Fumaça

Foto de Nailde Barreto

"Aprendiz de Mágicas"

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Aprendiz de mágicas.

De olhos vendados,
Posso bater palmas e,
Fazer brotar fumaça das minhas mãos...

Então, sentir-te, impregnada na minha alma,
Ilusão viciosa que me acalma,
E, em tempo, aspirar-te por inteira antes que se desfaça...

Agora, desvendado, ousado!
Posso dar um passo à frente, fazer graça;
Mágico, arte sedução de palhaço!

Daí bate a solidão pra tirar o sorriso, precisão!
Posso pegar minha cartola, abracadabra!
E vê-la flutuar ao alcance da minha visão...

Tocar-te-ei a face com tanta emoção,
Nervoso, amassando o meu lenço secreto, transformação!
E, com apenas um sopro, agora és pétala orvalhada no chão...

Recolher-te-ei para o aconchego do meu coração,
Mágico aprendiz, magma em erupção;
Deusa da minha magia, perdição!
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Nailde Barreto.
26/04/2011.

Foto de Lorenzo

Sinto

Sinto que sento como um santo
E acabo dando cabo de tudo que se deu
Versando a tristeza na felicidade
Desse coração que é mais teu que meu

Trago mais um trago do cigarro
Aspirando essa áspera fumaça
Como se ela fosse ocupar aqui
O pedaço do peito teu em mim

Canto sozinho no canto
Deitado completamente nu no chão frio
Pedindo pra bomba explodir mais rápido
E cada segundo encurta mais esse pavio

Volta e fica a minha volta
Traz o que ficou atrás
Luta contra meu luto
Na mórbida órbita do meu mundo

Lorenzo Petillo.

Foto de William Contraponto

Ao Vento do Absurdo

Por todas ruas que passei
Em todas as calçadas que andei
O vento me levava
Sem precisar imaginar
O que me esperava

Basta sentir a nuvem
Ou a fumaça que passa
Por cima de qualquer rastro
Arrasando tudo a sua frente
Ontem foi a lua quem pairou
Sob o mesmo telhado
Iluminando o caminho passado.

Sinais, barreiras ou olheiras
Fazem parte do medo
Quando tenta se esconder
Os feitos realizados
Num entardecer alucinado

Nas praças, nas calçadas
Becos ou estações
Todos seguem pilhados
Tentando acreditar em soluções
Mas vão ser nas ruas os aprendizados
Para todas as velhas questões.

Não se iluda com o lógico
Ele não sabe inventar
É só no absurdo
Que o vento vai tocar
E assim nos levar
Ao mais verdadeiro mundo
Onde viajar nunca será demais

Basta sentir a nuvem
Ou a fumaça que passa
Por cima de qualquer rastro
Arrasando tudo a sua frente
Ontem foi a lua quem pairou
Sob o mesmo telhado
Iluminando aquele caminho passado

Foto de Carmen Vervloet

NOSSO TEMPO

O tempo pressentido precipita-se sobre nós.
Tempo antecipado pela nossa assassina mão,
costurado pelas linhas do mesmo retrós...
Pecado, cometido pelo homem, sem absolvição.

Outrora o tempo era de paz, sabedoria e harmonia!
Tempo de águas limpas, de nascentes cristalinas...
Hoje o coração pulsa no ritmo de sentida agonia,
vendo a vida se acabar entre motos-serras e toxinas.

Lixo, agrotóxicos, dióxido de carbono poluem o planeta.
Aterros, desmatamentos, pedreiras explodidas sangram a natureza!
A esperança esconde-se entre densa fumaça preta,
sinal de tantos medos e de plúmbeas incertezas.

Ontem, tsunami era coisa apenas do oriente,
do outro lado do mundo, tão distante da gente!
Hoje todo o planeta reage com intensa valentia
à agressão do mais egoísta ser vivo que o fere e asfixia..

Por que agredir quem sustenta tão fartamente
as bocas que sugam da terra frutas, verduras, sementes?
Por que matar lentamente quem gratuitamente nos dá a vida?
Por que contaminar e exterminar a nossa própria comida?

Nenhum governo deveria autorizar tão ignóbeis atos!
Lesões irreversíveis que vão afetar a saúde das espécies e do planeta...
Mas a avidez não dispensa luxos e seus respectivos aparatos,
só mesmo Deus para nos livrar das mãos que empunham tão pesada marreta!

Hoje é tempo de efeito estufa aumentando a temperatura do planeta,
é tempo de chuvas ácidas que matam e destroem...
É tempo de mudanças climáticas, é tempo de pouca colheita,
é tempo de alagamentos, maremotos e tufões,
mas, sobretudo é tempo de muita reflexão e orações!

Carmen Vervloet

Foto de SANDRA FUENTES

ÚLTIMO ANDAR

Maquiava os olhos às cinco da manhã e ficava em seu quarto olhando para o espelho. Não havia traços do tempo em seu rosto, mas o coração, com rugas profundas, se fazia de desentendido. Fumava um cigarro que deixava pela metade. Olhava o mar pela janela do apartamento minúsculo e pensava em seus sonhos-pesadelos. Nem sempre é possível distinguir um do outro quando se dorme. As cores se confundem e os personagens mudam de cena durante um sono profundo. Mas a mulher vestida de segredo, tirava suas meias transparentes e caminhava descalça em direção à porta. Gostava quando ia sentindo nos pés o frio daquele piso do corredor pintado de verde. Sentava na escada e acendia mais um sonho, que deixava pela metade.Ela quer descer. Passa pelos degraus como fumaça. Em silêncio caminha até o portão. Desconhece aquele lugar. Sem olhar para trás, faz o caminho de volta. Pega a chave que estava sob o tapete. Surda-muda. Sonho-pesadelo. É lá seu lugar, é onde ela mora: no último andar, na última porta.

Sandra Fuentes

Foto de raziasantos

O Choro do Adeus.

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Choro do Adeus
Apocalipse Urbano
Raciocínio ativo cérebro vivo, melhor amigo ou inimigo
Oculto inculto, minha sombra me assusta a consciência acusa,
Minha mente esta confusa e se recusa a acreditar
Primeiro passo dado venci vários obstáculos,
Na caminhada o suspense fez da vida um espetáculo, um final trágico
Sem truque, mágico, varias contradições, contravenções
Abandono de missões, poucas boas ações
Alguém me disse bem, olho pros lados, mas não vejo ninguém
Um dia tenso, reflito e penso um medo imenso, fico em silencio
Sinto um calafrio meu corpo frio, alguém disse ‘psiu’ depois sorriu.
Hoje pediram a sua alma, ouço vozes tento manter a calma
Sinto cheiro de flores fico assustado a cada passo dado olho pros lados
Tem algo errado, to abalado, o coração acelerado um clima pesado
Lembro do sonho que alguém teve comigo,
Eu sendo velado e enterrado em um domingo
Só de pensar que eu conheço a bíblia, só de pensar nas minhas tias, na minha família, preciso parar com a cocaína da um basta em tudo isso mudar minha vida,
Vou até um bar peço uma cerveja, tento esquecer a morte uma surpresa.
(lágrimas)
Gotas de arrependimento escorrem pelo meu rosto em forma de lagrimas um pedido de socorro , um ultimo suspiro antes do toque no gatilho
O olhar fixo transmite o ódio antes do tiro ,
Bíblia e cocaína adivinha o que escolhi ?
Sei que e tarde demais pra dizer que me arrependi.
Eu rancoroso, cheio de mágoa agora choro, lembro da minha coroa, lembro de deus, imploro que não queira morra eu quero mais uma chance a vida e bela percebo agora e vejo rosas no ultimo estante, alguém dando risada ouço altas gargalhadas, percebo que a morte pra muitos e uma piada sem graça
Principalmente quando passa o efeito da fumaça, a brisa e uma farsa o paradeiro da desgraça o cubo de gelo , coração petrificado se derrete , despedaça
Com disparos do oitão refrigerado.
Como cristos entre comprimentos e abraços foram traídos, cada gole de cerveja
Era um sonho destruído, decepção pra minha família, tristeza pra minhas filhas
Quando souberem que seu pai não valorizou a vida
Vida? E uma só NE, não tem mais chance então adeus foi meu ultimo estante
Estou morrendo por merecedor da sua palavra o deus , me perdoe , restou pra mim o choro do adeus!
(refrão)
O choro do adeus não quer calar, a morte dizia (lute pra mudar)
A vida se foi , sem se despedir só restou lembranças ( mas tenho que seguir )
Abalou de surpresa me pegou , quanta dor
A vida não tem mais valor
Ontem a morte , hoje as lagrimas , amanhã e só lembrança .

Foto de raziasantos

A Última Carta!

Há ultima carta.

Entre mil novecentos e trinta nove, quando estoura a segunda guerra mundial:
Estávamos com nosso casamento marcado, por opção de meu noivo com seu patriotismo, resolveu alista-se para a grande batalha, não sei se sabia o que o esperava...
Seus pais como eu tentamos persuadi-lo a desistir, de lutar, mesmo porque se abreviássemos nosso casamento ele não seria convocado.
Mas quando amamos verdadeiramente não podemos podar os sonhos de quem amamos seria como se quebrássemos as asas de um pássaro.
As famílias dos pracinhas reuniam-se para despedida:
Da cidade onde morávamos eles eram transportados por trens, para um destino que nem eles sabiam onde seria.

Marcos este empolgado e orgulhoso em sua farda engomada, e bem passada.
Marcha sorridentes em direção á estação, onde eu e seus pais já o esperávamos, juntamente com outras famílias.
Eu usava um vestido de organza florido, meu cabelo dourados solto:
Estava ali ansiosa e aflita me orgulhava de meu amor, mas sabia que nosso destino agora era incerto, neste momento Marcos perdia a solidez da família e nosso calor, mas ganhava os aplausos e solidariedade de todos como também
Os demais soldados.

A me ver Marcos corre ao meu encontro tira sua boina e coloca no bolso, me abraça forte depois me toma em seus braços, me levanta como seu fosse uma pena, tão forte vigoroso.
Estávamos apaixonados, e nosso coração confirmava nosso amor.
Beijamos-nos longamente um beijo com sabor de despedida, mas cheio de desejos.
Ao som do hino nacional os soldados embarcam em busca da vitoria.
Como crianças inocentes estão eufóricas, como quem se espera um presente cheio de surpresas.
O trem fecha as portas e os sonhadores, exibem suas boinas nas janelas do aglomerado trem:
Entre os apitos, e fumaça desaparecem nas curvas das montanhas.
Marcos prometeu-me que me escreveria todo mês que para mim seria uma eternidade.
Quando o barulho do tem cessa, meu coração também se silencia.
Ainda sinto em meus lábios o sabor de sua boca, mas jê é grande a saudade.

Os dias passam lentamente, e para minha alegria recebo a primeira carta.
Marcos me escreve, com entusiasmo, e positivismos, diz estar tudo ótimo

Diz minha amada não se preocupe estou bem instalado em uma humilde hospedaria, mas tenho lençóis, limpos e comida quente, a guerra não é tão mal como se dizem.
Ele só se torna melancólico ao falar do nosso amor da saudade que sente do desejo que arde em querer me abraçar, me beijar, estar ao meu lado.
Neste instante eu o vejo sorrindo ao nos despedirmos, mas apesar da tristeza de sua ausência, fico feliz ao saber que ele esta sob um teto limpo com comida quente.
Começo há contar os dias para receber a segunda carta.
Assim meus dias passam mais rápido.

Por doze meses recebia suas belas cartas, a cada trinta dias eu já esperava o carteiro, com um copo de refresco ou uma xícara de café.
Sentia meu coração disparar quando o carteiro gritava meu nome ele já estava habituado, a todo mês me entregar à carta tomava seu refrescou ou café e assobiava acenado feliz por me dar boas noticias.

Eu me sentava ao lado da cachoeira nos fundos de minha casa, e com os pés na água espumante eu lia e relia todas as cartas.

Ardia em meu peito à dor da saudade e uma longa e intensa espera.

Mas as cartas tão cheias de incentivos e positivismos me deixavam, mais animada por saber que me amado Marcos estava bem.
Na pequena cidade que morávamos nunca recebíamos jornal.
E eu não tinha radio.
Meu coração por vezes apertava e sentia meu amor em perigo
Às vezes sonhava com ele sujo, e chorando...
Um amigo de Marcos volta para casa mutilado, depois que seu acampamento foi torpedeando.
Com a chegada de Mauricio entendi a dor de meu coração e razoes de meus sonhos, Marcos mentiu para mim, por todos esses meses, não tinha hospedagem com lençóis limpos, nem comida quente, tudo era sujeira e rastro de destruição, sobrevier não era uma opção, mas sorte.
Marcos não sabia que Mauricio tinha voltado, e continuava a falar coisas boas sem nunca deixar de me declarar seu imenso amor.
Meu coração agora é só dor, e medo, de perder meu grande amor.
A espera de suas cartas já não me deixa feliz, pois sei que ele mente.
Meus dias passaram a ser eternos, pois nunca via o tempo passar.
Todos os dias eu orava por todos que lutavam nesta guerra sem propósito.

Depois de onze meses as cartas cessaram!
E o silencio-me fez adoecer de amor, a saudade e incerteza tomaram conta do meu viver.
No dia vinte e dois de março de mil novecentos e quarenta e dois depois de mais de um ano no silencio, ouço novamente chamar meu nome, corro para abrir o portão, mas sei pela voz que não é carteiro, logo que abro o portão vejo um carro oficial militar parado em frente á minha casa um comandante tira a boina e faz continência me cumprimentado meu corpo estremece algo dentro de mim me diz que vou ter a pior noticia de minha vida, mas por outro lado eu rejeito esse pensamento e penso__ ele meu amor esta dentro do carro esta é a surpresa, o comandante olha em meu olhos um olhar distante e frio, com voz tremulas me diz meus pêsames senhorita, estou aqui para lhe entregar estas duas cartas,em uma eu reconheci imediatamente a letra do meu amor,mas no momento não tive coragem de abrir.
A segunda abriu diante dos olhos do comandante era uma medalha de honra á um herói morto.
Senti um vazio tão grande seguido de grande revolta, pois me lembrei de Marcos entrando naquele trem cheio de esperanças, e orgulho, por ir lutar por seus pais.
Olhei para o comandante que insensível a minha dor começou a detalhar a morte de Marcos.
Sem me despedir do comandante fui para nossa cachoeira ali eu li minha última carta.

Minha querida hoje te escreve para te dizer que estou indo com uns amigos para um novo lar, ainda não sei como será viver neste lar, mas sei que para sempre irei te amar, jamais se esqueça que nasci pra te amar.
Quando a saudade te sufocar lembre-se estarei entre as nuvens, e por todo firmamento a te olhar.
Lembre-se minha ama da nossa cachoeira, como as águas espumantes estão sempre, a nos abraçar, amo-te amor, amo-te
Adeus meu grande amor.
Assinado Seu unicamente Marcos.

E assim eu recebi sua última carta!

Foto de Amy Cris

Momentos finais

Encontrei um anjo negro em meu caminho, que estava em chamas. Seu rosto brilhava mesmo no escuro. Ele me disse que o inferno era este mundo, que só havia uma maneira de escapar, pela morte. Então eu lhe disse que ainda tinha uma vida a viver neste mundo. "Tome sua vida nas mãos", respondeu ele. "Simplesmente olhe em volta. O que você vê?". Eu respondi: "Fogo, fumaça, terra negra". "Está vendo?", disse ele. "Inferno".
Sei que o suicídio não é algo fácil de entender para muitos, mas se é uma coisa que não deveria ser feita, por que esta faca está ao alcance de minha mão e por que tenho tanta paz no coração?

Foto de Marilene Anacleto

Cadê a Palavra?

O vazio central
Misturou-se à cortina de fumaça.

Peso venenoso e mortal,
Ausência da palavra exata,

Criou drama total
De posturas inexatas.

Eu que era o tal,
Tornei-me siri na lata.

Momento infinitesimal
Em que a hora não passa.

Oh palavra traidora!
Não posso dizer lorotas
Com enfeites de lentejoulas!

E, na troça de palavras,
Consegui só gaguejar
Para a crisálida do baile.

- Sou o rei do carnaval,
Dança comigo, dança?

Um desenho musical
Desmanchou-se num sorriso.

Foi-se o vazio central
E ela dançou comigo.

Publicado em: http://rotadaalma.spaces.live.com/ , em 28/02/99
Publicado no site http://www.itajaionline.com.br/colunas/marilene/marilene.htm, em 17/04/01 e 20/04/06
Publicado no Jornal Folha do Povo – Itajaí – SC, em 16/09/00

Foto de Carlos Henrique Costa

Forma humana

O ser corrupto, abrupto pela maldade,
A sombria calada noite, o ser espreita,
Nas vielas, fumaça, desgraça bem feita,
A droga, maldita, dita forjada felicidade.

Mundo moribundo, corroído na cidade,
A vida ensina o que nada se aproveita:
A ira, a dor, a morte é o que se suspeita!
A voz atroz sucumbe à paz e liberdade.

Deforma a forma humana em vira-lata!
Tudo que na vida tem nela se consome,
Sempre mais um trago, um toco cata!

Corpo quase osso, desprovido da fome,
Pela quantidade da droga que o mata!
Pobre homem, nem mesmo sabe o nome.

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