Mãe... o ciclo girou... girou...
E se fechou.
Hoje... um novo ciclo começou.
Ontem você era minha fortaleza,
meu escudo e proteção.
Amparava-me com suas santas
e abençoadas mãos.
Hoje... vejo-te tão frágil, dependente
e tudo faço para que fique contente...
Quero que tenha o mesmo amor que me ofertou,
faço-me mago para adivinhar qualquer desejo seu,
reconheço cada olhar dos olhos seus.
O olhar pidão... ansiando por carinho e proteção!
O olhar de alegria... que tudo ao seu redor irradia!
O olhar de alforria... clamando por um pouco
mais de liberdade,
tentando fugir da severidade do seu tratamento,
zero açúcar, zero sal, zero gordura,
eliminação total de tudo que satura.
Hoje... mais uma vez te levo ao hospital
e empenho-lhe mais uma vez meu aval.
Prometo-lhe que vai sair desta,
que sua vida ainda será de muita festa,
que juntas teremos ainda muitos anos
de cumplicidade
e que a sua idade, os seus noventa e dois anos,
em nada atrapalhará nossos planos.
Hoje... mãe... você é o meu bebê...
E farei por você o que hoje sei
e também o que só amanhã saberei
porque te amo, mãe
com um amor tão grande... tão pleno...
que só você consegue ver...
um amor que em palavras
jamais saberei descrever
porque ele é imensurável... impalpável
e vai além do tempo!
Desculpe-me oh amanda Ondina
Por esta noite não contempla contigo
O maravilhoso prazer de poder te ter
Mesmo que em singelos e sultis
Minutos que passam de forma tão viva
Que logo tu partes e assim fico a sonhar e
Sonhado vou, pois como queria esta contigo
Oh carinhosa Ondina que mesmo quando
Cansada do labor do dia esta ainda me espera
Peço-lhe perdão, pois eu não resisti ao meu e
Assim me fiz cativo no deleite de minha cama
Onde nela descancei e sonhei contigo menina
Pois meu Corpo dorme enquanto meu Espirito
Esta ao seu lado junto com minha Mente que a ti
Sussurra o que meu Coração sente por ti menina
Desculpe-me...
Enviado por HELDER-DUARTE em Seg, 07/12/2009 - 15:07
Ai que saudades de ser menino!
Naquele, de Monchique, «Vale do Linho»...
Ai que dor e ansiedade!...
Como quem, perdeu a liberdade!
Laranjais, trigais e flores de mil cores...
Consolavam, minha alma, com caridade.
Naquele tempo, de minha tenra idade.
Também, pássaros eram lindos cantores!
Minhas ovelhas!... Onde estais!?...
Ai, que tanto, vos perdi!...
Mas ainda estarei, convosco, lá e ali.
Vinde ! Oh tempos eternos!... Vinde!
Vinde renovar, o que já não, contemplais!
O «Vale do Linho»... Dos laranjais!
Eu me permito...
Ser lambida pela brisa
Ser lavada pela chuva
Acariciar sua pele lisa
Saborear seu beijo com gosto de uva!
Eu me permito...
Ser banhada pelo mar
Ser aquecida pelo sol
Envolver-me em seus braços e te amar
Na hora do arrebol!
Eu me permito...
Voar nas asas do vento
Flutuar junto à lua
Desvendar seus pensamentos
Deixar minha alma nua!
Eu me permito...
Ouvir a sua metade que é grito
E o silêncio da outra metade
No silêncio eu acredito
No grito, percebo debilidade!
Eu me permito...
Entregar-me a sua humana ternura
Navegar na sua inspirada poesia
Lambuzar-me na sua doçura
Nos devaneios da fantasia!
Eu me permito...
Ser envolvida pela sua sedução
Dar-te o direito de invadir meu coração
Sentir seu encanto versejado
Deste meu vício desejado!
E só permito...
Porque você também me permitiu...
Mostrou-me o seu avesso...
Seu amor que eu mereço...
O seu vinho embriagante...
Numa noite alucinante...
Entre gemidos ofegantes!...
E nesta recíproca permissão
Corpos plenos...
Almas desnudas...
Cumplicidade...
Paz!
Enviado por CarmenCecilia em Dom, 06/12/2009 - 21:49
Querida Enise...
Poemas em tuas mãos são como jóias lapidadas.
Beijosss!!! Parabéns!!!
PEDRA BRUTA
POESIA: CARMEN CECILIA
EDIÇÃO: ENISE
PEDRA BRUTA
Essa Pedra Bruta... Que fazer com ela?
Deixá-la?
Desprezá-la?
Ou lapidar?
O trabalho vai ser árduo
Pra começar quantas arestas
A serem aparadas
Toda pontiaguda
Como se ao tocá-la
A intenção fosse machucar
Esse limbo então
É uma crosta de tal dimensão
Que não sei não
A empreita vai ser de montão
To ouvindo seu apelo mudo
Até agora me fiz de surdo
Mas vou tentar moldá-la
Vou tirar essa capa
E em cada etapa
Vou desnudá-la
E esculpi-la
Assim aos poucos perderá seu aspecto opaco
Disforme...
Agora sim!!! Está mais uniforme
Vai se descubrindo
Seu interior insinuando
E ela então nas facetas que vai mostrando
Que vão se torneando
Simetricamente agora se apresenta
E assim a preciosa gema vai se revelando
Poderá não ser um diamante raro
Nem caro
Mas refletirá todas as cores do arco íris
E seu brilho terá a intensidade da reciprocidade
Desse ourives que a contemplará
E o ocaso era uma certeza...
O tempo antes tão voraz...
Agora se arrastava com extrema vagareza...
E eu sentia esgarçar as minhas vísceras!!!
O vazio que ora se instalava em meu peito...
Era maior do que a minha existência...
Era maior do que tudo que já havia feito...
E eu ali, sem entender nada perdia toda importância!!!
Encerrava-se o meu grande amor...
Antes tão presente e rico...
Agora o sinônimo da dor..
Final ou começo de um caso tão bonito!!!
Ali inerte sem nada dizer...
Eu sentia romper um elo...
Um elo carnal...
A segunda e ultima parte do cordão umbilical!!!
Mas se estabelecia um acordo...
Um lindo acordo existencial...
De sermos partículas de um mesmo todo...
Um grande pacto universal!!!
Mãezinha em algum lugar nos encontraremos um dia!!!
Enviado por David--Ávila em Dom, 06/12/2009 - 13:26
Como um toque de mágica
Teu olhar diferente fez sentir-me no paraíso
Fechei os olhos para fugir, não consegui
Ele me ipnotizou e me trancou em um outro mundo.
Um sentimento forte brotou em meu ser
Como a lava de um vulcão brota da terra
Querendo ser exposto para todos
Tão veloz quanto um piscar de olhos.
Agora te busco sem cessar
Não sei onde te encontrar
Queria saber de teus passos, onde tens ido
Porque a vida sem você não faz sentido.