Solidão

Foto de Henrique Fernandes

ANATOMIA LEIGA DE MORTAL

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Seco o corpo do banho de solidão
Onde me afogo na inércia
Outrora sorriso de uma emoção
E desejos num tear de peripécia

Galgo silencioso o inóspito
Em demanda pelas constelações
Sem terminar o meu propósito
Na sela de um cavalo de emoções

Colho a hora de um tempo inexistente
Nesta anatomia leiga de mortal
Semeio no olhar meu lado experiente
E mergulho turvo numa paixão

Atravesso o oásis da inteligência
Por areias movediças da escolha
E sopro a verdade sobre a existência
Coleccionando sonhos numa garrafa sem rolha

Foto de Raiblue

Inv(f)ernais...

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Sempre gostei do inverno, seu hálito de mofo e cheiro de sombras frescas com as quais adorava brincar de adivinhar o que havia por trás delas. O mistério das coisas sombrias me fascinava!Talvez existisse em mim um lado desconhecido, submerso em águas profundas do meu ser inquieto e inconstante.
Alguma coisa acontecia, quando chegava o frio, era como se rompesse a placenta naquele momento e eu nascesse ali, naquele instante, ele era aquecedor para as geleiras da minha mente,irrigava mais intensamente o sangue que parecia parado nas demais estações,as mãos formigavam como se começassem a existir a partir dali...
Finalmente, resolvi sair de casa, estava ansiosa por rondar a cidade à noite, após meses de silêncio quase fúnebre. Foi quando,de repente,o avistei,atravessamos o mesmo caminho.Destinos cruzados?Almas gêmeas ou corpos desesperados ,ansiando carne...? Seu olhar parecia perfurar meu corpo, um punhal rasgando impiedosamente meu coração há muito tempo enclausurado nos porões da alma.Cada um seguiu seu caminho,retornei para casa com uma estranha sensação,estava ardendo,tudo em mim era só chama vermelha, incandescente...,.tudo era só desejo....uma vontade de devorar aquele desconhecido,e,quando pensei nisso,senti um gosto diferente na boca, um cheiro forte impregnava em todo meu quarto,era dele,eu sei,eu reconheci,ficou no ar,ficou em mim...
Acendi velas brancas, coloquei lençóis vermelhos na cama,e me deitei,completamente nua,cheirava apenas à carne crua...fresca...estava ali pronta para ele,num ritual apocalíptico,iria exterminar a solidão. Em meio às sombras da noite, entreguei-me àquele desconhecido, senti seus dentes em minha carne como se quisesse mastigar-me em pedacinhos e aquilo deixou-me louca!De repente, um gosto de sangue na boca e um orgasmo misturado à dor da carne arrancada por suas presas afiadas, prazer infernal!!Despertei gritando!Um misto de sensações me tomava, passei a mão no pescoço, procurei o sangue jorrado ou alguma marca, mas só havia suor, quente,cheirando à coisa antiga,um incenso talvez...As contrações no meu corpo continuaram por um certo tempo,meu sexo estava vivo e explodindo...Como poderia tudo ter sido apenas um sonho?
Levantei absorvida pelo tédio dos dias sempre iguais. O sonho trouxera o gosto amargo da decepção, ao acordar.Continuava sozinha, na minha escuridão de sempre.Antes, ela não me incomodava,mas agora era dilacerante,deixava-me angustiada e faminta...uma fome esquisita que nenhum alimento saciava...
Na noite seguinte, tornei sair, porém,dessa vez,parecia determinada a encontrar algo ou alguém específico,alguma coisa me impulsionava e me atraia de forma irresistível...morte! Essa palavra se repetia em minha mente como um mantra mórbido,eu sei,mas de salvação,eu adorava seu eco, engraçado, ela tinha um sentido diferente...,de vida...,de algo que pulsava,vibrava...
Entrei num botequim situado na esquina de um beco chamado Beco dos Imortais, cada bar tinha um nome de um célebre imortal, escolhi o Bar do Baudelaire,pois estava bem baudelaireana naquela noite,até cairia bem um vampiro...Algo me puxava para lá,farejava qualquer coisa indefinida,começava a sentir aquele gosto na boca novamente...aquele do sonho,e aumentava a minha fome...
Entrei, sentei, não vi nada no cardápio que me agradasse, contudo, na mesa em frente à minha, vi um homem de olhar fulminante a me fitar insistentemente.E, de repente,misteriosamente,vi-me sentada ao seu lado.Ele era de poucas palavras,mas despertava cada vez mais minha fome com seu olhar de serpente, seu veneno era apetitoso...Acho que estava obcecada,tarada ,depois de tanto tempo em reclusão,precisava urgentemente de uma noite orgástica!Então veio o convite tão desejado... e eu aceitei de imediato,é claro!Quando saíamos do bar, ele me abraçou subitamente, um abraço quente, de arrepiar cada poro da pele.Ao abrir os olhos,mirei um espelho que ficava bem na minha direção,para minha grande surpresa,só havia uma pessoa refletida...
Enquanto ele me apertava contra seu corpo, e o seu sangue parecia se concentrar todo no seu sexo,minha boca sentia intensamente aquele gosto daquele dia...estava muito gelada e tonta ,talvez de desejo,não sei,só sei que necessitava de algo quente urgentemente, e ele estava ali,eu podia deixá-lo ir,mas foi inevitável o beijo...a mordida...,ele precisava morrer para que eu sobrevivesse...

(Raiblue)

Foto de diana sad

"Vento novo"

A noite escurece meu peito que não adormece
Aquele menino que segurou minha mão
Trouxe mais que tudo saudade e paixão
Eu não sei aonde pôr os meus pés...

A vida que me guia
Cantando poesia, cadê o meu verso que contigo ganhou o mundo?
A voz que tenta ser minha, me acompanha sonolenta e exausta noite e dia, acontece que os dias de prece já se foram na estrada da solidão...

Menino que segurou minha mão
Entenda que eu te dei além de sorrisos e prazer
Eu dei uma parte da minha vida para você.
E não posso lamentar corri por livre vontade na tua mão
Só não estava preparada pra sofrer por paixão...

Meus discos distorcem aquilo que entorpece o juízo
E meus queridos amigos têm saído mais comigo
Eu tenho me divertido, ido ao cinema.
Comprado pipoca e rido bastante
Mais depois de você nenhum vento novo da vida
Terá o mesmo sabor de antes.

Foto de Mentiroso Compulsivo

FELICIDADE (Carta a Pessoa Amiga)

Custa muito dizer sim, quando tudo em nós grita “não”. Mas, mesmo com custo, a nossa vida tem que ser um sim. Há duas atitudes que temos que evitar; a ignorância ou a ilusão dos problemas que surgem todos os dias a nós e aos outros, convencidos de que tudo corre bem… e o desânimo e a tentação de desespero, convencidos que não há nada a fazer, de que tudo está perdido….

Não procures ser aquilo que não podes ser. O jardineiro não transforma um cravo numa rosa. Enquanto ser livre, és responsável por ti, terás que te assumir como és, ou antes, terás que ser o melhor de ti mesmo, com tudo de bom e de mau que faça parte de ti.

O Homem aspira à “felicidade”. Mas, infelizmente, não sabe ao certo no que ela consiste, nem quais são os meios que lhe permitiriam alcançar de modo infalível esta condição de bem-estar “total”, de que tem uma vaga intuição, mas não uma ideia precisa. O Homem parece condenado a sonhar com ela, sem ser capaz de a definir claramente.

Saint-Exupéry em Citadelle dizia:

“Há pessoas que desejam a solidão, onde se exaltam, outras necessitam da balbúrdia das festas para se exaltar, outras ainda devem as suas alegrias à meditação das ciências (…), assim como as há que encontram a sua alegria em Deus (…). Se eu quisesse parafrasear a felicidade, talvez dissesse que para o ferreiro é forjar, para o marinheiro, navegar, para o rico enriquecer, e deste modo nada diria que te ensinasse alguma coisa. E, aliás, algumas vezes a felicidade seria para o rico navegar, para o ferreiro enriquecer e para o marinheiro não fazer nada. Assim foge esse fantasma sem entranhas que debalde tu pretendias captar.”

A felicidade, como vez, não é, exactamente, um “objecto” perceptível que se possa conquistar.

Talvez mais importante que aspirar a felicidade, com significado pouco claro, será a serenidade, a descontracção, um estado de alma caracterizado, se não sempre pelo contentamento, pelo menos por uma grande calma interior. Tu inspiraste-me ter essa calma interior, então, faz-me o favor de não a perderes.

Pascal disse:

“O único futuro é o nosso fim. Assim jamais vivemos, mas esperamos viver, e, dispondo-nos sempre a ser feliz, é inevitável que nunca o seremos”

Quase todos nós esperamos por grandes momentos no futuro, procuramos e investimos na tentativa de encontrarmos, um dia, o que nos irá fazer feliz, investimos na nossa felicidade de vermos realizados os nossos sonhos amanhã. E, enquanto ficamos à espera de ser feliz amanhã, estaremos ainda mais longe de o ser. Alguém, um dia, disse algo assim parecido: O homem torna-se velho demasiadamente cedo e sábio demasiadamente tarde, precisamente já quando não há tempo.

É uma questão de inverter o sentido da corrente do pensamento, em vez de pensarmos no futuro, de sonhar com ele ou de o recear, construímo-lo no presente.

Não basta tão-somente não situar a nossa felicidade na realização futura de algo, de sonhos, o que adia incessantemente o momento em que se poderá ser feliz. Também não é por nem sempre certos obstáculos, tidos como irremediáveis ou definitivos, obstruírem o nosso amanhã e nos impedirem de tomar consciência de que a serenidade ainda está, apesar de tudo, ao nosso alcance. É necessário, acima de tudo, algo que não captamos nitidamente, em virtude do próprio quadro social que nos é imposto pela sociedade na nossa vida quotidiana em todos os níveis, desde o profissional ao familiar: é a perda de relações directas com a natureza, com as pequenas coisas da vida.

Quase sempre esquecemos os pequenos momentos, as pequenas coisas do presente que passam por nós, que olhamos, que sentimos, mas que, por serem pequenas, simplesmente as ignoramos.

Sabes que pequenas coisas são estas? Que esperas? Tu tens estas pequenas coisas. Tu tens alma de poeta, ter alma de poeta é um dos segredos da felicidade. Tu tens um sorriso e um sentido de humor que modifica qualquer alma triste.

Basta um olhar, nunca desperdices um olhar, deixa fitar teus olhos por um olhar penetrante (especialmente de for de um rapaz de 1m80, simpático e bonito) que te transmita confiança e sensualidade, nem que dure breves instantes, vive esse olhar intensamente. Vive o olhar de uma criança que te olha com admiração, querendo explorar os mistérios das tuas expressões, como brinquedos nas suas mãos se tratassem.

Não deixes de sentir um perfume, uma flor, olha o mar, perde-te no horizonte, admira a lua, as estrelas. Sente a chuva, o sol a sombra e o luar… Vais ver que esse teu olhar vai além do horizonte que limita geralmente a nossa vista. Deixa o pensamento viajar e contempla tudo o que gostes e queres e verás que o teu corpo e a tua mente se sentirão bem. Admiráveis surpresas surgirão…

Admira um filme com os amigos, um jantar e sorri como sabes sorrir…

Devemos olhar os nossos desejos, os nossos sentimentos, não como fontes de ilusões, nem como impulsos que instigam a fugir ao presente para sonhar com um futuro melhor, visto haver risco de que ele nos faça esquecer de vivermos verdadeiramente, ou seja trocando, um pequeno momento uma pequena coisa do presente, sempre ao nosso alcance, por belos sonhos, que nunca chegaremos a saber se um dia os alcançaremos. Vive as aventuras, não importa quais, com quem ou com quê, nem como, apenas vive-as, se elas te aparecerem no presente.

Estas coisas que nos pertencem ao nosso meio habitual, aparecerem sob um novo aspecto, como lavadas da sua monotonia, que até objectos, pessoas ou coisas, renascerão sob uma nova forma de vida, como uma natureza-morta, como a cadeira ou os sapatos, pintados por Van Gohg, que parecem transparecer vida.

No fundo é só e simplesmente dar uma outra dimensão à vida. Toda a realidade pode adquirir uma profundidade que a une, pouco a pouco, o verdadeiro sentido de viver, ao conjunto das coisas da natureza, do universo.

Tu já tens o que é de mais importante na vida, uma filha. Vou-te contar o meu segredo. Não interessa o que temos materialmente, quanto tempo vamos aqui estar e a onde estamos, apenas interessa saber aquilo que são os sinais da vida, a lua, as estrelas, a chuva, a criança, o mar, o céu e o sol, uma flor, etc… Um dia em que a tua filha perceba tudo isto, e os filhos da tua filha e assim sucessivamente, ficarás eterna para sempre, porque eles irão olhar sempre a lua e as estrelas como tu um dia olhaste, vão sentir a chuva como sentiste, o céu e o mar como admiraste, cheirar o perfume da flor como cheiraste. Percebes agora porque as pequenas coisas são importantes e porque o pequeno nem sempre é necessariamente pequeno.

Elas podem ser vividas por ti só ou em conjunto com outras pessoas (não interessa quem, pode ser a tua filha, o teu marido, um admirador, um amigo, etc), desde de que tu sintas que está a viver o momento (seja ele qual for - até pode ser uma “queca”- smile), nem que seja por breves momentos que podem durar segundos, minutos dias, anos…e o resto, o resto é treta.

Eu até concordei com o António Variações*, que dizia: - Só estou bem a onde eu não estou e eu só quero ir a onde eu não vou. Mas agora nem pensar, temos que sentir que a onde estamos é a onde queremos estar e a onde vamos é a onde queremos ir, só assim poderemos acreditar que não estamos aqui para nada e que não procuramos a felicidade, porque estamos serenos com a vida, não queremos nada diferente, apenas e simplesmente aqueles pequenos sinais da vida. Se eles duram breves instantes ou anos, que importa, a vida vista assim, não faz parte do tempo, é vivida sempre eternamente.

Com Amizade
Jorge

*Cantor português, muito conhecido, cujo vida artística foi muito curta devido ao facto de ter falecido novo.

Foto de Civana

Carta Apaixonada

Esse sentimento que me devora,
que dá paz, mas que me corrói.
Que me deixa louca,
faz tremer até a alma,
provoca arrepios,
faz suar,
dá vontade de gritar,
me sufoca,
mas me faz ficar leve também,
sinto-me uma pluma...
Vôo horas quando penso em você!
Sinto-me segura com seu abraço,
amada com seu olhar,
viva com seu amor!
Ao sentir que poderia perder você,
desmoronei.
É nessas horas que percebemos
como precisamos da pessoa amada,
não conseguia fazer nada sem você.
Eu preciso de você para viver,
sem você, eu desfloresço.
Parece meio trágico, meio melodrama,
mas digo com prazer tudo que sinto,
Te amo muito!
Com o tempo você sentirá,
através da convivência acreditará,
e aprenderá a confiar nesse amor.
Se não te amasse tanto como falo,
não estaria ao seu lado, e sim sozinha.
Solidão é opção.
Eu nunca teria alguém ao meu lado
se realmente não o desejasse.
Te desejo, te quero, não só como homem,
mas também muito aqui dentro de mim.
Por isso insisto e repito:
"Vamos ser mais amigos, mais nós dois."
Não nego que te desejo a todo o momento,
você me satisfaz em todos os sentidos,
você desperta o lado animal que há dentro de mim,
mas não é só sexo que quero,
Eu Quero Você!
Quero o homem inteiro que conheço,
corpo, alma,
sentimentos, medos,
segurança, insegurança,
certezas, incertezas,
força, fraquezas,
inteligência, tolices,
maduro, criança.
É simples, quero o homem que aprendi a amar,
Você!

(Civana em 30/11/83)

OBS: Texto editado, apaguei o que postei anteriormente.

Foto de Henrique Fernandes

PERCO CADA ANOITECER PARA TE ENCONTRAR

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Sinto a frescura de uma praia deserta
Onde perco cada anoitecer para encontrar
O amor que no silencio chama por mim
Selvagem dos dias e sobrevivente das noites
Onde padeço num mal de não amar
Deixando-me a contas com a solidão
Que me divaga a alma com palavras que choram
No meu mundo ao contrario sem manhãs de Sol
O luar é tão breve que me dissolve o leme
Nesta falésia sem estrelas no céu
E o amanhã para mim é tão longe
Num nada de nada mascarado de tudo
Sinto o tempo pausado no indelicado
Infectando de atritos os meus sentimentos
A tristeza é um vácuo de ansiedade
Uma quarentena de desejos em socorro
Atendidos na alma com o cansaço do corpo
Na falta de um abraço recheado de calor
Numa luz ao fundo de um túnel de incertezas
No tempo que vivo sem amor

Foto de angela lugo

Solidão

Para viver na solidão fui condenada
Meu coração se sente esquecido
Minha alma no corpo mantida
Sinto-me numa vida martirizada

Pela dor de um amor não nascido
Não tenho a quem amar tudo perdido
Na história da vida sinto-me aprisionada
Por sentimentos não sentido, magoada

Por vezes sinto a solidão massacrando
Dia após dia uma tristeza infinda
Como se os dias fossem se empurrando

Ainda resta uma réstia de esperança
Que esta solidão um dia tenha uma linda
Solidificação da vida na perseverança

Foto de Henrique Fernandes

TRAZES AMOR NO TEU VENTO

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O meu despertar da vida nasceu com o teu amor
És a força que modifica a face do meu mundo
Levando-me para uma viagem longa de sabedoria
Teu coração tem a dimensão dos sete continentes
Antes de te conhecer eras um sonho congelado
Nas armadilhas dos glaciares da minha pouca fé
Que caçavam a minha esperança com arpões
Afiados nas profundezas do gelo de solidão
Tens o brilho de tesouros da luta da vida
Transmites maravilhas que me deliciam a alma
E esplendores que encantam o próprio luar
És o rosto actual dos meus pensamentos
Tuas palavras são textos sagrados de um templo
Que se perde na noite dos tempos cintilantes
Onde o teu sorrir é confundido com estrelas
Tu própria és uma estrela que segue o meu caminho
E consagras uma diversidade de boas sensações
Que me faz sobrevoar e acreditar na imortalidade
Por planícies de conforto onde assento meu corpo
Descobri a essência do amor que trazes no teu vento
Soprado nos teus movimentos de mulher decente
Elevo-me na temperatura sensual que compões
Tão preciosa que me recheia as mãos de desejos
E o olhar de fantasias totalmente realizadas
No passar das tuas carícias pela minha face
Fazendo-me sentir descargas eléctricas de emoção
Numa mistura de amor e paixão pulverizados
Por um espesso véu de mistério desta atracção
Transpondo a nossa entrega num sentir absoluto
Para outros sistemas solares

Foto de Sonia Delsin

DESPEDIDA

DESPEDIDA

Meus olhos andam nas coisas.
Nas imutáveis.
Eles andam nas paredes
caiadas.
Nas calçadas.
Meus ouvidos ainda estão presos nas risadas.
Antigo tempo de gargalhadas.
Estou deixando um mundo que rejeito.
Se ele tem defeito?
Dizem que o defeito está em mim.
Que sou anjo torto.
Que nasci assim.
Digo adeus às linhas retas.
Aos is bem pingados.
A um mundo de pecados.
Busco o sol.
Se vão cair minhas asas neste vôo desprendido?
Se a cera corre o risco de derreter pelo caminho...
Preciso arriscar o vôo.
Mesmo que eu me machuque muito preciso tentar.
Senão só posso dizer da vida que foi um
eterno estagnar.
Que cortei as asas por medo de voar.
Vou arriscar.
Vislumbro um mundo que desejo alcançar.
Deixo aqui o medo antigo.
As amarras.
Deixo para trás as cascas dos répteis.
O casulo abandonado.
Na verdade eu sou uma borboleta e sonho amplidão.
Rejeito a lagarta e sua eterna solidão.

Soninha

Foto de Darsham

Vieste tarde...

Porque vieste?
Cansaste-te de correr o mundo?
De viver a tua vida
Sem pensar um segundo?

Lembras-te de mim?
Sabes quem sou?
Já não sou o benjamim
Que seu pai abandonou…

Vinte anos contam
De solidão e ausência
Vinte anos contam
Que me levaram a inocência

Hoje surges
Vindo não sei de onde
Indo não sei pra onde
E em grande aflição
Dizes que o tempo urge!!!

Não vês que já não sou eu
Que tu já não és tu?
Que estranhos somos
E que aquele tempo morreu…

Outrora menina
Hoje mulher
A quem a vida ensina
E sabe o que quer

Noites em branco
Olhando o escuro
Implorando, rezando
Que não fosses tão duro

Pai?
Assim queres que te chame
Como queres que te ame
Se o amor se esvai

Não sou trapo
Sou humana
E de ti me escapo
Dizendo sempre a verdade
Não sou eu quem engana

Que queres de mim agora?
Se nada te posso dar
Se não te consigo amar
Se tantas vezes gritei
Que me viesses salvar

Trazes de volta o brilho de meu ver?
Se não porque quiseste voltar
Desculpa…
Mas hoje não te quero
Hoje não sei te querer

Apenas te peço que partas
O meu coração não se irá render
Mas não sem antes me explicar
Como fizeste para me esquecer
E sem mim a vida enfrentar…

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