amor

Foto de Ge Fazio

Sou Água

Sou Água

Ao sentir o ar... Disparo e gritos e,
Choro...
Choro por um elo que começa a se romper
Deixando-me fora...
Expelindo-me.
De um espaço onde fui acalentada, alimentada, acariciada.
E muito esperada.

Acordo e inicio a grande caminhada...
Minhas células multiplicam-se...
Ávidas por entender se é preciso
Caminhar...
Chegar até onde? Porque? E para quê?
Caminho...

Em momentos, percebo muitas retas...
Lindas! Muitos pássaros a cantar.
Campos floridos.Em cada flor
Em cada pétala... Um perfume.
Uma cor.
Onde estou?
Passo por grandes várzeas... Há muitas saídas...
Em cada uma, paro, penso, refaço o meu trajeto...
Caminho...

Opto por uma trilha, estreita, mas... Há muitas pedras.
olho ao lado, vejo a água... Correndo mansamente por entre as pedras
Num leve borbulhar, acariciando cada obstáculo... E transpassando...
Lentamente em busca de um lugar.

E, resolvo imitar... E percebo que as águas encontram-se...
Juntam-se, tão iguais, impossível separar... Distinguir...
Sigo o meu caminhar...

Penso que sou água...
Movimento, corro, caminho, passo entre as pedras... E,
Procuro meu lugar.
Mas, se sou água... Que faço nas subidas?

Não devo procurar e encontrar só outras águas...
Tenho um lugar para chegar...
Vejo-me passando... Transpondo barreiras...

Humildemente te procuro...
Empresta-me seu ombro... Seu colo...
Não caminho mais sozinha...
Transporta-me.
Coloca-me em teu suor... Em tuas lágrimas
Coloca-me em tua vida
Transporte-me...
Caminho!

Ge Fazio

Foto de Edilayne Campos

Serei

Serei poeta quando algum poema você quiser escutar.
Serei cantora quando que com música quiseres se embalar.
Serei aluna quando tiveres algo a ensinar.
E professora quando quiseres aprender.
Querendo ou não serei amante,
A todo instante alucinante.
Farei-te rir, e também chorar.
Serei magoada, mas lhe perdoarei.
Serei eterna, se seu desejo deixar,
Ou inesquecível, se antes a vida me levar.
Serei mais uma, mas serei única.
Serei o que for, mas serei para sempre o seu amor.

Foto de Mabel

QUANDO EU ME CHAMAR SAUDADE...

Quando eu me chamar saudade!...
Não chorem por mim, a vida tem continuidade’
Pensem em mim com a nossa vida vivida a felicidade’
Dos tempos vividos sempre com cumplicidade.
Quando eu me chamar saudade...Meu filho!
Lembre da felicidade, como nosso brilho.
Brilho que tivemos e teremos em nossas vidas.
Não chore, querido, mas nossa lembrança viva.
Quando eu chamar saudade...meu amor!
Não quero que minha ausência lhe cause pranto ou dor,
não quero que chore, fazendo da vida grande dissabor
Quero apenas que lembre nossa vida com muito amor.
Quando eu chamar saudade...Meus irmãos!
Quero que recorde nas vidas partilhadas com união.
Que nossos pais,conosco, da alegria tenham visão.
Que estejamos sempre sintonizados em seus corações
Quando eu me chamar saudade...Meus amigos!
Lembrem de como vivemos desde tempos antigos,
Esquecendo a tristeza, é natural, não tenham consigo.
Lembrando que a partilha da amizade foi nosso abrigo.
Quando eu me chamar saudade...
o que aconteceu meus queridos?
é que esqueci, que os nossos que se foram...
agora chamam SAUDADE!

Foto de Lou Poulit

O Anjo-Arlequim

Porque a noite é fria ele canta
E canta... Canta e canta
mas porque nem uma única estrela se oferece
Ele sonha... Sonha e sonha.
E como não pode carregar
O cravejado antigo da sua manta
Ele se aconchega nas próprias asas.
Amanhece e sai dizendo gracinhas pela rua
Porque não pode ser seu arlequim.
Por que ela não quer ser rainha sua?

Então passa por muitos lugares
E os seus cantares tocam velhos e crianças.
Mas por ele passam tantas lembranças
Vãs recordações, que ninguém sabe
E elas também lhes fazem desdém
Como se seus cantares não valessem a pena
Como as estrelas tantas
Da sua manta de arlequim.
Espanta que não possa carregá-las
Mas que não faça as malas da alma
E se lave com água-de-alfazema
E de si mesmo se despeça.
Como pode um anjo não conhecer a própria palma?

Não podem ser como os homens do mundo
Que pensam o que não são
E são o que não querem.
E que pensando amar ferem o querer bem
Porque querem apenas possuí-lo.
Arlequins são efêmeros, profundos os anjos
Mas desses marmanjos nenhum pode ter a rosa.
A um, só cabe possuir a prosa
E ao outro o silêncio.
A quem poderiam então interessar?

Talvez possam um dia...
Quando forem um, bastante
Perante a estrela que não se anuncia
Porque sempre foi refém
De possuir a noite e o dia
E porque guardou o seu vintém
Para o momento certo... bem perto da fonte
Onde junto com ela se esbata, nem ouro nem prata
Quando não quiser possuir
Mas possuir o estar possuído.
Então ambos poderão possuir o momento...

Era ela quem esperava por ele...
E por ambos a vida de um amor exercido.

Foto de Lou Poulit

Esperança

O silêncio guarda o vulto
Que esconde o grito na garganta.
Contrito, tanta prece oculto
Que nem sei (vingança ou indulto)...

E não há sinal que cesse
A ânsia de saber, que se insinua.
Por quê o mar adormece
Me esquece assim?
Por quê não se importa?
Sábio e assim inerte aborta
Tudo o que a razão acalenta;
E com a dança lenta das estrelas tenta
Me tomar de mim, que vale a pena!

Daria tudo, só para ouvir
O estrondo de uma folhinha qualquer
Pondo o pezinho no insuspeito do espelho.
Mas nem mesmo esse efêmero salto
Ínfimo e cauto, sobre o oceano
(Além de esperar o tempo certo)
Me permite o claustro humano!

Quisera agora ter o peito aberto
Possuído por estrelas e astros.
Ao menos seus rastros depois eu teria!
Uma teoria, mesmo lúdica
Mesmo pobre, mesmo pudica
Comprada com um vintém no seio
Para me pacificar manhosa e mansa
No largo vau em que tateio
Um modesto resto de esperança.

O silêncio guarda o culto
A uma deusa antiga e oferecida.
Mas que não se pode imolar
Sem imolar a própria vida.

Foto de Lou Poulit

A Fruta e o Pássaro.

Se me guardo, navego
Se me entrego não volto.
Porque quero me solto
Porque temo me prendo...

Me fendo como a fruta
Que um pássaro perscruta
E me agarro ao meu talo
E me calo... E me odeio
E me odeio e me odeio e me odeio.

Eu receio o seu espaço
Despencar da canção
Ficar só de cansaço
E ser comida no chão...

Me fendo como a fruta
Que um pássaro desfruta
Mas te sonho e te tramo
E te amo... E te amo
E te amo e te amo e te amo.

Foto de Lou Poulit

Onde Não Cesse, Estará Consumado

Era como se eu já soubesse.
Bem no fundo da alma tinha certeza.
O tempo, caminho e correnteza
Levam o silêncio da alma em prece.

Onde não cesse, estará consumado.

Vinham nos ares da jornada calma
Floradas, raios de luz no sereno
Insuspeitas ofertas, veladas na palma
Suavam o vinho no copo pequeno.

Onde não cesse estará consumado.

Vagando, o desejo rondava o deserto
(O vulto sensorial de uma mulher assedia).
Cravado em minhas areias, estreito, incerto
Espreito, depois do olhar o raiar do dia.

Onde não cesse estará consumado.

Foto de Lou Poulit

As Nossas Manhãs

Porque são as manhãs
Tão humildes manhãs
Saram o que as noites cortam
Lavam, abortam estrelas vãs
Vem que me desperta
Essa rosa madura
Sob a renda flerta
Captura o meu instinto, vem
Me joga no orvalho do jardim.

Vem de mim por ruas dormidas
Que dores banidas
Não despertarão tão cedo...
E ninguém contará a ninguém
Que ainda tenho medo...
Porque são as manhãs
Tão humildes manhãs.

Porque são a manhãs
Tão lúcidas manhãs
No estreito vão da janela
Um corpo que foi meu se esfarela
Num rastro distante
Guardo os pássaros no peito claro
Ardo... E perto me declaro amante
Vestindo as chamas
Que restam das velas
Dançando com elas, beijo
Beijo e protejo o seu despertar.

Porque são de carícias
As nossas milícias
Cavalgadas e reconquistas
Quando o sol entrar pela janela
Jamais sairá nas revistas...
Mas são nossas manhãs
As mais belas manhãs.

Foto de Lou Poulit

Os Instantes do Poeta

Torpes versos que de mim me tocam
Enfocam imersos momentos nossos,
Torpes, trágicos, tacanhos troços
Que fizemos ao sabor do instante.

O meu desafio é escrevê-los
Como novelos arrumadinhos,
Tantos os embaraços do zelo
De crer que viver valeu o instante.

Poesia... Ah, por que não me suplica
Uma relíquia, lembrança boa
No vácuo que de mim se apessoa,
Como um pálio desça ao fim do poço,
Onde cravo essas unhas mestiças
Feitas de uma sucessão de ancestres,
Mestres meus que me vêem tão moço:
Não vejo a luz imensa desse instante!

É nas mais frias noites sombrias
Que, ausentes a lua e os seus amores,
Mais ouvimos os nossos tambores
E mais cintilam brilhantes instantes.

Acuda-me, minha poesia
Com sua manhã, seu gume de luz!
Antes que me percam os instantes nus,
Que me prendem no altar dos instantes.

Porque somos amantes nossos,
Nas fogueiras das próprias cavernas,
Bastará o viço das nossas pernas,
Soberbas, aos rumos dos instantes.
Mas quando me aposso dos meus ossos
Que as manhãs não puderam roer...
Minhas pernas a tantos lugares
Não iriam nem por um instante!

Ah, poesia... Que não me suplica!
Ensurdece o promíscuo suplício
De ser assim um poeta de mim,
De versos íngremes, desde o início,
Tortuosos como os meus instantes...
Então, poesia lhe suplico eu:
Se meus versos têm que ser tanto assim
Cajado do meu próprio levante...

Diga a ela que sobre os seus ombros
E no seu dorso, crespo do nosso amor,
Me levaria... E aos meus escombros...
Antes lhe poupo dos meus instantes.

Diga a minha amada que não a esqueço,
Que apenas pago o preço das manhãs.
Que a rosa range pétalas sãs,
Mas sobre os meus ombros... Julga o instante!

Foto de Senhora Morrison

Beija-me Amor

Beija-me a face amor
Num ato de solidariedade
À minha dor

Beija-me a face amor
Acolhendo dela a lágrima
Na busca dos olhos de seu feitor

Beija-me a face amor
Agora gélida e pálida
Despedindo-se daquela

Que sempre lhe amou.

04/01/2007
Senhora Morrison

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