Alma

Foto de tchejoao

Aparência

Parecia que vinhas
Com as mãos cheias,
De um dia passado
Num campo de estrelas,
Tanto olhavas, admirada,
Para o fundo da concha
Que com elas formavas.

(Mal sabia, quem te via,
Que entre tuas mãos queimava
Uma saudade mal-curada,
Que a tua alma consumia.)

Parecia que cantavas,
E era tão doce a tua alegria,
Que à noite iluminavas,
Como o sol dá luz ao dia.

(Mal sabia, quem te ouvia,
Que era tristeza o que entoavas.
E, se tua voz era suave,
É porque a dor, sempre tem,
Algumas formalidades:
Primeiro dói,
Depois corrói,
Então vira enfermidade.).

Foto de tchejoao

A Hora da Razão

Chega um momento, quando abrimos
Nossa caixa de sonhos e de planos,
E ela está vazia...
E não temos mais lágrimas, nem dor.

Chega um momento em que não temos
Mais saudade, ou medo, de perdermos,
E ficamos na sala vazia...
E não sentimos mais a falta de amor.

E os olhos, castanhos e secos,
Já se acostumaram a escuridão.
Só os olhos, castanhos e secos,
Mirando o presente...
Sem fantasias, sem mágoas, sem luz.

Chega um momento em que somos
A falta de tudo o que quizemos,
E com a alma, alegre e vazia:
1) Agradecemos o que temos;
2) Nos conformamos com o que somos;
3) Acreditamos que a vida é mesmo é assim...

Chega um momento, quando abrimos
Nossa caixa de sonhos e de planos,
E ela está vazia... Então, pensamos:
Depois que nos curamos,
aos enfermos nos unimos...

Foto de Remisson Aniceto

Poema do só

Viver não me importa:
minha Rosa está morta!

Secou no jardim
com falta de mim.

A vida em comum
fez nós dois sermos um.

Ela partiu ontem à tarde:
fiquei só a metade.

Aspiro o tormento
que vem com o vento.

Perdi minha calma:
fugiu com sua alma.

A morte é a esperança,
não quero a lembrança.

Voltar não resolve,
sua vida não volve.

Ficar não consola,
a dor me assola.

Seguir é inútil
na estrada tão fútil.

Quero que anoiteça
e não mais amanheça.

Viver não me importa:
minha Rosa está morta!

Foto de tchejoao

Sem Saída

A noite me deu um forte abraço
E disse que, agora, precisava ir.
Gentilmente, beijei-lhe o rosto,
E fiquei à janela vendo-a partir.

De oeste, chegava o sol, suando,
Com a pressa que sempre tem,
De ir a tudo e a todos iluminando
Como se o escuro não fizesse bem.

O certo é que pouco importava,
Para mim, aquela movimentação:
Pois, se a um lado se ocultava o nada,
De outro brilhava a desolação.

(Tal qual minh’alma repartida,
Descolorida de desencanto:
Machuca-lhe tanto a despedida,
Mas, melhor, não lhe faz o reencontro.)

Pouco há a se fazer na vida
(Nesta que tenho, não a que anseio):
Senão estar pronto para despedidas,
E seguir sufocando o “Eu Renuncio!”

Foto de tchejoao

O Tato e o Movimento

Parei, com as mãos, o vento,
E, em uma de suas voltas, depositei
Minha coleção de sentimentos. Depois,
Abri as mãos, e o soltei.

Virei-me, então, de costas,
Para que não me visse partindo:
As mãos, sobre o peito, postas,
A vida, pelas mãos, saindo.

Por esta forma - Inconcebível! –
Joguei toda minha esperança:
Que um vento vário e irascível,
Chegue a ti, em sua andança.

Nunca vi tanto desespero,
Uma alma tão sentida,
Quanto naquele, que ao destempero
Dos ventos, joga a própria vida!

Serenado, o movimento, suspensa
A vida por um fio, passa
O tempo em silêncio. Densa,
A alma sente frio e serenamente cessa.

Foto de Soninha Porto

Oração ao vento

Assovia minuano....

ó deus das fortes correntes
dos barulhentos vendavais
das refrescantes brisas
do frescor das aragens

leva longe minhas dores
torvelinho de desenganos
ventila os sofrimentos
areja meu triste cotidiano.

sopra forte minuano
rodopia o ar frio
congela como morte
meu eu, todo este vazio

varra meus doídos pensamentos
mistura-os às folhas que caem
arrasta tal rajadas de lamentos
as tristezas que se esvaem...

ó deus do vento insano
seca minhas lágrimas
arrepia minh'alma, minuano
esparrame-se em rimas

vento do sul a espreguiçar
Em tão gélidos movimentos
clarifica o céu cinzento
risca o azul deixando-o cintilar

Assovia minuano...

Soninha Ferraresi Porto®

Foto de @nd@rilho

SEDE DE AMOR

Quando nossos olhos se encontram,
Uma vontade louca se apossa de minha alma,
E mergulho cegamente nas águas profundas do seu olhar,
E nesse momento mágico,
Em que o tempo parece não existir,
Navego calmamente pelo seu corpo,
Sentindo a volúpia que toma conta de ti,
Encontro seus lábios sedentos,
Saboreio cada beijo, como se fosse o ultimo,
Tomando cada gota de ti, sacio minha cede de amor!

Foto de LordRocha®

Solidão...

Sem você, busco no infinito do quarto;
Na extensão da minha cama;
No calor e no perfume do travesseiro;
Uma noite de descanso, paz, alento.

No silencio, ouço sua voz a sussurrar;
Sinto seu corpo a me tocar, acariciar;
O calor percorre meu corpo, sinto você;
Abro os olhos e a solidão me domina.

Seu cheiro ainda está em mim;
Ainda sinto seu corpo no meu;
Seu calor ainda me domina;
Mas você não está aqui, estou só.

Sinto uma lágrima correr na alma;
Volto a pergunta que não se cala;
Até quando ou quanto ainda agüento?
Devo ou não agüentar, por que agüentar?

Novamente na interrogativa, sem resposta;
Na solidão que domina minha existência;
Durmo embalado pelos meus devaneios;
E me pego a sonhar, sonhar com você.

Foto de Soninha Porto

POESIA: FILOSOFAR SOBRE A VIDA

A poesia filosofa sobre a vida...
filosoficamente...

mente entre dentes
e correntes.

sente a prisão
visão das abstrações...

liberdade, verdades
realidades do ser ou não ser

do poder, do querer,
do viver

simetrias, analogias
Tudo é poesia

inquietude, atitudes
plenitude a arder

morder o imaginário
binário do homo

efervescência do pensar...
filosofar sobre o tudo e o nada

cada filo, cada sépala
pétalas do cálice que derramam-se

poesia é o lírico, o épico
picos entre o banal e o ardente

do casual e do vicio
de ter a alma nas mãos.

é a curiosidade de ver
investigação do saber ser

Soninha Ferraresi Porto®

Foto de Ednaschneider

Sonho

Esta noite contigo sonhei.
Sonhei que trocávamos um lindo beijo.
Quando acordei chorei.
E sufoquei os meus desejos.

Neste sonho teus olhos sorriam
E teus lábios me aqueciam.
Eu simplesmente me entregava
Enquanto me dominavas.

Que coisa triste, eu acordando!
Ver que tudo não passou de uma ilusão
Parecia tão real quando estava me tocando
Que não parecia um sonho tanta paixão.

Parece que minha alma foi de encontro à sua.
Enquanto eu na cama estava nua
Tínhamos um encontro espiritual.
Algo meio sobrenatural.

Que solidão!
Esta distância que me deixa louca
Estou dentro do seu coração
E longe de sua boca!

Este sonho foi amostra do meu sufoco
Pois desejo você a cada momento
Quero sua alma quero seu corpo
Quero você com teus sentimentos.

Você me ama
E até nos sonhos foges de mim.
Por que esse calor que me chama?
E por que tem que ser assim?

Quero te beijar, quero você!
Não quero mais chorar, nem sonhar.
Quero te amar!
Quero viver!

30 de maio Joana DArc*

*Direitos reservados à autora

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