Foto de Sonia Delsin

CORTINAS ESVOAÇANTES...

CORTINAS ESVOAÇANTES...

Elas balançam...
Cortinas azuis.
Lá fora canta um sabiá.
Um canto de arrepiar.
Também lá fora na caneleta de bambu a água está a cantar.
Canta lá fora um galo grande, carijó.
Quanta saudade no meu coração tão só!
Canta também um moinho.
Ouço até o som estridente de um prego que se enrosca na mó...
E eu aqui sozinha a recordar.
Chega a doer. Chego a chorar.
Mas depois eu penso.
Quem tem um mundo destes guardado não pode ter medo do passado.
As cortinas balançam.
Meu coração balança.
Fico lembrando a menina de trança.
Fico lembrando fatos... tudo me chega... nem olho os retratos.
Está tudo no coração.
Cada instante.
Pois vivi intensamente.
Só entendo a vida com paixão, com emoção...
O superficial não me atrai em nada não.

Foto de Sonia Delsin

PASSA O TEMPO

PASSA O TEMPO

Passa o tempo.
O vento.
Tudo vai ficando lá atrás.
Tudo.
Os risos, os prantos, os cantos.
Hoje canto outras canções.
Tenho outras ilusões.
Passa o tempo. Passa.
O que fomos foi.
O que éramos era.
O que tivemos já não temos.
Mas a vida é assim.
Morre uma flor.
Floresce um novo jardim.
Jardim do tempo.
Jardim da vida.
Já não florescem as petúnias.
Não as semeio mais.
Semeio flores diferenciadas.
Caminho por outras estradas.
Sou...descobri que sou.
Que pelo caminho vou.
Eu levo sorrisos e rosas.
O tempo passou.

Foto de Sonia Delsin

INTOCÁVEL

INTOCÁVEL

Acaricio levemente meus lábios macios.
A pele de minha face...
Fecho os olhos.
Acaricio meu nariz, as sobrancelhas. Os cílios.
Deslizo os dedos por entre os meus cabelos, afago minha testa...
Me pergunto:
O que me resta?
Continuo acariciando meu rosto.
Se bem que tem hora que isto me traz um desgosto.
Me traz lembranças.
Tantas mentiras.
Ou não foram?
Quem é que sabe a verdade inteira.
Choro por besteira.
Desço os dedos pelo pescoço. Busco meu colo macio.
Os ombros ossudos.
Noto que estou mais magra.
Desço pros seios.
Ainda belos.
Ainda.
Desço mais.
Paro a mão no umbigo.
Penso na minha mãe.
Num dia tão longínquo.
O dia que cheguei aqui.
Ela diz que eu sou uma sobrevivente.
Que nasci de forma diferente.
Mas que dia aquele!
Chegava uma poetiza no mundo.
Já nascia fazendo poesia.
Trazia alegria.
E também dor.
Continuo a deslizar a mão pelo meu corpo.
Membros, curvas...
Converso a beleza.
Agora eu quero falar de uma beleza intocável.
Aquela que não se alcança com dedos.
Mas com o coração.
Houve um homem que me acariciou assim um dia.
E pra ter de novo este homem o que eu não daria.

Foto de Andre Luiz M Brum

Soneto da Criação

No universo, duas forças desvairadas
Que se encontraram se contorcem, os ventres nus,
Numa hecatombe colossal em meio ao nada
E de repente no universo fez-se a luz

Na esteira desse enorme turbilhão
Dejetam mundos orbitantes e febris
Numa profusão de planetóides infantis
E deu-se assim por encerrada a criação

No universo paralelo de teu quarto
Uma outra hecatombe se inicia
Eu planto a luz no teu ventre, “caos fecundo”

Criando assim também nos dois, o nosso mundo
E de repente onde era noite fez-se o dia
E fez-se a nós dois seres nus, num mundo em parto.

BRUNO

Foto de CarmenCecilia

PALAVRAS

PALAVRAS

Palavras...
Soletradas...
Desencontradas
Encantadas.
Sem sentido
Coloridas
De emoção
E comoção
Do coração
E da razão
Mescladas
Infladas
E aladas...
Vislumbram
Vibram
Consoantes
E vogais insinuantes
Num vai e vem
Incessante
Mudam
Permutam
O som...
Ecoam
Buscam
Rebuscam
Sonhos
Entremeados
De achados
E significados
Palavras semeadas
Germinam
Conjugam verbos
Advérbios...
A rotina
E o mistério...
Idéias... Ideais...
Sem iguais
Um universo
Inverso...
Em prosa
E verso..
Palavras
Apenas palavras...

Carmen Cecília

Foto de Joaninhavoa

Quem És Tu

P`ra me perguntar
Meu amor
O que foi
O que aconteceu
Tu não vês
Meu amor
Sem pontos
Sem vírgulas
Sem exclamações
E exaltações
Sem travessão
E interrogação
Tu não és aquele
Que tudo vê
Pois em verdade
Te digo
Meu amor
Tu estás cego
D`amor

JoaninhaVoa, In “O Meu Amor”
(25/04/2008)

Foto de Enise

Como borboletas...

Foto de Enise

Poesia em desalinho

.
.
.
.
Letras perambulam
em turbilhões
choram, gritam
clamam por rimas
por sensações...

Letras espetam
machucam
se moldam
florescem
entram no clima
nas criações...

Palavras fervem
seguidas
atrevidas
despertam versos
tão submersos
nas crivações ...

Poesia fora de forma
em desalinho
aporte
me recorte
em

p
e

d
a

c
i

n
h
o
s
.

Enise

Foto de HELDER-DUARTE

ARTISTAS CANTANDO

Foto de Andre Luiz M Brum

Solitária

SOLITÁRIA

Nas roscas da luxúria geme a virgem
Lasciva se abandona à vertigem
Impudente, tremeluz à luz da vela;

Sua forma revelada entre as cobertas,
As pernas arqueadas, entreabertas,
Estertora entre soluços a donzela.

Tola, se entregou a tal amante
Hirta e resoluta, jaz arfante,
Num doudo e ensandecido gozo;

Um rubro refulgir cobriu-lhe a face
No lânguido torpor do desenlace,
Sob o manto da penumbra foge o esposo.

Feéricas visões no teto dançam,
Luzes mornas no leito solitário lançam
Soturnas sombras, enleadas de langor;

Ele célere voltou p’ra outros braços,
Tredo, se aninhou noutro regaço,
E deletério, se entregou a outro amor.

Efêmera, translúcida alma,
Só agora te sobreveio a calma,
Só agora a solidão te basta;

Só agora aplacou seus medos
Só agora repousou seus dedos
Qu`agora brincam na cabeleira vasta.

Mas súbito a noite cai feito mortalha,
Nas árvores um vento lúgubre, farfalha,
Espalhando folhas secas pelo chão;

A ausência do amado tange o leito,
A ausência de amor lhe cinge o peito,
Qual adaga lhe trespassa e fere então. . .

Preada aos grilhões do sofrimento,
na falta do amado ,um tal tormento,
Que até mesmo dessa vida el`abriu mão;

Tens por sarcófago o corpo frio, por cripta o leito,
E por túmulo vazio, tens no peito,
uma lápide em lugar do coração.

Alva, transparente pousas nua,
Pálida, nitente à luz da lua,
Seu nítido contorno me seduz,

Debalde luta co`a tristeza, jaz cativa,
encerrada em seu sepulcro, morta- viva
qual vampira, refugia-se da luz.

Mas não! . . . basta! . . . um chamado,
Da vida, nas vertentes, ouço um brado,
Ë o sol qu`inda te clama, estais VIIIIIVAAA!!!

E te vejo ressurgir com passos tortos
Como Lázaro, rediviva, vens dos mortos,
Do étereo despertada, vens altiva.

Vem p`ra vida que é certo. . . Ah quem me dera!
Que um novo amor aqui `inda te espera,
Ademais, também, ainda sois tão bela.

Enterra os mortos e o passado lega à lama,
E sai desse torpor, formosa dama,
E vai viver a vida minha donzela.

BRUNO

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