para mim.
Passos firmes, superlativos, para tudo caber na esperança de mudar. Para que o que nos torne bons, seja por fim, o fim.

Foto de pttuii

Rosa e quem a vê

Ontem à noite houve amor, a julgar pelo sorriso transversal. Uma boca assim diametralmente oposta ao pescoço, esforçando-se por assegurar os primeiros raios de uma madrugada preguiçosa. Se calhar é Rosa, porque Margarida é branca.
Sem sal.
Incongruências que não há, quando se observa de perfil.
Salta à vista um golpe.
Não, dois.
Com certeza três.
Estão na coxa translúcidamente morena, pouco acima da rótula.
Rosa é recatada, da porta para fora. Mal o último fio de cabelo cor de noz se escapa à prensa da porta do apartamento, muda. E muda porque sim. Simplesmente, porque o mundo não tem nada a ver com um universo de petulâncias auto-impostas. E Rosa gosta.
E Rosa delirou na noite passada. A tranquilidade da auto-confiança, ajudou a que caísse peixe na rede. Foi trazido para casa, dissecado toscamente.Abusado, mas não violado. Rosa gosta do vento que lhe afaga a boca quando tem na mão o coração de um homem. Por isso deixa a janela do quarto aberta. O ângulo é o suficiente para o néscio olho do mundo ver tudo o que se passa. E depois comentar.A manhã rompeu, não particularmente.
Observatório de emoções, não contundentes.
E quem escreve sobre o que vê, assume que adora o que descreve. Mede a profundidade dos supra-citados golpes de paixão. Admira curvas que não são dizíveis na retórica de um criador.Participa, quanto muito, na acção. Na côncava descrição de factos. Não opina sobre eles. Relata-os, esperando que eles se desfaçam na bruma da aceitação de quem lê.
Rosa é por muitos, aquilo que nunca foi por ninguém. Espera pelo mundo, quando ele já há muito que não espera por ela. Nota-se isso, quando deixa cair um toque sensível nas costas de quantos estranhos lhe passam por casa. Afaga-os, dilata-os, diminui esperanças. E hoje saiu de casa com uma vida invisível pela mão. Um, dois, três golpes para trancar o seu mundo, e dois passos para entrar no outro. Aquele que despreza, e dava tudo para exterminar.
Segura a bolsa dos desejos reprimidos, enquanto passa olhos de amendoa pelas primeiras da manhã. Rosa queria que o mundo estivesse sempre de pijama. Que fizesse amor com ele numa perspectiva de desvario cósmico, talvez porque o homem é um eterno apaixonado pelo contínuo da criação. E a mulher imita, porque sempre imitou tudo, para fazer melhor que o homem.
A história acaba, porque tem de acabar. Quem descreve, não é omnipresente. Quem é descrito, não pode perceber que é dissecado.
E Rosa vai voltar logo à noite.

Foto de DeusaII

Procuro-te! Te quero! Dueto deusaii & Von

Procuro-te, por entre os escombros do meu irreal,
Por entre as minhas madrugadas feridas
Já perdidas por noites sem luar.

Procuro-te, por entre as memórias desfeitas
Por entre sonhos mal sonhados,
E desejos nunca tidos.

Procuro-te, por entre a imensidão do meu infinito
Viajo por caminhos desconhecidos,
Por medos impensados,
Mas não sei onde estás.

Procuro-te, então,
Pelos restos de ternura deixada ao acaso
Pela preguiça dos sentimentos que se isolaram.

Procuro-te, por entre almas feridas,
Por entre pesadelos ocultos.
Faço viagens ancestrais,
Em busca do teu ser.

Não te encontro.
Nunca te encontrei,
Apenas sei que algures dentro de ti, existes!

poema resposta.....

TE QUERO MINHA TESUDA

TE QUERO...

Te quero mulher ...
para que possas
todas as fantasias, sonhos e prazeres
de teu corpo em mim realizar...

Quero te satisfazer, e te encher de prazer,
sentir e ver você ter orgamos múltiplos,
no teu saciar...

Te quero minha tesão ...
Para que possa te ver delirar de prazer
escalando meu ápice do amar...

Quero penetrar nas entranhas
de teu corpo e beber o néctar do
teu amar...

Quero te fazer tremer quando no meu colo sentar.
Te penetrar lentamente, te sentindo delirar,
curtir teu gemer nas posições
em que quero te saciar....

Te quero mulher..
para te envolver em meus braços,
beijar teus lábios molhados,
a tua boca carnuda
e após, te fazer mamar ...

Quero que sintas do meu sabor,
e te ver implorando em sussurros
para que logo goze em tua boca
para te saciar...

Te quero meu amor...
para aspirar o perfume de teu buque
para juntos exalarmos nosso cheiro de amor
e delícias do gozar...

Te quero minha tesão...
Para juntos realizarmos fantasias
e envolver-nos em sedução...
E gozarmos muitas vezes
sem pudor em nos realizar...

Te quero minha delícia...
Vem, vamos logo ...
Pois estou muito excitado
com meu penis até molhado
em tanto te desejar...

Vem tesuda, pois tu nem imaginas
o que hoje vou fazer
quando te pegar....

Sonho
Paixão
Desejo
Tesão
Um Eterno AMAR ...

VON BUCHAMAN

Foto de alentejana

«« Insónia ««

Noites de insónia
Noites sem fim
Em que dou por mim
A vasculhar a memória

O que fui, o que sou
O que virei a ser
O que acabo de perder
Porque ando sempre a correr
Quando me dou ou não dou
Para onde vou

Noite de insónia
Porque não trazes a glória
A glória dos sentidos
Dos amores prometidos
Porque trazes na memória
A história dos gemidos
Dos medos vividos
Em noites de insónia

Antónia Ruivo

Foto de Paulo Gondim

Ermo da alma

Ermo da alma
Paulo Gondim
28/11/2008

Do nada, vi surgirem gritos
Ecos surdos na imensidão
Ermo da alma, ausência de calma
Feridas mórbidas de uma paixão

O chamado da morte se avizinha
Na sua voz rouca de terror
Gemidos soam pela noite afora
E o céu se enche de pavor

Notícias tristes que se espalham
Em remessas sórdidas do além
Doses inócuas de frio desalento
Cartas que ficam, outras que não vêm

E de um vale escuro e tenebroso
O escarro fúnebre já se faz ouvir
No beijo fatal, último e derradeiro
Da criatura feia que se faz sentir
******
Título anterior: "o chamado", modificado com aprovação da poetisa DARSHAM.

Foto de pttuii

A arfar

a arfar,
o frio tornava
menos duras
as coisas mais rudes,
o dia deixava-se pedir
às coisas menos fáceis
de concretizar,
quando as pessoas
constavam que de
si mesmas nada
transpirava exangue,
a arfar,
soluçavam por cegueiras
de cristal,
assim o que de noite,
restava,
depois de arfar....

Foto de Sonia Delsin

TALVEZ...

TALVEZ...

Talvez a janela aberta
fosse
tudo para ela.
A janela aberta
e
a rosa amarela.
Talvez...
Talvez a asa curada
fosse a esperança dela.
Talvez o vôo
fosse
todo o seu desejo.
E quem dera
lhe chegasse
no meio da noite
o sonhado beijo.

Foto de Sonia Delsin

PRA TI EU CANTARIA

PRA TI EU CANTARIA

Se tu tivesses um tempo pra me ouvir.
Eu cantaria pra ti.
Uma linda canção eu cantaria.
Penso.
Haverá um dia?
(Tempo...)
Tempo.
Se pudesse, abriria o peito e a voz soltaria.
Cantaria.
Uma linda melodia.
Alguma coisa que com tua sensibilidade mexeria.
Eu cantaria.
Sei que amas minha poesia.
Mas se pudesse de outra forma eu me expressaria.
Minha voz te penetraria.
Almejo este dia.
Este dia de cantoria.

Foto de pttuii

Diário dos porquês contraditórios

Abandona-te ao desejo. É simples. Aperta o coração entre as tenazes de uma alma forte e persistente. Só se conseguires dominar-te a ti mesmo, conseguirás abarcar a essência da vida. Podes resistir. Mas não passes os limites do razoável. A força de um ser humano esclarecido, far-te-á manter nos carris de uma existência saudável.

Eu descrevi a minha experiência no pergaminho dourado dos seres vulgares. A viagem começou por caminhos solitários. O meu transporte era um simples corcel. Conheci pessoas, visitei lugares, mas nunca alcancei a felicidade. No entanto, ganhei a noção de que a vida nunca pode ser um dado de faces rasas.

Deixa sempre pelo menos uma margem irregular. A tropeçar nas irregularidades do caminho, sobes no termómetro do razoável. Enriqueci, fiquei mais duro. Subi pela primeira vez à quadriga da maturidade. Senti-me bem. Quem interessa, surge sempre neste momento. Conheci o dono da caridade e da benevolência. É um ancião decidido, de peito cheio, e que não deixa para trás nenhum assunto por resolver. Ensinou-me a respeitar o próximo, mas tendo em conta a sempre necessária margem de interesse próprio. Achei-o, não obstante, pouco preciso nas considerações que tecia.

Perguntou-me se eu tinha planos para deixar a minha marca no mundo. Preferi não ser directo na resposta. Comprometi-me apenas a não desiludir os fantasmas que dormem comigo todas as noites. Aprendi, desde que me conheço, a partilhar a minha cama com os guardiões da pequenez de espírito. Conciliei-me com duas criaturas que não incomodam, e primam pelo completo desalinho com o que é conveniente.Quando parecia querer alcançar alguma mestria a manejar as rédeas da quadriga, o tempo mandou-me parar. Ordenou-me que descesse porque a velocidade me estava a fazer mal.

Conheci formalmente a mulher que dorme comigo nos dias que correm. Prefiro não saber o nome dela. É melhor assim. Interiormente sinto-me bem na sua companhia. Dá-me tranquilidade, e parece conhecer os pequenos pormenores do enigmático puzzle da felicidade. Mas o desejo. Eu sei descrevê-lo, consigo recomendá-lo a quem eu escolho. Só que me falta qualquer coisa. Talvez se acabar a página do diário da solidão que me entretém há tanto tempo, me possa aproximar desse desígnio.

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