Sempre

Foto de Carmen Vervloet

Apenas Elo

Apenas Elo

Eu sou um elo da corrente
E me entrelaço de corpo presente
E não excluo nada de mim
Vou inteiro me entrelaçando assim...

Eu me entrelaço pela força do destino
E outra dimensão descortino...
Os outros elos fundamentam minha vida
Alegre... Triste... Risonha ou sentida...

Nós, elos unidos, fazemos a nossa história...
Nem sempre só de vitórias,
Nem de fracassos, tão pouco...
Nem de momentos só loucos!
Mas somos fortes!

Quem pode ao outro o amor negar?
Se estamos unidos na mesma corrente?
No mesmo mar a navegar?
Se somos frutos da mesma semente?

Somos personagens de eternas relações de amor.
Mesmo que se afastem os nossos corpos,
Os nossos espíritos se unem em louvor,
Mesmo que entremos nos jardins dos mortos!

Breve é a vida...
Certa é a morte...
E se eu decido ser elo da corrente
Desprendida
Fico sozinha, perdida... Sem norte...

E perco o rumo,
Viro serrote...
Serrando em fatias a minha sorte
Jogando-a numa corrente de vento forte!

Porque sozinha sou poeira da estrada...
Porque sozinha eu não sou nada!

Carmen Vervloet

Foto de Carmen Vervloet

Lobos Famintos

Lobos Famintos

O grito da fome
Escapa do estômago da periferia...
E soa por vários palácios
Sem eco...
Ensimesmado, Maria,
Trêmula... Doente...
Barriga oca... Roncando... Vazia...
Num semáforo qualquer...
Estende a mão fria
E suplica em nome de Deus,
Uma esmola!...
Trocados para enganar
A fome de seus filhos
Cujo teto é o céu...
A escola é a vida...
E a dor é seu sempre...
Vivendo da sorte, sem norte...
Ludibriando a morte!
Sem futuro... Sem esperança...
O palácio onde mora
Aquele que se fez Rei
Pela mão do povo...
Covil de oportunistas... Alpinistas...
Oferece apenas migalhas...
O pão fermentado com os nossos impostos...
Assado no forno da corrupção...
Nunca sai das mesmas mãos...
Elas o detêm engordando suas contas
Em paraísos fiscais... Devolver jamais!
E gulosos que são, tem um refrão:
Quero mais... Quero mais... Quero mais...
Insaciáveis insanos! Vis macrômanos!
Os palácios unem-se em blocos
De opulentas alegorias
E cegam o povo
Com suas tendenciosas fantasias...
Jogam algumas migalhas
Nas panelas vazias dos pobres
E se fingem nobres!...
Unem-se guardando o mesmo tesouro...
Barras de ouro!...
E se protegem
Na sua desenfreada loucura de poder!...
Não mais vêem a dura realidade
Dos homens da periferia
Dizimados pela ambição,
De quem entregou ao Diabo o coração!...
Mas em algum momento,
No meio de tanta revolta,
Haverá uma reviravolta!
O reverso da medalha!...
A coroa cairá das cabeças dos falsos reis
Que por sua vez, deixarão cair às máscaras...
Mostrando as verdadeiras caras!
E eles se envenenarão com o próprio veneno!
Ou engolirão uns aos outros!
Lobos famintos!...

Carmen Vervloet

Foto de carlosmustang

HISTÓRIAS CASUAIS

Todos tem uma história...
Cada qual, com sua memória
No deflôrar do viver
Na percepção de ser...

Num caminho concludente;
Tudo que a gente sente...
Chora, vê concente
Encontra-se no caminho muitas desilusões...

Mas também alegrias...
Apesar das frustações.
Contruimos nossa história...

Levantando-se e vivendo
Penitente quase sempre
Numa estrada, ter passado.

Foto de Raiblue

Metáforas do amor

.

Amor, um trem desnorteado
Um quarto, um deserto
Um lugar distante, afastado
Caminho mais belo e incerto

Reminiscências...
Fotografias intactas
De um passado que divaga
Pelos campos da subconsciência

Se pudesse escrever minha história
Faria uma bela ficção nada científica
Completamente louca, desmedida
De vidas não lineares e provisórias

Esse futuro que nunca chega
Porque o agora é a única verdade
Enche-nos de agonia e ansiedade
Ao mesmo tempo, nos fascina com suas incertezas

O amor parece sempre pertencer ao futuro
Um passado que não foi, não é
Mas pode vir a existir em um lugar qualquer
Um antigo casarão e seus corredores escuros

Amor, ficção humana
Demasiadamente humana
Cinema, drama...

Raiblue

Foto de Raiblue

Guardiã de segredos...

Espirais
A vida tecida
Em círculos
Mandalas
Moinhos
Vórtices
No fim
O começo
Não há tropeço
Que altere
A rota da alma
Que sempre retorna
Para casa
Infinita
Líquida
Nada detém o seu curso
Rio profundo
Pulso
Impulso
Guardiã de segredos
Onde habitam
Sonhos e medos...

(Raiblue)

Foto de Raiblue

Guardiã de segredos...

Espirais
A vida tecida
Em círculos
Mandalas
Moinhos
Vórtices
No fim
O começo
Não há tropeço
Que altere
A rota da alma
Que sempre retorna
Para casa
Infinita
Líquida
Nada detém o seu curso
Rio profundo
Pulso
Impulso
Guardiã de segredos
Onde habitam
Sonhos e medos...

(Raiblue)

Foto de Raiblue

Guardiã de segredos...

Guardiã de segredos

Espirais
A vida tecida
Em círculos
Mandalas
Moinhos
Vórtices
No fim
O começo
Não há tropeço
Que altere
A rota da alma
Que sempre retorna
Para casa
Infinita
Líquida
Nada detém o seu curso
Rio profundo
Pulso
Impulso
Guardiã de segredos
Onde habitam
Sonhos e medos...

(Raiblue)

Foto de du coral

eterno é o amor

Os anos passam de uma forma estranha:
o nascimento, a vida, a morte e o pó;
depois as teias e os sons de aranhas,
e a alma, no inferno, quase sempre só.

Depois o choro de um recém-nascido,
no ano três mil, no meio de uma guerra,
que quando cresce fica bem sabido
em distrações que a um pobre homem ferra.

Vasos de vidro com milhões de flores,
mulher dos sonhos, você é linda assim?,
que surge nua na manhã com cores.

E os anos passam novamente estranhos,
o nascimento, a vida, a morte e o pó;
é lindo o amor, eterno amor tamanho!

Foto de Daemon Moanir

Nada de bom

Nada de bom tiro da minha estadia
Em teu ser, no meu fascinio.
Porque falhei em te convencer
O que p'ra mim era certeza,
Mas para ti nada mais que meu designio.

Perdi todo um novo ser,
Que tinha regozijo em viver
E sonhava por acordar mais um dia
Sabendo que te encontraria
No mesmo local de sempre sem sofrer.

Por entre muitos fossos já perdidos
De pecados e sofrimentos nunca esquecidos,
Tu eras como um buraco de abrigo
Onde me davas prazeres que nunca tinha tido
E me ensinavas de novo como é ser humano.

Agora, agora sofro
Atravesso desertos ardentes de paixão
Que me dizes terem de acabar.
Até parece coisa do meu passado.
Parece, então, que é aqui que vou findar.

Foto de Daemon Moanir

Nada de bom

Nada de bom tiro da minha estadia
Em teu ser, no meu fascinio.
Porque falhei em te convencer
O que p'ra mim era certeza,
Mas para ti nada mais que meu designio.

Perdi todo um novo ser,
Que tinha regozijo em viver
E sonhava por acordar mais um dia
Sabendo que te encontraria
No mesmo local de sempre sem sofrer.

Por entre muitos fossos já perdidos
De pecados e sofrimentos nunca esquecidos,
Tu eras como um buraco de abrigo
Onde me davas prazeres que nunca tinha tido
E me ensinavas de novo como é ser humano.

Agora, agora sofro
Atravesso desertos ardentes de paixão
Que me dizes terem de acabar.
Até parece coisa do meu passado.
Parece, então, que é aqui que vou findar.

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