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Foto de Carmen Lúcia

Sangrar

É forte quem mostra a sua própria fraqueza
E quantos a traz disfarçada em seu peito...
Ferida exposta, doendo, guardada em segredo,
Calada, trancada... arquivando pecados e medos.

É forte quem reconhece que foi o culpado
Do que deveria dizer e manteve calado,
Do que poderia mudar e ficou ocultado,
Do que poderia fazer pra não ser derrotado.

E então precisamos sangrar, arvorar fortalezas...
Revelar nossas almas, retirar os temores e falhas,
Estancar de concreto, cimentar nossas valas...
Confessar a nós mesmos todas nossas fraquezas.

Carmen Lúcia

Foto de Henrique Fernandes

MARULHAR PRESO NAS FLORES DO CAMPO

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Sei que poderias nadar na minha praia e percorrer a grandeza das suas ondas ou a profundidade do meu oceano, mas não...apenas ficas imerso na superficialidade dos teus pensamentos e na frieza dos sentimentos.
Talvez aches que o Universo não tem a interdependência causal que faz de cada ser, único e especial.
Renuncias à poesia e renegas a (tua) magia mas eu sei, que à noite, ouves o (meu) marulhar...doce, suave, ritmado e profundo que, lentamente, te vai enchendo a alma e o espírito, inquietando o teu corpo.
No contorno da madrugada, eu sou tua amada...lua, tua...aroma, sorriso e toque que te provoca, e seduz, na candura de um olhar que te leva a (me) amar...

(turtlemoon)

Na montanha que me acolhe o coração, o (teu) marulhar… perfumado de inquietações, é digno de um louvor por um passeio pelo profundo do horizonte, onde o (meu) sonho indefinido lê os mexericos dos meus pensamentos de quem mora numa rua sem saída e a grandeza da tua praia, é um segredo preso nas flores do meu campo.
O cume montanhoso é renunciado pela poesia que te escrevo lá do alto de onde olho para esta terra com um sorriso na mão pedindo boleia ao sol que ouvindo a nossa voz, aquela voz que nos busca no tempo de saudade que vive em cheio a paisagem que nos separa e provoca a cada instante, gestos de amor na geometria dos vales e montes pintados com a tinta da natureza e do profundo do teu oceano.
Contorno a madrugada fria com o cheiro da erva fresca, e tudo é tão verdadeiro ao cantar a minha solidão pelo vento que ás vezes me trás a brisa da tua praia fazendo bailar as flores á beira da estrada contemplando a direcção até a ti na interdependência causal que te faz um ser único e especial.
O teu amar-me brinda emoções que têm sido a minha luz longe do teu mar, coberto pela (tua) imensidão de mulher…

(Henrique Fernandes)

Turtlemoon & Henrique Fernandes

Foto de ANACAROLINALOIRAMAR

SER MÃE


♥.."SER MÃE"!

SER MÃE é uma dádiva:
Um presente de Deus,
SER MÃE é saber falar,
Mas também saber ouvir.
SER MÃE é ensinar e aprender
Com os erros nossos e dos
Filhos.
Com esse aprendizado,
Saber ensiná-los
A fazer um mundo melhor.

SER MÃE é acordar no meio da noite
E não se incomodar em perder o sono,
Para cuidar de uma febre repentina .

SER MÃE é saber entender
Como também saber fazer
Vista grossa em momentos
Oportunos.

SER MÃE é dar luz e depois
Ficar cega
Diante a beleza dos filhos
Que gerou.

SER MÃE é saber ganhar e perder para o mundo.
...É ensiná-los a se prevenir das armadilhas do mundo.

SER MÃE é amar...amar pra vida toda.
SER MÃE é perdoar, ainda que não seja perdoada.

ADORO SER MÃE......Essa é uma homenagem ao meu filho Lucas.
Meu presente de Deus.

Anna ( A FLOR DE LIS ) *-*

Foto de Cy Nara

Saudades

Sinto saudades de ti;
Não mais a saudade doída que te nega a partida e lamenta a tua ausência.
Aquela que angustia, corroendo mente e peito em dores afastando do coração o prazer.
Sinto daudades de ti;
Não mais a suadade doída que te nega a partida e lamenta a tua ausência.
Aquela que trás lágrimas aos olhos e tristeza ao olhar.
Sinto saudades de ti;
Não mais a saudade doída...
Aquela que faz com que minha face se renda agravidade e a dor,arqueando a angulação dos meus lábios para assim privar do meu rosto o sorriso.
É, sinto saudades de ti;
E o som da tua voz guardado na lembrança, me inunda o peito e todos os sentidos.
Tal qual as cores, cheiros e gostos sendidos na infância.
Meus olhos brilham, meu coração se alegra.
Agravidade e a dor não mais existem.
Agora sim, consigo vislumbrar com clareza a imensidão do gostar.
Como foi bom ter podido um dia te reencontrar!
Ah! Sinto saudades de ti;
E nesse exato momento,em contradição a melancolia que poderia advir de tão saudoso sentimento.
Posso sorrir! trazendo aquecido meu peito com o carinho que contigo aprendi.
Eu esstou feliz, em paz...
Porque sim. É assim!
Sim, eu sinto saudades de ti.

Foto de Sonia Delsin

CAVALGANDO

CAVALGANDO

Fecho os olhos...
Estou cavalgando.
Que coisa boa estou lembrando!
Lembrando de uma noite tão linda.
Por mim ela seria infinda.
Estou cavalgando...
Agora estou ao vento...
Sou puramente lembrança e pensamento.
Meus cabelos estão soltos.
Umas mãos o agarram.
Mãos que amo.
Estou quase voando...
Estou voando.
Àquela noite estou voltando.
Sinto teus lábios me tocando.
Sinto teu corpo ao meu tão estreitado.
Ó, meu amado!
Sinto tudo.
Teus arrepios... os meus...
Ouço tua voz... a minha...
Os sussurros... os gemidos...
As palavras em nossos ouvidos.
Quase perco o sentido.
Tenho tudo de volta.
Estou longe daqui.
Longe, longe...
Estou cavalgando... cavalgando.
Um cavalo alado estou montando.
Ai... estou ao céu chegando.

Foto de João Freitas

GAVIÃO

GAVIÃO
Vai gavião, ave ligeira
Águia do Piauí campeira
Mira tua presa primeira
Cerca os lados, mateira
Olhar amarelo fogueira
Asas na posição derradeira
Rumo abaixo qual ladeira
Mata sua comida certeira
Arremete pro ninho cabreira
Alimenta-se, e voa faceira
Mais um dia de vida rotineira

João Freitas - Direitos autorais registrados.

Foto de Raiblue

Hip nó tica...

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Sonhei seus olhos
Roda-gigante
A circular em mim
Emoções rodopiam
No meu corpo
Movimentam
Lençóis azuis
Moinhos de nuvens
A desabar
E encharcar
A cama...
Desejo líquido
Contido na íris
Do teu olhar
Que traz a noite
E suas vertigens...
Hipn (ótica)
Eros na ótica
Erótica!
Aprisionada
Em teus círculos
Claustro libertino!
Retinas retendo-me
Lá dentro...
Onde me molho
E moro
Nas noites
Em que seus olhos
Me visitam...

(Raiblue)

Foto de Sonia Delsin

NÃO SEI AMAR OUTRO HOMEM

NÃO SEI AMAR OUTRO HOMEM

Os teus olhos me olharam um dia...
Ó, quanta alegria!
Quem imaginaria que tanta coisa aconteceria?
Só a ti sei amar.
Só tua boca me dá um prazer sem igual.
És muito, muito especial.
Não sei amar outro homem não.
Não sei a outro entregar meu coração.
Parece que outras mãos não me agradam tanto.
Parece que outros olhos não são estrelas flamejantes como os teus.
Nunca existirá entre nós um adeus...
Estarei sempre chegando...como cheguei naquele tempo.
Parecia uma magia.
Uma ilha da fantasia.
Eu cheguei pra encher teu mundo de amor... e de poesia.

Foto de Henrique Fernandes

CADA MULHER TEM O SEU OLHAR

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Olho uma e outra mulher
Olho todas sem encontrar
Uma que queira o meu querer
Denunciado num olhar

São tantas as opções
No confuso que procuro
Ao mais reparo menos vejo
Marcando o escuro

Cada uma tem o seu olhar
Em todas desiguais
Neste errado procurar
Ou procuro demais

Tento conquistar
Sem ser conquistado
Continuarei a mirar
Até ser apreciado

Foto de Alves Barrota

Bucólica

Domingos era pastor,
tratava dos seus rebanhos,
com Deolinda casado.
Acordar madrugador,
que por cuidados tamanhos
pouco dormia, o coitado.

Deolinda, tão sózinha,
em devaneios de amores,
que são coisa apetecida,
vive na sua casinha
suspirando dos ardores
que rompem em sua vida.

Um dia, chegou à aldeia
um padre novo. Mocetão
forte, latinidade obscura,
que logo teve uma ideia:
por meio da confissão
ver do rebanho a natura.

Absolvendo pecados,
ligeiro na penitência,
acurando sempre a todos
como um pastor em cuidados,
foi com tal inteligência
cativando destes modos.

Deolinda, pecadora,
temente de Deus, pudera,
no confessionário, em surdina,
contou do jeito que chora...
Como sonha...Quanto espera...
Ao homem sobrou batina.

Desse momento em diante
dispensou-lhe a confissão,
deixou de ouvir seus segredos.
Juntava-se, a todo o instante,
para lhe dar sua benção
na casinha. Que aconchegos...

O povo já murmurava
sem recato, boca fora,
que com Domingos na serra,
enquanto o gado pastava,
o padre e a pecadora
santificavam-se em terra.

Assustou-se Deolinda.
E chorando tristes ais
p'ra não ser excomungada
deu a coisa como finda.
O padre nunca viu mais...
Recatos de gente casada.

Domingos não era surdo
se bem que parvo parecia
pelo tamanho da orelha.
Porém, achou absurdo
ouvir falar na homilia
num tal Domingos ovelha!

Foi p'ra casa taciturno,
a repensar o assunto.
E com um uso agressivo,
num talho de voz soturno,
olhou Deolinda, bestunto,
e perguntou-lhe o motivo.

Credo! Cruzes! Esbraceja...
A mulher nada sabia
do que o padre inventou.
Abalaram para a igreja,
entraram na sacristia
e nestes termos falou:

"Ó senhor abade, abadinho!
Ó senhor abade, abadão!
Chamou a meu homem, Domingos, ovelha?
O senhor que bebeu meu vinho,
o senhor que comeu meu pão
e rompeu meus lençóis de linho?
Antes lhe chamara corno, cornelha!
Que os tem retorcidos para trás da orelha!"

"Já chega, mulher, já chega",
grita Domingos, aflito
vendo Deolinda em brasa.
"Acaba com isso! Sossega!
Tudo não passou dum dito."
E regressaram a casa...

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