Sempre

Foto de SANDRA FUENTES

ÚLTIMO ANDAR

Maquiava os olhos às cinco da manhã e ficava em seu quarto olhando para o espelho. Não havia traços do tempo em seu rosto, mas o coração, com rugas profundas, se fazia de desentendido. Fumava um cigarro que deixava pela metade. Olhava o mar pela janela do apartamento minúsculo e pensava em seus sonhos-pesadelos. Nem sempre é possível distinguir um do outro quando se dorme. As cores se confundem e os personagens mudam de cena durante um sono profundo. Mas a mulher vestida de segredo, tirava suas meias transparentes e caminhava descalça em direção à porta. Gostava quando ia sentindo nos pés o frio daquele piso do corredor pintado de verde. Sentava na escada e acendia mais um sonho, que deixava pela metade.Ela quer descer. Passa pelos degraus como fumaça. Em silêncio caminha até o portão. Desconhece aquele lugar. Sem olhar para trás, faz o caminho de volta. Pega a chave que estava sob o tapete. Surda-muda. Sonho-pesadelo. É lá seu lugar, é onde ela mora: no último andar, na última porta.

Sandra Fuentes

Foto de Siby

As flores do meu jardim

Muitas vezes fico a admirar
As flores do meu jardim,
Elas crescem sempre assim
Em um constante florear.

A rosa sempre quer reinar
Sendo a rainha do jardim,
Lá está o suave jasmim
Ele também tem o seu lugar.

Os girassóis são de encantar
Parecem ter vida sem fim,
Sempre retornam ao jardim
Suas sementes voltam a brotar.

E a rosa sempre a perfumar
Sua beleza enfeita o jardim,
Lembra lábios cor de carmim
Sorrindo, alegrando este lugar.

Foto de fisko

Deixa lá...

Naquele fim de tarde éramos eu e tu, personagens centrais de um embrulho 8mm desconfiados das suas cenas finais… abraçados ao relento de um pôr-do-sol às 17:00h, frio e repleto de timidez que se desvanece como que um fumo de um cigarro. Eu tinha ido recarregar um vício de bolso, o mesmo que me unia, a cada dia, à tua presença transparente e omnipotente por me saudares dia e noite, por daquela forma prestares cuidados pontuais, como mais ninguém, porque ninguém se importara com a falta da minha presença como tu. Ainda me lembro da roupa que usara na altura: o cachecol ainda o uso por vezes; a camisola ofereci-a à minha irmã – olha, ainda anteontem, dia 20, usou-a e eu recordei até o cheiro do teu cabelo naquela pequena lembrança – lembro-me até do calçado: sapatilhas brancas largas, daquelas que servem pouco para jogar à bola; as calças, dei-as entretanto no meio da nossa história, a um instituto qualquer de caridade por já não me servirem, já no fim do nosso primeiro round. E olha, foi assim que começou e eu lembro-me.
Estava eu na aula de geometria, já mais recentemente, e, mais uma vez, agarrei aquele vício de bolso que nos unia em presenças transparentes; olhei e tinha uma mensagem: “Amor, saí da aula. Vou ao centro comercial trocar umas coisas e depois apanho o autocarro para tua casa”. Faço agora um fast forward à memória e vejo-me a chegar a casa… estavas já tu a caminho e eu, entretanto, agarrei a fome e dei-lhe um prato de massa com carne, aquecido no micro-ondas por pouco tempo… tu chegas, abraças-me e beijas-me a face e os lábios. Usufruo de mais um genial fast forward para chegar ao quarto. “Olha vês, fui eu que pintei” e contemplavas o azul das paredes de marfim da minha morada. Usaste uma camisola roxa, com um lenço castanho e um casaco de lã quentinho, castanho claro. O soutien era preto, com linhas demarcadas pretas, sem qualquer ornamento complexo, justamente preto e só isso, embalando os teus seios únicos e macios, janela de um prazer que se sentia até nas pontas dos pés, máquina de movimento que me acompanhou por dois anos.
Acordas sempre com uma fome de mundo, com doses repentinas de libido masculino, vingando-te no pequeno-almoço, dilacerando pedaços de pão com manteiga e café. Lembro-me que me irrita a tua boa disposição matinal, enquanto eu, do outro lado do concelho, rasgo-me apenas mais um bocado de mim próprio por não ser mais treta nenhuma, por já não me colocares do outro lado da balança do teu ser. A tua refeição, colorida e delicada… enquanto me voltavas a chatear pela merda do colesterol, abrindo mãos ao chocolate que guardas na gaveta da cozinha, colocando a compota de morango nas torradas do lanche, bebendo sumos plásticos em conversas igualmente plásticas sobre planos para a noite de sexta-feira. E eu ali, sentado no sofá da sala, perdendo tempo a ver filmes estúpidos e sem nexo nenhum enquanto tu, com frases repetidas na cabeça como “amor, gosto muito de ti e quero-te aos Domingos” – “amor, dá-me a tua vida sempre” – “amor, não dá mais porque não consigo mais pôr-te na minha vida” e nada isto te tirar o sono a meio da noite, como a mim. Enquanto estudo para os exames da faculdade num qualquer café da avenida, constantemente mais importado em ver se apareces do que propriamente com o estudo, acomodas-te a um rapaz diferente, a um rapaz que não eu, a um rapaz repentino e quase em fase mixada de pessoas entre eu, tu e ele. Que raio…

Naquela noite, depois dos nossos corpos se saciarem, depois de toda a loucura de um sentimento exposto em duas horas de prazer, pediste-me para ficar ali a vida toda.

Passei o resto da noite a magicar entre ter-te e perder-te novamente, dois pratos de uma balança que tende ceder para o lado que menos desejo.
É forte demais tudo isto para se comover e, logo peguei numa folha de papel, seria nesta onde me iria despedir. Sem força, sem coragem, com todas aquelas coisas do politicamente correcto e clichés e envergaduras, sem vergonha, com plano de fundo todos os “não tarda vais encontrar uma pessoa que te faça feliz, vais ver”, “mereces mais que uma carcaça velha” e até mesmo um “não és tu, sou eu”… as razões eram todas e nenhuma. Já fui, em tempos, pragmático com estas coisas. Tu é que és mais “há que desaparecer, não arrastar”, “sofre-se o que tem que se sofrer e passa-se para outra”. Não se gosta por obrigação, amor…
Arranquei a tampa da caneta de tinta azul, mal sabia que iria tempos depois arrancar o que sinto por ti, sem qualquer medo nem enredo, tornar-me-ia mais homem justo à merda que o mundo me tem dado. Aliás, ao que o teu mundo me tem dado… ligo a máquina do café gostoso e barato, tiro um café e sento-o ao meu lado, por cima da mesa que aguentava o peso das palavras que eu ia explodindo numa página em branco. Vou escrevendo o teu nome... quão me arrepia escrever o teu nome, pintura em palavras de uma paisagem mista, ora tristonha, ora humorística… O fôlego vai-se perdendo aos poucos ornamentos que vou dando á folha… Hesitação? Dúvidas?... e logo consigo louvar-me de letras justapostas, precisamente justas ao fado que quiseste assumir à nossa história. Estou tão acarinhado pela folha, agora rabiscada e inútil a qualquer Fernando Pessoa, que quase deambulo, acompanhando apenas a existência do meu tempo e do tic-tac do meu relógio de pulso. Não me esqueço dos “caramba amor”, verso mais sublime a um expulsar más vibrações causadas por ti. Lembro-me do jardim onde trocávamos corpos celestes, carícias, toques pessoais e lhes atribuíamos o nome “prazer/amor”. Estou confuso e longe do mundo, fechando-me apenas na folha rabiscada com uma frase marcante no começo “Querida XXXXXX,”… e abraço agora o café, já frio, e bebo-o e sinto-o alterar-me estados interiores. Lembro-me de um “NÃO!” a caminho da tijoleira, onde a chávena já estaria estilhaçada…
Levantei-me algum tempo depois. Foste tu que me encontraste ali espatifado, a contemplar o tecto que não pintei, contemplando-o de olhos cintilantes… na carta que ainda estava por cima da mesa leste:

“Querida XXXXXX, tens sido o melhor que alguma vez tive. Os tempos que passamos juntos são os que etiqueto “úteis”, por sentir que não dou valor ao que tenho quando partes. Nunca consegui viver para ninguém senão para ti. Todas as outras são desnecessárias, produtos escusados e de nenhum interesse. Ainda quero mesmo que me abraces aos Domingos, dias úteis, feriados e dias inventados no nosso calendário. M…”

Quis o meu fado que aquele "M" permanecesse isolado, sem o "as" que o completaria... e quis uma coincidência que o dia seguinte fosse 24 de Março... e eis como uma carta de despedida, que sem o "Mas", se transformou ali, para mim e para sempre, numa carta precisamente um mês após me teres sacrificado todo aquele sentimento nosso.
Ela nunca me esqueceu... não voltou a namorar como fizemos... e ainda hoje, quando ouço os seus passos aproximarem-se do meu eterno palácio de papel onde me vem chorar, ainda que morto, o meu coração sangra de dor...

Foto de Leidiane de Jesus Santos

Está Escrito Por Deus o Nosso Amor

É impossível mandar no coração
É impossível dizer não pra quem se ama
O nosso amor foi escrito por Deus
Foi ele quem decretou para estarmos juntos
Não tem como lutar contra o que é divino
Não tem como correr ou se esconder
Por que todas as vezes que eu tentei te esquecer
É quando eu mais lembro e me apego a você
E quando eu beijo outra boca,
Cada vez desejo mais a sua
Quantas vezes a noite
Quando as lembranças vêm
Me recordar dos nossos momentos Juntos
Eu ajoelho e rezo a Deus
Que leve esses pensamentos embora
Mas Deus vem e me mostra
Que a um motivo pra esse sentimento
Ainda existir tão forte dentro de mim
Que a um motivo dele ainda permanecer tão intenso
E que eu não preciso ter medo dele
E não adianta fugir que ele sempre vai existir
Pois tudo está escrito e assinado por Deus
E é fato que eu nasci pra você
E você nasceu pra mim.

Foto de Danilo Matos

Pensamento motriz

Uma tristeza sem precedentes mostra-se ativa na profundeza do meu ser.
Vozes vindas do além, quase que inaudíveis, ecoa constantemente calando a minha voz.
Interrogações sufocam-me constantemente, são dúvidas vociferando, causando um som insuportável nos meus tímpanos.
Quem sou? Por que sou?
Responder... Quem poderá?
Horas mostro-me forte, suportando todas as afrontas que a vida me propõe, mas não sou de ferro nem muito menos super-herói.
Quando não suporto mais, abro a boca e levanto meus ouvidos, com intrepidez vocifero: - Oh! vida minha, o que tu tens comigo? Por que me silencia quando estou convicto do que quero? Será que serei sempre escravo seu? Responda-me, pois, meu coração está ávido por respostas.
De repente, ouço um burburinho...
Meu coração palpita em uma velocidade desordenada, causando-me falta de ar.
Lanço-me ao chão e tento ouvir o que a vida quer falar:
-Oh! vivente insensato até quando me interrogará com suas perguntas vazias?
Não sabes que vives em uma escola? Não percebeste que o erro de ontem te fortaleceu para o agora? Até quando duvidarás de mim? Não sabes que só quero o seu bem!
-Viva constantemente o agora, pois, tudo que fizeres hoje refletirá amanhã.
Com os olhos lacrimejando, levanto-me do chão, conformado com tudo que ouvi, silencio-me.
Cabisbaixo, saí do anfiteatro, triste, mas convicto que: a escola da vida formará apenas aqueles que têm a sensibilidade de escutar o que todos rejeitam, de ver o que ninguém quer e de fazer o que todos têm medo.
Quando saíres em busca de seus objetivos não se esqueça de levar contigo uma caneta, para você reeditar todos os erros cometidos, os erros são quem te fortalece para o amanhã.

Foto de Sérgio R.

Para você...

Acendo um cigarro...
A cerveja já não esta tão gelada.

Enquanto escrevo, rola uma música que foi trilha de varias noites despertas, o nome é runaway train e o cantor é Brandon Boyd, e com ela, lágrimas dançavam pelo meu rosto, uma valsa triste, solitária, mas calma e doce.

Engulo seco, não quero dançar hoje.

Uma mistura de sentimentos me invadem e doem no peito, isso incomoda. Nunca estamos 100% curados de um corte profundo. Maldita internet, que me traz vc.
Te ver sorrir me traz momentos felizes.
Em toda minha vida ainda não encontrei nada mais belo que seu sorriso ao amanhecer, me chamando de vida e me desejando bom dia. Como pode, segundos que para alguns passam despercebidos, serem tão eternos em minha mente. Momentos em que pensei que iam durar pra sempre se tornam em algo que conhecemos em uma palavra de exclusividade lusitana, a saudade.
Vivo uma vida que não queria que fosse a minha. Muitos teriam orgulho. Baladas, mulheres, tudo pra tapar o vazio que você me deixou. Mas ela não é a minha, não é isso que procuro, não sou eu de verdade. É uma droga que uso, pra esquecer que um dia, você fez parte de mim.
Refiz minha vida por completo, de corpo e alma pra espantar esse fantasma que não cansa de me assombrar. Mas não tem jeito, você se faz presente.

Nesse amor avulso só me resta, no escuro do meu quarto, ao som da nossa musica, sob a luz do meu cigarro, rezar baixinho, pra que você seja feliz e guarde com carinho todos os momentos que passamos juntos, pois o que me mantém vivo é saber que um dia fui feliz de verdade, é saber que você existe e que, um dia, fez parte da minha vida.

Foto de João Victor Tavares Sampaio

O Velho Argumentador

Quem leu "Novo Tempo" sabe:
O novo tempo é o caos
O maior cume
O maior abismo

Quem leu algo do "Minguante"
Também,
Sabe que só vemos a realidade
A partir do próprio sonho

É científico
Eu garanto
Eu me levanto

Sei que a maioria não leu
Mas pretendo ser específico:
O bem sempre sobreviveu

Foto de giogomes

Vôo da Rosa

Com as mãos já calejadas,
pelos espinhos afiados.

Observo atento aos ferimentos,
cuidando dos machucados.

Olhando a Rosa que tanto amo,
sempre cuidada com amor e carinho.

Nunca pensei que poderia me machucar,
com algum dos seus espinhos.

Eu sempre a protegi do mau tempo, das pragas.
Estava ao seu lado, zelando, a todo momento.

A coloquei protegida em um belo vaso,
sem entender os seus próprios sentimentos.

A dependência começou a ser sentida,
quando em momentos, eu não estava lá.

A Rosa só, em seu vaso pequeno,
sonhava em sozinha, também poder voar.

Em um dia de ventania, e a favor do vento,
fez um grande esforço, para as raízes soltar.

Desabrochou e se foi em um momento.
Quando voltei, não estava mais lá.

Triste, deprimido e preocupado.
Comecei a minha busca. A procurar.

A encontrei tão bela como sempre foi.
Estava bem, sobreviveu sozinha.

Fui então, devolvê-la ao vaso.
Tirá-la de perto das ervas daninhas.

Quando para minha surpresa,
fui ferroado, machucado.

Pela Rosa que tanto amava,
e que sempre esteve ao meu lado.

Depois do impacto inicial. O entendimento.
Como pude ser tão relapso, e não entender ?

Toda a Rosa pede cautela no trato,
como pude a mão perder.

Ela estava bem e aonde queria.
Não precisava que eu fosse me intrometer.

Não significava que não me amava,
só queria a todos provar...

...que poderia sobreviver sozinha,
e que tinhas forças para poder lutar.

Ao entender o que realmente queria,
decidi compreendê-la e aceitar.

Prometendo que a amaria sempre,
mesmo estando só, em outro lugar.

Que se um dia, realmente precisasse,
poderia simplesmente me chamar.

Temos que ter a capacidade de resolver,
os problemas que a vida insiste em nos mostrar.

Para que todos tenhamos a capacidade,
de um dia também poder voar.

Espero com amor no coração, observando o vento.
Para que sopre forte em minha direção.

Esperando que a Rosa volte para ficar comigo,
por que essa foi a sua decisão.

Para que ambos fortalecidos, possamos aproveitar,
tudo o que o nosso belo amor, venha a nos dar.

Foto de giogomes

A Rosa e o Tigre XXXI - Casamento

Era chegado a hora,
o enlace começaria sem demora.

A Rosa definitivamente,
mudaria sua vida permanentemente.

Tudo estava preparado,
os convidados já tinham chegado.

Para serem testemunhas de uma decisão,
que partiria para sempre o seu coração.

Ainda havia espaços em seus pensamentos,
para lembrar do Tigre naquele momento.

Imaginar que se fosse diferente,
era o Tigre que estaria ao seu lado presente.

Observava pela possibilidade de sorrir,
caso o Tigre tivesse mudado de idéia sobre ir.

Quando veio a pergunta derradeira,
que mudaria a sua vida inteira.

Respondeu com apenas respeito:
"- Sim, eu aceito !"

A resposta que deu início a festividade,
deixou quase todos os seus sonhos na saudade.

Apenas um deles ainda era completo,
sua semente brotaria e isto era certo.

Lembrou da promessa que fez ao Tigre amado,
prometendo ser feliz com quem estivesse ao seu lado.

Mesmo sendo este o resultado.
"- Meu amor muito obrigado !"

Sabia que em pouco dias,
reencontraria o Tigre e sua alegria.

Agora se concentraria,
na maneira que viveria todo os seus dias.

Foto de giogomes

O Tigre e a Rosa XXXI - Casamento

O Tigre disse que não iria.
Afirmou que no casamento não estaria.

Mudou de idéia quando imaginou
se alguma coragem ainda lhe restou.

Sempre afirmou que a amava.
Que fosse então, testemunha de sua caminhada.

Correu afobado contra o tempo,
para poder chegar ao casamento.

Alcançou a entrada do jardim,
onde o enlace seria concluído enfim.

Parou e pensou na possibilidade,
de gerar problemas e infelicidade.

Não conseguiria disfarçar,
toda a vontade de ao seu lado estar.

Queria poder pelo menos imaginar,
que no lugar do Jardineiro poderia ficar.

Recuou de seu intento,
de longe abençoou o casamento.

Tigre: "- Meu amor, seu caminho foi você que escolheu !"
"- Se alguém for atrapalhar, que não seja eu !"

Tigre: "- Te amo demais para querer interferir na sua vida !"
"- Que seja eu, que esteja daqui de partida !"

Tigre: "- Você agora terá sua família,
dê a ela o seu melhor, a sua alegria !"

Tigre: "- Viva o melhor que puder !"
"- Prometa que será feliz quando quiser !"

Tigre: "- A maior prova de amor que posso te dar agora,
é a mais difícil que é simplesmente ir embora !"

O Tigre saiu correndo,
derramando suas lágrimas contra o vento.

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