Café

Foto de Marilene Anacleto

Construção

Ploc... Ploc... Prrrriiii.... Prrrriiii...

Quero fazer oração,
O pedreiro já chegou.

Vou preparar o café
Tenho de dar instruções.

Agora resolvo ler,
Ele liga a betoneira.

Decido escrever um pouco,
Ele liga a furadeira.

Então pego a vassoura,
Ele chama para ver o cano.

Eu tento dar um cochilo,
A voz dele me arrepia.

Desassossego, bagunça, estresse.
Quem consegue fazer algo
Com um barulho desses?

Está ficando uma beleza a minha casa.
Que bom! Quando tudo sossegar,
Posso rir, brincar, criar asas.

Marilene Anacleto

Foto de betimartins

Hino de amor à natureza

Hino de amor à natureza

No verde que minha vista já não alcança, no espaço repleto de beleza eu vejo as rolinhas, felizes e contentes debicarem seus petiscos, os insetos soltos por ali...

Entre os vôos de marcar territórios, os bem-te-vis são agressivos por demais, disputa o pobre pica-pau de penas avermelhadas, fazendo mesmo assim as suas graças na árvore...

Olho o lago com suas imensas águas, espelhando Dourado do Sol, refletindo as nuvens e as árvores dali, e na beira do lago os canto agitados dos quero-queros, querendo eu longe dali...

Entre os pulares nas árvores gigantes, olho e não consigo entender vejo misturados no verde os belos periquitos a namorar, que algazarra eles fazem ali...

Observo as outras árvores e vejo os ninhos do joão-de-barro, quanta perfeição e observo ali e quanto trabalho árduo ele tiveram pelos seus amados filhinhos...

De repente escuto o barulho na água de um mergulhão quase azul e esverdeado a pescar, que belos vôos ele fazia na água, rumando para a enorme castanheira descansar...

Ruídos estranhos e estridentes me fazem olhar para as arvores vizinhas, qual é o meu espanto que vejo famílias de sagüis espreitarem-nos, alguns ainda muitos bebezinhos...

Perdemos em breves pensamentos, ao ver tanta união ali, os bebês seguirem suas mães e lembrar quantos de nós os humanos mataram e maltrataram as nossas crias...

Jamais são deixados ao esquecimento, nem deitados ao lixo, apenas são animais, mas que cuidam verdadeiramente das suas crias como as mães devem ser de verdade...

Olho para o relógio e vejo que são onze horas, vejo gente com seus lanches, para ficar a descansar do trabalho, ficando apreciar o que a natureza ali oferece...

Rasga o silencio da represa, o trem que esta chegando ali, sãos os mais variados vagões de mercadoria, onde outrora era o café que mais se transportava ali...

O Sol se esconde por breves momentos, ficando tudo no mais absoluto silêncio, a penumbra sobressai ali recolhendo os nossos pensamentos...

As nuvens são arrastadas pelo vento que suavemente se faz sentir, deixando o Sol, emergir trazendo o calor e iluminando tudo por ali...

Uma pequena serenata se escuta ali, como agradecimento á vida que corre ali, de novo o barulho das águas, são a belas famílias de capivaras, que vem descansar ali...
Na cor prata da água, vejo emergir os peixinhos, buscando os restos de comida, deixados para as famílias de patos que vivem espalhados ali...

Observo a vida em forma bruta, quanto ela é majestosa, recheada de coisas tão belas como o amor, partilha vivida por eles ali...

Imaginei um verdadeiro artista pintando aquele quadro visto ali, quais seriam as cores pintadas, até os detalhes das minúsculas borboletas e as belas libelinhas voando por ali...

Alegre e completamente feliz, quis dançar ali, esvoaçar como os pássaros, cantar como um canário, como se fosse uma oração e agradecimento a vida...

A paz que eu encontrei e senti ali, apenas é a melhor união com Deus, o mais belo hino de amor cantado pela natureza para mim...

Betimartins

www.betimartins.prosaeverso.net 25 de Março de 2011

Foto de fisko

Deixa lá...

Naquele fim de tarde éramos eu e tu, personagens centrais de um embrulho 8mm desconfiados das suas cenas finais… abraçados ao relento de um pôr-do-sol às 17:00h, frio e repleto de timidez que se desvanece como que um fumo de um cigarro. Eu tinha ido recarregar um vício de bolso, o mesmo que me unia, a cada dia, à tua presença transparente e omnipotente por me saudares dia e noite, por daquela forma prestares cuidados pontuais, como mais ninguém, porque ninguém se importara com a falta da minha presença como tu. Ainda me lembro da roupa que usara na altura: o cachecol ainda o uso por vezes; a camisola ofereci-a à minha irmã – olha, ainda anteontem, dia 20, usou-a e eu recordei até o cheiro do teu cabelo naquela pequena lembrança – lembro-me até do calçado: sapatilhas brancas largas, daquelas que servem pouco para jogar à bola; as calças, dei-as entretanto no meio da nossa história, a um instituto qualquer de caridade por já não me servirem, já no fim do nosso primeiro round. E olha, foi assim que começou e eu lembro-me.
Estava eu na aula de geometria, já mais recentemente, e, mais uma vez, agarrei aquele vício de bolso que nos unia em presenças transparentes; olhei e tinha uma mensagem: “Amor, saí da aula. Vou ao centro comercial trocar umas coisas e depois apanho o autocarro para tua casa”. Faço agora um fast forward à memória e vejo-me a chegar a casa… estavas já tu a caminho e eu, entretanto, agarrei a fome e dei-lhe um prato de massa com carne, aquecido no micro-ondas por pouco tempo… tu chegas, abraças-me e beijas-me a face e os lábios. Usufruo de mais um genial fast forward para chegar ao quarto. “Olha vês, fui eu que pintei” e contemplavas o azul das paredes de marfim da minha morada. Usaste uma camisola roxa, com um lenço castanho e um casaco de lã quentinho, castanho claro. O soutien era preto, com linhas demarcadas pretas, sem qualquer ornamento complexo, justamente preto e só isso, embalando os teus seios únicos e macios, janela de um prazer que se sentia até nas pontas dos pés, máquina de movimento que me acompanhou por dois anos.
Acordas sempre com uma fome de mundo, com doses repentinas de libido masculino, vingando-te no pequeno-almoço, dilacerando pedaços de pão com manteiga e café. Lembro-me que me irrita a tua boa disposição matinal, enquanto eu, do outro lado do concelho, rasgo-me apenas mais um bocado de mim próprio por não ser mais treta nenhuma, por já não me colocares do outro lado da balança do teu ser. A tua refeição, colorida e delicada… enquanto me voltavas a chatear pela merda do colesterol, abrindo mãos ao chocolate que guardas na gaveta da cozinha, colocando a compota de morango nas torradas do lanche, bebendo sumos plásticos em conversas igualmente plásticas sobre planos para a noite de sexta-feira. E eu ali, sentado no sofá da sala, perdendo tempo a ver filmes estúpidos e sem nexo nenhum enquanto tu, com frases repetidas na cabeça como “amor, gosto muito de ti e quero-te aos Domingos” – “amor, dá-me a tua vida sempre” – “amor, não dá mais porque não consigo mais pôr-te na minha vida” e nada isto te tirar o sono a meio da noite, como a mim. Enquanto estudo para os exames da faculdade num qualquer café da avenida, constantemente mais importado em ver se apareces do que propriamente com o estudo, acomodas-te a um rapaz diferente, a um rapaz que não eu, a um rapaz repentino e quase em fase mixada de pessoas entre eu, tu e ele. Que raio…

Naquela noite, depois dos nossos corpos se saciarem, depois de toda a loucura de um sentimento exposto em duas horas de prazer, pediste-me para ficar ali a vida toda.

Passei o resto da noite a magicar entre ter-te e perder-te novamente, dois pratos de uma balança que tende ceder para o lado que menos desejo.
É forte demais tudo isto para se comover e, logo peguei numa folha de papel, seria nesta onde me iria despedir. Sem força, sem coragem, com todas aquelas coisas do politicamente correcto e clichés e envergaduras, sem vergonha, com plano de fundo todos os “não tarda vais encontrar uma pessoa que te faça feliz, vais ver”, “mereces mais que uma carcaça velha” e até mesmo um “não és tu, sou eu”… as razões eram todas e nenhuma. Já fui, em tempos, pragmático com estas coisas. Tu é que és mais “há que desaparecer, não arrastar”, “sofre-se o que tem que se sofrer e passa-se para outra”. Não se gosta por obrigação, amor…
Arranquei a tampa da caneta de tinta azul, mal sabia que iria tempos depois arrancar o que sinto por ti, sem qualquer medo nem enredo, tornar-me-ia mais homem justo à merda que o mundo me tem dado. Aliás, ao que o teu mundo me tem dado… ligo a máquina do café gostoso e barato, tiro um café e sento-o ao meu lado, por cima da mesa que aguentava o peso das palavras que eu ia explodindo numa página em branco. Vou escrevendo o teu nome... quão me arrepia escrever o teu nome, pintura em palavras de uma paisagem mista, ora tristonha, ora humorística… O fôlego vai-se perdendo aos poucos ornamentos que vou dando á folha… Hesitação? Dúvidas?... e logo consigo louvar-me de letras justapostas, precisamente justas ao fado que quiseste assumir à nossa história. Estou tão acarinhado pela folha, agora rabiscada e inútil a qualquer Fernando Pessoa, que quase deambulo, acompanhando apenas a existência do meu tempo e do tic-tac do meu relógio de pulso. Não me esqueço dos “caramba amor”, verso mais sublime a um expulsar más vibrações causadas por ti. Lembro-me do jardim onde trocávamos corpos celestes, carícias, toques pessoais e lhes atribuíamos o nome “prazer/amor”. Estou confuso e longe do mundo, fechando-me apenas na folha rabiscada com uma frase marcante no começo “Querida XXXXXX,”… e abraço agora o café, já frio, e bebo-o e sinto-o alterar-me estados interiores. Lembro-me de um “NÃO!” a caminho da tijoleira, onde a chávena já estaria estilhaçada…
Levantei-me algum tempo depois. Foste tu que me encontraste ali espatifado, a contemplar o tecto que não pintei, contemplando-o de olhos cintilantes… na carta que ainda estava por cima da mesa leste:

“Querida XXXXXX, tens sido o melhor que alguma vez tive. Os tempos que passamos juntos são os que etiqueto “úteis”, por sentir que não dou valor ao que tenho quando partes. Nunca consegui viver para ninguém senão para ti. Todas as outras são desnecessárias, produtos escusados e de nenhum interesse. Ainda quero mesmo que me abraces aos Domingos, dias úteis, feriados e dias inventados no nosso calendário. M…”

Quis o meu fado que aquele "M" permanecesse isolado, sem o "as" que o completaria... e quis uma coincidência que o dia seguinte fosse 24 de Março... e eis como uma carta de despedida, que sem o "Mas", se transformou ali, para mim e para sempre, numa carta precisamente um mês após me teres sacrificado todo aquele sentimento nosso.
Ela nunca me esqueceu... não voltou a namorar como fizemos... e ainda hoje, quando ouço os seus passos aproximarem-se do meu eterno palácio de papel onde me vem chorar, ainda que morto, o meu coração sangra de dor...

Foto de fisko

Deixa lá...

Naquele fim de tarde éramos eu e tu, personagens centrais de um embrulho 8mm desconfiados das suas cenas finais… abraçados ao relento de um pôr-do-sol às 17:00h, frio e repleto de timidez que se desvanece como que um fumo de um cigarro. Eu tinha ido carregar um vício de bolso, o mesmo que me unia, a cada dia, à tua presença transparente e omnipotente por me saudares dia e noite, por daquela forma prestares cuidados pontuais, como mais ninguém, porque ninguém se importara com a falta da minha presença como tu. Ainda me lembro da roupa que usara na altura: o cachecol ainda o uso por vezes; a camisola ofereci-a à minha irmã – olha, ainda anteontem, dia 20, usou-a e eu recordei até o cheiro do teu cabelo naquela pequena lembrança – lembro-me até do calçado: sapatilhas brancas largas, daquelas que servem pouco para jogar à bola; as calças, dei-as entretanto no meio da nossa história, a um instituto qualquer de caridade por já não me servirem, já no fim do nosso primeiro round. E olha, foi assim que começou e eu lembro-me.
Estava eu na aula de geometria, já mais recentemente, e, mais uma vez, agarrei aquele vício de bolso que nos unia em presenças transparentes; olhei e tinha uma mensagem: “Amor, saí da aula. Vou ao centro comercial trocar umas coisas e depois apanho o autocarro para tua casa”. Faço agora um fast forward à memória e vejo-me a chegar a casa… estavas já tu a caminho e eu, entretanto, agarrei a fome e dei-lhe um prato de massa com carne, aquecido no micro-ondas por pouco tempo… tu chegas, abraças-me e beijas-me a face e os lábios. Usufruo de mais um genial fast forward para chegar ao quarto. “Olha vês, fui eu que pintei” e contemplavas o azul das paredes de marfim da minha morada. Usaste uma camisola roxa, com um lenço castanho e um casaco de lã quentinho, castanho claro. O soutien era preto, com linhas demarcadas pretas, sem qualquer ornamento complexo, justamente preto e só isso, embalando os teus seios únicos e macios, janela de um prazer que se sentia até nas pontas dos pés, máquina de movimento que me acompanhou por dois anos.
Acordas sempre com uma fome de mundo, com doses repentinas de libido masculino, vingando-te no pequeno-almoço, dilacerando pedaços de pão com manteiga e café. Lembro-me que me irrita a tua boa disposição matinal, enquanto eu, do outro lado do concelho, rasgo-me apenas mais um bocado de mim próprio por não ser mais treta nenhuma, por já não me colocares do outro lado da balança do teu ser. A tua refeição, colorida e delicada… enquanto me voltavas a chatear pela merda do colesterol, abrindo mãos ao chocolate que guardas na gaveta da cozinha, colocando a compota de morango nas torradas do lanche, bebendo sumos plásticos em conversas igualmente plásticas sobre planos para a noite de sexta-feira. E eu ali, sentado no sofá da sala, perdendo tempo a ver filmes estúpidos e sem nexo nenhum enquanto tu, com frases repetidas na cabeça como “amor, gosto muito de ti e quero-te aos Domingos” – “amor, dá-me a tua vida sempre” – “amor, não dá mais porque não consigo mais pôr-te na minha vida” e nada isto te tirar o sono a meio da noite, como a mim. Enquanto estudo para os exames da faculdade num qualquer café da avenida, constantemente mais importado em ver se apareces do que propriamente com o estudo, acomodas-te a um rapaz diferente, a um rapaz que não eu, a um rapaz repentino e quase em fase mixada de pessoas entre eu, tu e ele. Que raio…

Naquela noite, depois dos nossos corpos se saciarem, depois de toda a loucura de um sentimento exposto em duas horas de prazer, pediste-me para ficar ali a vida toda.

Passei o resto da noite a magicar entre ter-te e perder-te novamente, dois pratos de uma balança que tende ceder para o lado que menos desejo.
É forte demais tudo isto para se comover e, logo peguei numa folha de papel, seria esta, onde me iria despedir. Sem força, sem coragem, com todas aquelas coisas do politicamente correcto e clichés e envergaduras, sem vergonha, com plano de fundo todos os “não tarda vais encontrar uma pessoa que te faça feliz, vais ver”, “mereces mais que uma carcaça velha” e até mesmo um “não és tu, sou eu”… as razões eram todas e nenhuma. Já fui, em tempos, pragmático com estas coisas. Tu é que és mais “há que desaparecer, não arrastar”, “sofre-se o que tem que se sofrer e passa-se para outra”. Não se gosta por obrigação, amor…
Arranquei a tampa da caneta de tinta azul, mal sabia que iria tempos depois arrancar o que sinto por ti, sem qualquer medo nem enredo, tornar-me-ia mais homem justo à merda que o mundo me tem dado. Aliás, ao que o teu mundo me tem dado… ligo a máquina do café gostoso e barato, tiro um café e sento-o ao meu lado, por cima da mesa que aguentava o peso das palavras que eu ia explodindo numa página em branco. Vou escrevendo o teu nome... quão me arrepia escrever o teu nome, pintura em palavras de uma paisagem mista, ora tristonha, ora humorística… O fôlego vai-se perdendo aos poucos ornamentos que vou dando á folha… Hesitação? Dúvidas?... e logo consigo louvar-me de letras justapostas, precisamente justas ao fado que quiseste assumir à nossa história. Estou tão acarinhado pela folha, agora rabiscada e inútil a qualquer Fernando Pessoa, que quase deambulo, acompanhando apenas a existência do meu tempo e do tic-tac do meu relógio de pulso. Não me esqueço dos “caramba amor”, verso mais sublime a um expulsar más vibrações causadas por ti. Lembro-me do jardim onde trocávamos corpos celestes, carícias, toques pessoais e lhes atribuíamos o nome “prazer/amor”. Estou confuso e longe do mundo, fechando-me apenas na folha rabiscada com uma frase marcante no começo “Querida XXXXXX,”… e abraço agora o café, já frio, e bebo-o e sinto-o alterar-me estados interiores. Lembro-me de um “NÃO!” a caminho da tijoleira, onde a chávena já estaria estilhaçada…
Levantei-me algum tempo depois. Foste tu que me encontraste ali espatifado, a contemplar o tecto que não pintei, contemplando-o de olhos cintilantes… na carta que ainda estava por cima da mesa leste:

“Querida XXXXXX, tens sido o melhor que alguma vez tive. Os tempos que passamos juntos são os que etiqueto “úteis”, por sentir que não dou valor ao que tenho quando partes. Nunca consegui viver para ninguém senão para ti. Todas as outras são desnecessárias, produtos escusados e de nenhum interesse. Ainda quero mesmo que me abraces aos Domingos, dias úteis, feriados e dias inventados no nosso calendário. M…”

Quis o meu fado que aquele "M" permanecesse isolado, sem o "as" que o completaria... e quis uma coincidência que o dia seguinte fosse 24 de Março... e eis como uma carta de despedida, que sem o "Mas", se transformou ali, para mim e para sempre, numa carta precisamente um mês após me teres sacrificado todo aquele sentimento nosso.
Ela nunca me esqueceu... não voltou a namorar como fizemos... e ainda hoje, quando ouço os seus passos aproximarem-se do meu eterno palácio de papel onde me vem chorar, ainda que morto, o meu coração sangra de dor...



Foto de odias pereira

" VOCÊ É TUDO PRA MIM "

Você é tudo pra mim,
Você é o sono que preciso pra poder dormir.
É o meu lençol de brim,
Um lençol cheiroso que tenho para me cobrir.
Você é a manta xadrez que tenho para me aquecer,
É o travessero fofo que me agasalho.
É o radinho de cabeceira que me faz adormecer,
É o despertador barulhento que me acorda com seu chato chocalho.
Você é a minha pantufa que me leva até o banheiro,
A escova de dentes que acaricia a minha boca.
O sabonete que no banho me acompanha no chuveiro
Você é o meu tudo, você é a minha vontade louca.
Você é tudo pra mim,
Você é o meu café da manhã.
Você é as minhas frutas o meu pudim,
Você é a minha horação , a minha mente sã.
Você é a minha manhã linda de sol radiante,
É o meu caminhar num bosque junto a natureza.
É as minhas horas de alegrias alucinantes,
É o entardecer, ouro lindo mostrando sua beleza.
Você é tudo pra mim,
Você é tudo aquilo que eu mais quero na vida.
Você é o meu querubim,
Você é a minha musa, minha deusa, minha esposa querida...

São José dos Campos SP
Autor Odias Pereira
15/03/2011

Foto de Marilene Anacleto

Ainda Existe Poesia

Há falta de amor para compreender,
Não há mais ação política
Que se coloque no lugar do outro.
Mas há sentimento de unidade,
Quando acontecem tragédias
Humanas, políticas e naturais
É o pobre que ajuda o pobre.

Pagam-se impostos, para abastar
A vida de falsos governos,
No café, na margarina, no feijão.
Mas constroem nossas casas
Em bairros que sofrem inundação,
Em montanhas que deslizam sonhos
De quem pagou aos poderes, o pão,
A viagem, as bebidas, o avião.

Ainda bem que,
Enquanto alguns causam calamidades,
Outros descobrem a solidariedade.

Enquanto alguns carregam dinheiro em avião
Outros descobrem a compaixão.
Corações inteligentes surgem,
Mentes amorosas realizam.
Enquanto os responsáveis políticos fogem,
Grandes instituições humanas emergem,
Acodem e sacodem o povo,
Colocando-se no lugar do outro.

Ainda bem que,
À semelhança da natureza,
Em que apesar dos rios poluídos,
Ainda fecundam as rosas;
Apesar dos corações sufocados,
Das mentes e corpos cansados
Do sobreviver do dia-a-dia,
Ainda existe humanidade,
Ainda existe esperança,
Ainda existe poesia.

Marilene Anacleto
14/03/11

Foto de Marilene Anacleto

Dona de Casa

DONA DE CASA

Escancarei-me em sorriso.
São seis da manhã.
O sol se apresenta
Pela telha de vidro.

Um copo d’água,
Roupa bem surrada,
Grama cortada.

Para os cantores,
Banana e água,
Fresca e doce.

Às nove horas,
Café da manhã,
Bem preguiçoso.

E então o mar. O mar...
Transparente e calmo,
E a brisa a cheirar.

Tai chi, banho, tai chi,
Sol, frescor e paz,
Nos momentos que vivi.

Almoço? Dois pastéis
E um pouco de gelatina.
Descanso perna e pés.

Levanto. Cozinho, lavo
Louça, roupa, chão.
E o mar... transparente e calmo.

Ondas regulares faz
A maré baixando.
Corro ondas, mergulho paz.

Vento doido. Chuva, frio.
Cobertor de orelha.
Paixão. Aconchego.

Sonhos fluídos, coloridos.
Descanso da noite.
Acordo em sorrisos.

Marilene Anacleto
10/11/2007

Publicado em: http://rotadaalma.spaces.live.com/ , em 26/11/07
Publicado no site http://www.itajaionline.com.br/colunas/marilene/marilene.htm,

Foto de Marilene Anacleto

Poemas de Paz - 5 - Instante de Paz

O sol da primavera de dezembro
Encontra suor escorrendo
E corpos cansados da noite

Planta alguma se move
E o barulho do ar condicionado
Agora é abafado.

Os cantos dos bandos de pássaros
Festejam agora o encontro
No lugar de alimentos fartos.

No horário de verão,
Seis e meia da manhã tórrida
Já parece meio-dia.

Eu inteira acompanho
O sagrado bailado dos pássaros.
Minha Alma agradece

As árvores que os acolhem,
As sementes que lhes dão vida,
E as novas plantas que crescem.

Leve brisa presenteia-me
Com um toque de quase Amém!
Quando grande nuvem cobre o sol
E o movimento do dia vem.

Com ele a paz do encanto,
Do cheiro do ser, meu amado,
Prepara a mesa na sacada
Para o café ao meu lado.

Marilene Anacleto
01/12/05

Foto de raqueleste

Carta de aniversário de casamento para o meu amado...

Por essa carta quero expressar todo o meu amor e minha gratidão.
Por essas palavras, vogais consoantes e silabas quero te falar do meu coração.
Que um dia se apaixonou pelo seu olhar, sua compreensão...

No dia que te conheci, não tinha como saber que seria somente eu e você.
Que seriamos um só, um todo, um casal, amigos, e namorados...

O tempo passou, e tudo foi acontecendo no seu ritmo.

Não compreendi de inicio, na verdade a vida nós surpreende...
Quando menos se espera as coisas acontecem...

Percebemos que tudo tem duplos significados, e que um simples olhar pode nós fazer se apaixonar ou se odiar, e que as palavras tem que ser pensadas e depois faladas. E que o silencio fala mais que mil palavras...

Percebemos que um carinho, não é só excitação, que às vezes abraçar, sentar junto conversar tomar um café ou até mesmo ler um livro juntos é algo muito prazeroso...

Descobrimos um mapa só nosso, do corpo, sentidos e da alma...

Que segredos são compartilhados, e desejos e fantasias são realizados...
Que quem ama vive em um mundo de faz de conta...
Mais também em uma realidade bonita, feita de dedicação ensinamentos e fé...

Percebemos que a beleza não está só por fora
E o que é mais bonito de tudo é o amor...
E mesmo sendo tão bonito, tão admirando entre as pessoas do mundo todo.
Não o encontramos em passarelas, ou se vangloriando...
Ao contrario ele fica guardado dentro do coração de cada pessoa.
Como o meu está guardado aqui dentro somente se mostrando para você

Aprendemos que uma flor deixa a casa mais bonita...
E que um bombom fica mais gostoso quando desfrutado entre um beijo e outro...
E também que quando amamos viramos crianças de novo...
Mais a cima de tudo, percebemos que dar e melhor que receber...

Receba então essas linhas simples mais cheia de amor e carinho que tenho em meu coração, como uma pequena amostra da minha admiração...
Te amo....

Foto de MALENA41

QUARENTA MINUTOS...

Era o tempo de subir o elevador. Abrir a porta do apartamento.
Era o tempo...
Os dois tão jovens, bonitos. Ficariam naquele hotel quarenta minutos.
Existia amor?
Existia tesão. Grande atração.
A porta mal fechou e ele a abraçou. Ardentemente a beijou.
Ali, naquele hotel teriam quarenta minutos.
E depois?
Para que pensar no depois?

Micaela o conhecera no shopping center. Marcelo era alto. Bem alto. Bonito, lindo mesmo.
Os olhos azuis, o corpo atraente.
Ele também notou-a de imediato.
De lilás ela ficava bem e usava naquele dia o uniforme de trabalho. Estava em seu horário de almoço. Os brincos também eram roxinhos.
Como caía bem para aquela loira a cor lilás!

Ele pediu um café expresso e não a perdia de vista. Ela também era alta. Um metro de setenta e cinco? Um pouco mais?
Como se aproximar dela?

Quando a viu entrando na loja de celulares resolveu fazer o mesmo.
Ficariam próximos e quem sabe pudesse puxar conversa com ela.

- É muito legal este que pegou antes.
- Você acha? – ela respondeu sorrindo.
Ainda mais bonita sorrindo, ele pensou.
- Acho.
Ele não resistiu.
- Você fica bem de lilás.
- Acha? É meu uniforme. Trabalho aqui no shopping.
- Eu não sou daqui. Estou de passagem nesta bela cidade.
- Gostou daqui?
- Gostei de você. - Nasceu aqui?
Esqueceram completamente a vendedora e o celular. Deixaram o balcão e a vendedora que os viu se afastando sem nada dizer.
- Meu nome é Marcelo.
- Micaela.
- Queria te ver de novo.
- Até quando fica aqui?
- Parto depois de amanhã.
Olhando-a nos olhos.
- Deve ter um namorado. É muito bonita.
- Estou sozinha no momento. Terminei um namoro de cinco anos.
- Cinco anos?
- Sim. Você também deve ter uma namorada. É muito bonito.
- Sou noivo. Vou casar daqui dois meses.
- Foi um prazer lhe conhecer, – disse Micaela estendendo a longa mão e fazendo menção de se afastar.
- Quero vê-la de novo.
- É melhor não.
- Onde trabalha?
- Esqueça. Tchau.
- Quero vê-la de novo. Gostei de você.

Ela sentia que não devia encompridar o papo. Ela sentia...
Mas num ímpeto falou o nome da loja onde trabalhava.
- Vou comprar uma camisa lá. Estou precisando.
- Ok. Agora preciso ir. Está na minha hora de entrar.
- Passo lá.

Ele passaria? Falou que passaria.
Olhava cada homem que entrava e Marcelo apareceu duas horas depois.
Escolheu a camisa e na despedida deixou um pequeno pedaço de papel em sua mão.
Ela disfarçou e ficou de rabo de olho olhando-o sair.
Noivo.
Pouco depois foi a toalete e viu o número do celular dele anotado ali.
Ligaria? Ainda não sabia se o faria.

Na manhã seguinte...
- Marcelo. É Micaela.
- Sabia que me ligaria. Quero vê-la hoje. Minha viagem foi antecipada. Preciso voltar esta tarde para casa.
- Tenho uma hora e meia de almoço.
- É tempo suficiente.

Era uma loucura estar ali nos braços daquele homem. Uma deliciosa loucura. Ele tinha uma noiva...
- Que gostosa é sua boca. Você toda é gostosa.
E depois?
Depois nada.
Ela se entregaria a ele e pronto.

O beijo já os deixava maluquinhos. Imagine o resto.
Ele beijava-a na boca, na face, descia para o pescoço.
Nunca fora bom assim com Augusto. Não havia este fogo.
Por que lembrar de Augusto nesta hora?
Ela estremecia.
- Está bem, querida?
- Sim. Quero mais beijos. Está bom.

Se alguém lhe dissesse que estaria fazendo isso em seu horário de almoço um mês antes ela diria que esta pessoa estava louca. Se lhe dissessem dois dias antes ela também diria.
Que loucura boa! Que beijo gostoso!
Uma noiva.
Que vontade de perguntar se amava a noiva. Mas não estava mais do que claro? Ia se casar com ela.
Deixava aos poucos que o uniforme escorregasse de seu corpo.
Linda e nua ela tremia de prazer.

- Como você é bonita!
Ele também era lindo nu. Lindo e gostoso. Tinha um pênis avantajado e ela nem imaginava que homens pudessem ter realmente tão grandão.
Como se livrara rápido das roupas!

(tinham quarenta minutos)

Na cama ele a beijava toda e Micaela gemia.
Se contorcia, tremia. Ele beijava, lambia...

- Tudo bem, amor?
- Tudo.
Ela puxava-o para sugar seus mamilos e a boca escorregava para a barriga. Que delícia!
Ele descia mais e penetrava o dedo enquanto chupava seu clitóris.
Estava adorando aquilo.
- Continua, continua...

...quando por fim gozaram juntinhos ela olhou no relógio e viu que
não haveria tempo para um banho
Ele beijou-a de leve nos lábios
- Como você é gostosa!

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