Medo

Foto de teziack

Hollow

Sim, os vencedores nunca desistem!
Oh, renunciados não encontraram o caminho do céu!

Solitário o bastante para querer outro segundo.
O quanto selvagem é preciso ser
Para controlar o corpo vencido, o copo vazio, a longa caminhada até o horizonte?

Oh Senhor veja!
O quanto estou cansado!
Dono do próprio medo!
Nada do que me orgulho.

Oh senhor!
Vencido, algoz do próprio exilo.

Foto de Paulo Gondim

Lembranças (cordel)

Eu me lembro que assim mamãe rezava
Se apegando com fervor à devoção
De joelhos, mãos postas em oração
Uma lágrima nos olhos lhe brotava
A pedir pela prole que criava
E que não fosse tão dura a caminhada
E cada um fosse feliz nessa jornada
Era assim que na reza ela pedia
Para nós, Deus na frente e paz na guia
Quem tem Deus não tem medo de mais nada

Foto de Jardim

chernobyl

1.
sons de violinos quebrados vinham das montanhas,
uivos de lobos noturnos,
varriam as imagens das imaculadas ninfas
enquanto se ouviam as vozes dos náufragos.
o príncipe das trevas desceu disfarçado de clown,
bailava num festim de sorrisos e sussurros.
a nuvem envolvia a cidade com seus círculos febris,
se dissolvia nas ruas em reflexos penetrantes,
coisa alguma nos rios, nada no ar e sua fúria
era como a de um deus rancoroso e vingativo.
a morte com seus remendos, oxítona e afiada,
distribuía cadáveres, penetrava nos ossos, na pele,
nos músculos, qualquer coisa amorfa,
alegoria da inutilidade das horas.
agora este é o reino de hades
os que um dia nasceram e sabiam que iam morrer
vislumbravam o brilho estéril do caos que agora
acontecia através del siglo, de la perpetuidad,
debaixo deste sol que desbota.
o tempo escorre pelos escombros,
o tempo escoa pelos entulhos de chernobyl.

2.
meu olhar percorre as ruas,
meus passos varrem a noite, ouço passos,
há um cheiro de sepultura sobre a terra úmida,
um beijo frio em cada boca, um riso
estéril mostrando os dentes brancos da morte.
não foram necessários fuzis ou metralhadoras.
mas ainda há pássaros
que sobrevoam as flores pútridas.
aqueles que ainda não nasceram são santos,
são anjos ao saudar a vida diante da desolação
sob este céu deus ex machna.
aos que creem no futuro
restaram sombras, arcanos, desejos furtados,
resta fugir.
uma nuvem de medo, ansiedade e incerteza
paira sobre o sarcófago de aço e concreto da usina.
asa silente marcando o tempo
que já não possuímos.
pripyat, natureza morta, vista através das janelas
de vidro dos edifícios abandonados
sob um sol pálido, ecos do que fomos
e do que iremos ser.
pripyat, ponto cego, cidade fantasma,
os bombeiros e suas luvas de borracha e botas
de couro como relojoeiros entre engrenagens
naquela manhã de abril, os corvos
seguem em contraponto seu caminho de cinzas
sob o céu de plutônio de chernobyl.

3.
e se abriram os sete selos e surgiram
os sete chifres da besta,
satélites vasculham este ponto à deriva, seu nome
não será esquecido, queimando em silêncio.
os quatro cavaleiros do apocalipse e seus cavalos
com suas patas de urânio anunciam
o inferno atômico semeando câncer
ou leucemia aos filhos do silêncio.
os cães de guerra ladram no canil
mostrando seus dentes enfileirados, feras famintas,
quimeras mostrando suas garras afiadas,
como aves de rapina, voando alto,
lambendo o horizonte, conquistando o infinito.
eis um mundo malfadado povoado por dragões,
a humanidade está presa numa corrente sem elo,
sem cadeado, enferrujada e consumida pela radiação.
vidas feitas de retalhos levadas pelo vento
como se fossem pó, soltas em um mundo descalço.
vidas errantes, como a luz que se perde no horizonte,
deixam rastros andantes, vidas cobertas de andrajos,
grotescas, vidas famintas e desgastadas,
que dormem
ao relento nas calçadas e que amanhecem úmidas
de orvalho, vidas de pessoas miseráveis,
criaturas infelizes, que só herdaram
seus próprios túmulos em chernobyl.

4.
mortífera substância poluente, complexa,
realeza desgastada que paira nos ares
da pálida, intranquila e fria ucrânia
envolta no redemoinho dos derrotados.
gotas de fel caindo das nuvens da amargura,
sobre a lama do desespero, sobre o vazio
da desilusão, no leito do último moribundo.
cacos, pedras, olhos mortiços, rastros cansados,
inúteis, o sol das estepes murchou as flores
que cultivávamos, descolorindo nossas faces.
seguem os pés árduos pisando a consciência
dos descaminhos emaranhados da estrada,
na balança que pesa a morte.
no peso das lágrimas, que marcaram o início da dor,
restos mortais, ossos ressecados, sem carne,
devorados pela radiação, almas penadas
no beco maldito dos condenados, herdeiros
da abominação, mensageiros da degradação,
horda de náufragos, legião de moribundos.
o crepúsculo trouxe o desalento e as trevas, a vida
agora é cinza do nada, são almas penadas que fazem
a viagem confusa dos vencidos em chernobyl.

5.
ainda ouvimos os gritos daqueles que tombaram,
e os nêutrons sobre a poeira fina dos vales,
os pés descalços sobre pedras pontiagudas,
ainda ouvimos o choro das pálidas crianças,
a fome, a sede e a dor,
o estrôncio-90, o iodo-131, o cesio-137.
vazios, silêncios ocos, perguntas sem respostas,
degraus infernais sobre sombras, rio de águas turvas,
quimera imunda de tanta desgraça,
fantasia desumana sem cor,
transportas tanto mal, conduzes a todos
para a aniquilação neste tempo em que nada sobra,
em que tudo é sombra, é sede, é fome, é regresso,
neste tempo em que tudo são trevas,
onde não há luz.
cruzes no cemitério, uma zona de sacrifício,
sob um céu sem nuvens,
a morte em seu ponto mutante.
no difícil cotidiano de um negro sonho,
restaram a floresta vermelha,
e os javalis radioativos de chernobyl.

Foto de Jardim

restaram

restaram
estes olhos letárgicos
que não enxergam mais horizontes,
esta casa desmantelada,
estes poemas silenciados,
esta taça trincada,
esta familiaridade com o vazio,
repetitivo,
submisso,
esta escassez de palavras e vozes,
esta beatitude,
este corpo exausto de perseguir o não vivido
e esta alma descrente do eterno.

restaram
estas ruas onde caminho trôpego,
este medo de tudo,
esta aptidão em atirar
na lata de lixo
aquilo que já passou.

restaram
estas mãos fracas,
paradas e frias e mortas,
estes relógios
feitos de segundas-feiras,
estas pilhas de imposições
acordos, pactos,
esta falta de sono,
esta extrema unção.

Foto de Rosamares da Maia

O Circo de Dayse

O Circo de Dayse

Palhaço solitário deserdado, sem circo,
Faz da vida a piada, lona e picadeiro.
Malabarista por destino desengonçado,
Dribla a falta do cenário, ensaia e encena.

O seu texto? A comédia diária da sua vida.

Trapezista sobrevivente do dia a dia se atira,
Sem rede, com medo, sem prumo, sem rumo.
Em baixo o pesadelo na garganta dos leões.
Queda livre, pirueta ousada, abuso fatal.

Bem próximo de ser devorado, no quase,
Cai em sono profundo embalado no riso,
Ouve as gargalhadas das crianças. Dorme feliz.
Sonha com as peripécias da vida de palhaço

Salvação atrapalhada, de muitas trapalhadas.
Sonha com o seu quarto – O que nunca teve.
Vê janelas pintadas de azul, viradas para o sol.
Um quarto branco com duas amplas portas.

Uma a da entrada, a outra a salvação da saída.

Quando entra é Arlequim, dor e lágrimas,
Palhaço insosso e triste de um mundo que pesa.
Quando sai é palhaço da periferia, nome Alegria.
Canta, rola cambalhotas na grama verde.

Vê o céu, janela azul e irreverente faz careta,
Reverências para uma plateia que o espera.
...Senhoras e Senhores – Tam, taram, tam tam!,
Que rufem os tambores!

“E o Palhaço o que é?...Hoje tem sim senhor!”
Acorda! Vamos palhaço! O show é a vida.
E o espetáculo vai recomeçar.

Foto de tonyramos

Mundo Paralelo

Sou um viajante do tempo
Tentando encontrar o desconhecido
Muitos caminhos eu tenho percorrido
Na esperança de encontrar o que imaginei
De viver num mundo real eu deixei
Voei muito alto mesmo sem poder
Um mundo paralelo eu queria conhecer
Como um pássaro eu voava sem ter asas
Na esperança de encontrar o que procurava
E um dia realizar o que eu sonhei

Nesse mundo eu consegui encontrar o amor
Um jardim aonde existia uma flor
Que o tempo não deixava morrer
Nesse universo observei as maravilhas
Um mundo fantástico onde a pedra tem vida
Tudo que imaginei La eu vi acontecer

Nesse mundo encontrei esperança e alegria
Nesse recanto a minha alma deleitava e sorria
Eu era feliz lá não existia o medo
Encontrei a paz e o meu coração descansou
Mas acordei e o sonho acabou
E voltei ao mundo de pesadelo.

JAC 07/03/2017 tonyramos

Foto de Jardim

na luta diária, tropeços

na luta diária, tropeços,
pedras, nuvens, ventanias,
gasto meu tempo, perjuro,
gasto meu grama de coragem,
meu punhado de futuro.

sigo com o olhar atento,
como quem leva a urgência
de um recado, resoluto,
cumprindo algum mandado
por força do insondável absoluto.

entre as colunas da tarde
calcinadas de lástimas,
entre as paredes, descrente.
um sol melancólico queima
onde ninguém pode ser indulgente.

entre os devassados
esconderijos que busco
entre a sede e a bebida
se vai sem perceber um dia,
um mês, um ano, toda uma vida.

perdulário das horas, dos minutos,
do mundo que eu não soube decifrar,
troco por incerteza o ar errante
e por força do hábito
troco o porvir por um instante.

dos passos em que cego me revelo,
a cada queda me recobro,
preservo o fogo que em mim dura,
no qual forjo, sem medo ou angústia
as faces da máscara futura.

na treva em que me embrenho
sem saber quem sou, existo.
nas vertigens do alento,
sobre as curvas do caminho
ultrapasso a curva do momento.

outro céu, outra fome, outro corte,
por não saber quando parar,
giro e oscilo entre penhascos,
busco solução na chuva e no ar
por não haver alívio para os meus ascos.

Poema do livro Diários do Desassossego
A venda em http://sergioprof.wordpress.com
Contato:
blog: http://sergioprof.wordpress.com/
facebook: https://www.facebook.com/jardimpoeta
https://www.facebook.com/poetajardim
twitter: http://twitter.com/SERGI0_ALMEIDA
linkedin: https://www.linkedin.com/in/poeta-jardim-a7b0222b
google +: https://plus.google.com/+sergioalmeidaJardim
skoob: http://www.skoob.com.br/autor/7181-jardim

Foto de Jardim

COMUNHÃO DE BENS

se quem ama perde o passo,
renuncia, se amar é desgoverno,
descompasso, é perder a vergonha
e o medo no escuro de um quarto,
é perder com um homem, tarde
ou muito cedo o hímen e a virgindade;
não será desamar readquirir
ritmo, reaprender a santidade
que não mais existia?
eu me entregava, você me comia.

se quem ama se entrega, se amar
é sorrir para quem no colo
nos carrega, é perder a voz enquanto
nos dilaceram numa luta fria
ou no calor de um abraço, é ver
significado em palavras vazias;
não será desamar recobrar
a consciência, romper a camisa de força
que suprimia e amordaçava?
eu te seduzia, você me currava.

Poema do livro Filhas do Segundo Sexo
a venda em http://sergioprof.wordpress.com
Contato:
blog: http://sergioprof.wordpress.com/
facebook: https://www.facebook.com/jardimpoeta
https://www.facebook.com/poetajardim
twitter: http://twitter.com/SERGI0_ALMEIDA
linkedin: https://www.linkedin.com/in/poeta-jardim-a7b0222b
google +: https://plus.google.com/+sergioalmeidaJardim
skoob: http://www.skoob.com.br/autor/7181-jardim

Foto de Minha_Historia

Sob sol ou tempestade

A felicidade costuma ficar estampada nos nossos rostos
Espero caminhar ao seu lado sob sol ou tempestade
E que a saudade seja nutrida pelos nos encontros mágicos
Existem noites que nem o luar e muito menos as estrelas iluminam o céu
Mais pela manhã o azul do céu estará lá
Eu e você não precisamos ser nós pra existirmos
Hoje entendo que tens medo
E por mais que fechamos os nossos olhos
A realidade existe
Mais não é simples
O coração vai de encontro a razão
E as emoções se misturam
As lagrimas podem não me saltar os olhos
Mais elas estão lá
E no meu canto calado deixo que elas caiam
O importante é não se importar com o amanhã
Ele irá existir
O tempo que passarmos juntos deve ser aproveitado
Curtido intensamente
Pode ser o começo ou o fim
Pra que pensar nisso
Seguiremos sem planos
Seria bom mais eles sempre aparecem
Em frases e pensamentos
O momento é de reflexão
Amor versus razão
Paixão versus a atração
Sei que sigo em frente com você em meu coração.

Foto de Minha_Historia

Rosa príncipe negro

Vem quero ser seu jardim
Quero ser sua rosa príncipe negro
Com sua presença, me alegro.
Com seu sorriso
Esse sim, me faz perder o juízo.
A cada dia fica mais bela
O meu desejo é ter você sempre comigo
Mais como se por castigo
A distância persiste
E a saudade existe
Você é minha flor
Linda e perfumada
Amei-te durante anos em segredo
E hoje já não tenho mais medo
Passa-me a segurança
E vivo na esperança de ter você ao meu lado
A paixão virou amor
Sei que não existe perfeição
Mais quando estamos juntos
Vivemos como se fossemos um só coração
Nossos corpos se completam
Sinto que me ama
Então vem vamos viver esse amor
Vem vou me aquecer com calor do seu corpo
Vem chega mais perto
Minha rosa do deserto
Sua beleza encanta e fascina
Com esse seu jeito de menina
Domina-me
E me faz enlouquecer
Vem viver sem nada temer
Se lhe faz bem errado não deve ser

Páginas

Subscrever Medo

anadolu yakası escort

bursa escort görükle escort bayan

bursa escort görükle escort

güvenilir bahis siteleri canlı bahis siteleri kaçak iddaa siteleri kaçak iddaa kaçak bahis siteleri perabet

görükle escort bursa eskort bayanlar bursa eskort bursa vip escort bursa elit escort escort vip escort alanya escort bayan antalya escort bayan bodrum escort

alanya transfer
alanya transfer
bursa kanalizasyon açma