E o Rio de Janeiro continua... LINDO???

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Havia postado esse texto anteriormente em 07/01/2008, resolvi editá-lo e reenviar, devido ao assunto "violência" ainda ser tão atual nos dias de hoje, infelizmente.

E o Rio de Janeiro continua... LINDO???

Acho que como todas as mães, estou sempre rezando e pedindo a Deus, e a todos os anjos e santos protetores que guiem os passos de meu filhote na rua. Mas infelizmente, existem aqueles que vivem no lado escuro, e insistem em cruzar nossos caminhos. Graças a Deus não aconteceu nada com ele, mas ainda não me refiz do susto. Meu filho chegou em casa um dia desses, e ao entrar no quarto estava sem camisa, o que me fez logo reclamar, pois estava muito frio e ele tem andado com infecção de garganta e ouvido constantes nessas férias. Achei que ele havia tirado a camisa ao entrar em casa, mas não, sentou na minha cama e falou que foi assaltado. Só então me dei conta da cara de assustado que ele estava, fiquei desesperada perguntando se o machucaram, tentando examiná-lo todo, imaginem a situação. Resumindo, ele não quis ficar até o fim da tal festa que foi, e como os amigos não queriam sair antes, resolveu vir sozinho pra casa. No ponto de ônibus, quatro rapazes o cercaram, perguntaram se tinha celular e dinheiro, ele respondeu que não, aí mandaram tirar a camisa. Depois teve que pedir ao motorista do ônibus pra deixar entrar sem camisa, pois foi assaltado, ainda bem que o motorista parou quando fez sinal. Enfim, já podem imaginar que fiquei passando mal, imaginando o medo, a vergonha e o frio que meu filho sentiu na rua. É assustador e insuportável conviver com essa violência aqui no Rio, saber que a adolescência do meu filho será marcada por essa fase (ainda acredito que isso é uma fase), é muito triste e desanimador.
Mas agora tento fazer com que ele não fique traumatizado, andou meio com medo de sair logo depois, mas já está bem agora. Só peço sempre que não reaja, se tiver que ficar nu na rua fique, mas não responda, nem reaja! E até deu pra rir depois, pois ele brincou comigo dizendo que falo isso, mas não foi o que fiz em uma das vezes em que fui assaltada. Eu respondi o velho ditado, "faça o que digo, mas não faça o que faço!”.

Resumindo o fato trágico, mas cômico do meu assalto.

Um belo dia de sol, após terminar as aulas, saí da faculdade, na Lagoa, fui pegar o ônibus de volta pra casa. Lembrando que antes já havia trabalhado, na época trabalhava meio expediente no aeroporto, de 05:30 as 09:30h. E pior, foi dia de pagamento e havia recebido, estava tudo na bolsa.
Voltando ao ônibus, que a louca aqui nunca deveria ter pego com tanto dinheiro na bolsa. Passei na roleta, pra variar estava cheio, e de repente senti uma mulher me imprensando e acabei reclamando, quando olho pra bolsa estava aberta, e sempre tenho cuidado de fechar após pagar a passagem. Mexi e vi que faltava a carteira, enquanto isso a tal mulher já estava pedindo pra parar o ônibus, dizia estar passando mal. Imediatamente gritei para o motorista fechar a porta porque ela havia me roubado, o que ele, por milagre de Cristo, atendeu na hora e continuou com o ônibus em movimento. Gente, não sei o que me deu na hora, comecei a andar pra frente do ônibus, o povo abrindo caminho e parei de frente pra ela. Dei tanto na cara da mulher, ela caia pra trás e o povo a empurrava pra frente pra apanhar mais. Isso com o ônibus voando na rua Nossa Sra de Copacabana, até que o motorista parou na esquina da Av. Princesa Isabel, onde havia uma viatura da polícia. Chamou os policiais, contou o que houve e nesse instante um rapaz já havia me devolvido a carteira que ela havia jogado no chão. O policial me pediu pra conferir a carteira, eu olhei, conferi, e ainda dei mais um tapa na cara dela na frente dele. Enlouqueci de vez, ainda bem que ele não ligou e arrancou a talzinha do ônibus.
Vocês pensam que acabou? Nada! Um rapaz me avisou que ela não estava sozinha, e o cara que estava me encarando lá da frente estava com ela, fiquei desesperada de medo, ele ia me seguir quando descesse. Mas dois homens, tipo armário duplex, me disseram para não ficar preocupada. Quando o ônibus chegou na Central do Brasil, como o tal cara não descia, os dois armários pegaram o cara pelos braços e desceram com ele a força do ônibus, dizendo "você não vai atrás da garota não, desce aqui com a gente". Cheguei em casa, contei para meus pais e irmãos, chorei muito pelo medo e principalmente por ter agredido alguém, mas depois até que isso rendeu umas boas gargalhadas ao lembrar do barraco no ônibus em movimento, em plena Nossa Sra de Copacabana.

(Publicado pela primeira vez, no meu antigo blog, em 27/07/2003...e nada mudou no RJ.)

(Civana)

Comentários

2
Foto de ANACAROLINALOIRAMAR

Civana.
Como passou esse seu texto sobre o rio e eu não vi.
Visto que sou uma carioca.
E por muito ja passei sufoco nessa terra naravilhosa.
Nossa! Fiquei iponotizada lendo seu escrito e imaginando tudo.
o que seu filho passou, coitado imagina.
Você sendo assaltada justo no dia do seu pagamento.
Parece que a pessoa que te roubou, sabia que você tinha recebido neste dia.
Mas eu também já passei muito sufoco no Rio.
Agora moro em uma cidade 3 horas e meia do Rio.
até o fim do ano meu pai quer voltar ao rio, fico até pensando.
A gente então que tem filhos, e preocupação redobrada.
mas enfim, vamos ver, vou voltar coloco nas mãos de Deus.
Apesar de tudo eu gosto muito do Rio.
Civana minha linda, você é uma mulher corajosa.
Enfrentando bandidos, eita mulher o que a coragem e raiva não faz com a gente heinn!
Mas no final como você mesma citou até eu rir com a mulher levando bufetada pela cara, foi perigoso, mas ela bem mereceu, ainda foi pouco...
Uma ocasião eu também fui assalta na pra XV. Mas ao seu contrário não pode reagir, a bandida ja estava com um canivete no meu pescoço, mas graças a Deus ela pegou relógio dinheiro não tinha e se conteve e foi embora, mas fiquei um bom tempo sem ir a paqueta....
Gostei de ter lido esse fato.
Abraços
Anna A FLOR DE LIS.

Foto de Civana

É realmente lamentável toda essa situação aqui no Rio, uma cidade tão linda e tão manchada pela violência. Ainda lembro da minha adolescência, tão diferente de hoje em dia, juro que queria um pouco mais de segurança para meu filho. Cada vez que ele vai pra rua, tento não ficar muito nervosa, mas é um absurdo nas noites e madrugadas, principalmente dos fins de semana, convivermos com barulho de tiros e sirenes. Isso NÃO PODE e NÃO DEVE ser algo que faça parte do nosso cotidiano! Mas rezo muito, peço aos anjos que abram suas asas sobre meu filho, e que Deus ilumine a todos nós, principalmente aos que têm o poder e podem tentar fazer algo para acabar com essa violência.

Nosso Rio é lindo, Anna, seu pai deve ter belas recordações e queira voltar, mas pense bem sobre isso, converse com ele, pois se vocês conseguiram encontrar paz em um lugar mais seguro, deve ser levado em conta. ;)

Bjos, e muito obrigada pela visita!

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