5º concurso

Foto de Sonia Delsin

TRANSFORMAÇÃO

TRANSFORMAÇÃO

Castiguei meu corpo culpando-me pelas culpas alheias.
Sofri, amarguei. Até que descobri a feiticeira em mim.
Ela encontrou solução para os problemas.
Decifrou enigmas.
Os labirintos... ela os fez parecerem brincadeiras de criança.
Ela libertou-me dos pesadelos.
Exorcizou fantasmas e demônios.
Com magia transformou toda tristeza em alegria.
Fez da minha vida só poesia.
Foi um remédio amargo que precisei tomar.
Sobre brasas tive que caminhar e sobre pregos me deitar.
A transformação foi lenta.
Fiquei presa a uma crisálida um tempo enorme.
Presenciei mudanças enquanto me transformava.
Calada ou me rebelando sujeitei-me ao aperto do casulo amigo.
Um dia descobri que criara asas e que elas me levariam a espaços sequer sonhados.
Pronto! Nascia uma borboleta!
A lagarta não mais se arrastaria.
Lindas asas me levariam ao encontro de meus sonhos.

Foto de DAVI CARTES ALVES

... ESTA LINDA MULHER QUE PASSA

Como queria ter em meus braços
esta linda mulher que passa
que ao me olha faz uma graça
num toque me enlaça
em seu mundo que me estilhaça

Deleite é banhar-se no sorriso
desta bela mulher que passa
ela me faz tomar da sua taça
uma poção que me transpassa

e me faz criança mimada
faz muxoxo, faz pirraça
E me deixa atordoado,
resignado em banco de praça

Quão prazeroso é enlevar-se
com os encantos e feitiços
desta linda mulher que passa
flor caminheira, tulipa altaneira

Musa cosmopolita
azaléia graciosa,
seu olhar de ternura, criva-lhe n’alma
espinhos de bálsamo
qual nivea rosa mimosa

Enfim,
eu os liríos daquela praça
inebriados e boquiabertos com a chalaça
gritamos em uníssono
com vemência latente:
Aaahhh! Não,
por quê vais mulher que passa???!!!

poesiasegirassois.blogspot.com

Foto de Sonia Delsin

DE MAL...

DE MAL...

O que me faz perder o sono são os seus olhos magoados
dentro da noite, quais feridas sangrando...
O que me faz perder o sono é a sua boca
no teto, no armário, no lustre, na penteadeira.
Na penumbra... caminhando pelo quarto...
O que me faz perder o sono é sua voz
repetindo tudo outra vez.
E a minha! E a minha...
O que me faz perder o sono, é a sua mão
que não encontro...
O que me faz perder o sono é este meu coração
que não se acalma dentro de meu peito...
O que me faz perder o sono é este silêncio
tão gelado!
O que me faz perder o sono é esta barreira
que você coloca entre nós dois...
... ignorando-me ao seu lado.

Foto de Sonia Delsin

O FANTASMA DA SALA

O FANTASMA DA SALA

Quando menina eu sempre ficava com minha mãe na sala aguardando a chegada de papai. Ele saía todas as noites, fizesse tempo bom ou ruim. Era um hábito que tinha, e do qual só se livrou quando eu já estava com quinze anos de idade.

Ficávamos um tanto inseguras na casa sem uma presença masculina, porque morávamos numa chácara.

Minha mãe era uma mulher corajosa e depois de ter trabalhado o dia inteiro ainda contava lindas estórias para nos distrair, todas as noites. Hoje eu me pergunto onde ela conseguia tanta força para suportar tudo o que suportou.

Ouvíamos o nosso velho rádio. As radionovelas... mas a minha paixão eram as estórias de fadas, princesas, príncipes encantados. Eu poderia ouvir mil vezes Cinderela (morria de pena da borralheira e vibrava com o final da estória) e ainda assim queria ouvir de novo. E "Joaninho Pequenino"!... Esta meus irmãos queriam ouvir mais e mais.

Eu nunca ia dormir antes papai chegasse. Minha mãe embalava um a um até que dormisse e eu ficava "firmona". Aguardava-o porque ele sempre trazia doces e também porque o amava tanto e queria vê-lo ainda uma vez antes de pegar no sono.

Enquanto o aguardávamos ficávamos as duas na sala, minha mãe e eu, e foram as melhores horas de minha vida (aquelas horas tão nossas).

Não sei depois de tantos anos se estávamos sugestionadas pelo ambiente, ou se pela ausência de papai, pelas nossas cabeças tão capazes de fantasiar... mas o fato é que minha mãe e eu víamos um fantasma.

Verdade mesmo! Ele se esgueirava rente a parede da sala e adentrava pela porta semi-fechada do quarto da nona. Usava um chapéu na cabeça e logo que ele entrava no quarto a impressão que tínhamos era que a noninha conversava com alguém.

No outro dia ela dizia: O "Queco" veio me visitar de novo esta noite.

Cresci assim, com aquele fantasma passando rente a parede e nem o estranhava mais. Ele fazia parte das nossas noites. Nem nos assustava.

Confesso que sentia mais medo quando as folhas das bananeiras balançavam-se com o vento do que com aquela figura que lentamente passava por nós.

Não conheci pessoalmente este meu avô, pois que faleceu bem antes de meu nascimento. Mas o vi, o senti, ou sei lá o quê. Ele fez parte de minha infância. Não foi um fantasma assustador, foi uma presença fluídica que ficou entre as tantas e tantas incógnitas que não decifrei em minha vida.

Foto de Sonia Delsin

OLHOS VERDES

OLHOS VERDES

Você habitou cavernas tão secretas de meu ser.
Com seus olhos verdes profundos.
Você se embrenhou em minh'alma com seus olhos incríveis.
Tão arraigados em meus domínios eles estiveram.
Que perdi o monopólio de minha vida.
Entreguei-a.
E só tive em troca a lembrança.
De seus olhos tão verdes!
Pairando em minha vida como barcos sobre mares turvos.
Você esteve fazendo estragos em mim com seus encantos.
Como serpentes hipnotizando a presa.
Invadida e subjugada.
Entreguei-me a eles.
E eles invadiram as regiões mais recônditas de meu ser.

Foto de Sonia Delsin

O TEMPO E O VENTO

O TEMPO E O VENTO
Sonia Lencione

Vem, encosta teus dedos
em meus dedos.
Deixa que se eletrizem
com o contato.
Coloca teus olhos
em meus olhos.
Vamos deixar nossas almas
conversando.

Vem, cola tua boca
em minha boca.
Vamos ao jardim das delícias.
Deixa que tuas mãos eletrizadas
caminhem
por meu corpo inteiro.
Que nossas almas se fundam
num abraço.
Vamos desfrutar nosso amor.

Na casa do amanhã talvez
não haja
mais tempo para nós.
Aproveitemos o agora.
Vem, deixa que o toque
de nossas mãos
nos leve ao paraíso.
Enquanto o vento não nos arraste
para caminhos adversos.

Vem, sente como bate este
meu coração cansado.
Ainda por ti e sempre.
Nunca mais outro
baterá assim
tão forte.

A paixão já fez estragos
em nossas vidas.
Carregou-nos para precipícios.
Vem, enquanto há tempo
para nós.
Cola teu corpo em meu corpo.
Não permita que o vento
nos separe.

Vem, ainda nos resta
um pouco de tempo.
Vem, beija-me
uma vez mais.
Entrelace teus dedos em
meus dedos e solte-os
agora, de leve.

Adeus, já é tempo!
Sinta como o
vento
nos carrega.
Acabou-se!
Já é amanhã
para nós...

Foto de Henrique Fernandes

O CORPO DA AMIZADE...

.
.
.

Com cabeça, tronco e membros, a amizade é o princípio, meio e fim de tudo!!!

(Henrique Fernandes)

Foto de Sonia Delsin

SERÁ TARDE PARA NÓS

SERÁ TARDE PARA NÓS

Se algum dia teu olhar no meu jardim entrar.
Se espiares.
E a rosa contemplares.
Fique silencioso com teus desejos.
Não me peça beijos.
Se algum dia tua mão sentir vontade de meu cabelo de tocar.
Se for muito grande a vontade de me abraçar.
Controle os impulsos teus.
Já controlei todos os meus.
Se um dia descobrires que eu sou a rosa que mais desejaste.
Esqueça.
Quando eu mais te quis, me recusaste.

Foto de Sonia Delsin

CAMPO DE GIRASSÓIS...

CAMPO DE GIRASSÓIS...

O vento me conta um segredo.
É, ele conta.
Nos campos de girassóis eu giro.
Giro como as belas plantas.
O vento me conta que alguém passou por aqui.
Antes de mim.
E deixou este jardim.
O vento conta.
Conta da moça que cantarolava.
Que dançava.
Neste campo ela rodava.
Ela amava.
Campo de girassóis.
E conta dos plantadores.
Esse mundo...
Amores.
Dores.
Flores.
Girassóis.
Campo de flores.

Foto de Sonia Delsin

VOLTE, AMOR

VOLTE, AMOR

Tenho os olhos úmidos.
Aperte minha mão.
Tenho uma dor...
É lá no fundo...
... do coração.
Seria tão mais fácil meu viver se eu conseguisse te esquecer.
Mas não posso.
Porque do teu beijo ficou o gosto.
Todo dia eu me lembro do teu abraço.
De quando eu me deitava no teu regaço.
Tenho os olhos brilhantes.
Da lágrima que não cai.
Da lágrima represada.
Começo a dar risada.
De tudo.
De nada.
Aperte minha mão.
Estou tão sentida.
Querendo tanto, tanto que voltes a fazer parte da minha vida.
Volte, amor.
Vamos caminhar de braço dado.
Vamos percorrer os caminhos do passado.
Aquela sorveteria ainda existe.
E isto me deixa triste.
Quando passo por ela vejo lá um dentro um casal a sorrir.
Um casal que só eu existe no meu imaginar.
Este casal lá nunca mais vai voltar.
Ou vai?
Volte, amor. Eu quero tanto.
Tomar sorvete na taça.
Achar graça...
Ó! Estou chorando...
A lágrima represada encontrou no meu rosto uma estrada...

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